Avaliação Holística do Paciente com Problemas Articulares
O paciente com problemas articulares deve ser examinado como um todo, não apenas focando na articulação afetada, pois muitas condições articulares são manifestações de doenças sistêmicas ou têm impacto em múltiplos sistemas do corpo. 1, 2
Abordagem Diagnóstica Completa
- A avaliação deve incluir todas as articulações, mesmo quando apenas uma está sintomática, para detectar envolvimento poliarticular que pode indicar doença sistêmica 1
- Além dos sintomas articulares, deve-se avaliar sinais sistêmicos como febre, perda de peso, fadiga e manifestações extra-articulares que podem indicar doenças reumatológicas 1
- A avaliação global deve incluir o impacto da condição na qualidade de vida e capacidade funcional do paciente 1
- O exame físico completo deve incluir avaliação da marcha, postura, amplitude de movimento e força muscular em todas as articulações relevantes 1
Avaliação Laboratorial e Imagiológica
- Os exames laboratoriais devem incluir marcadores inflamatórios (VHS, PCR), fator reumatoide, anticorpos anti-peptídeos citrulinados (ACPA) e outros exames específicos baseados na suspeita clínica 2
- A interpretação dos exames deve ser contextualizada - um fator reumatoide negativo (menos de 10 UI/mL) não exclui artrite reumatoide e deve levar à consideração de outras causas de sintomas articulares 2
- A ultrassonografia articular permite avaliação detalhada de múltiplas articulações, detectando derrame, sinovite, lesões cartilaginosas e ósseas que podem não ser evidentes no exame clínico 1
- Radiografias simples devem ser a modalidade inicial de imagem para avaliar fraturas, estreitamento do espaço articular ou outras anormalidades 3
Abordagem Terapêutica Multimodal
- O tratamento deve considerar não apenas a articulação afetada, mas também comorbidades como hipertensão, doença cardiovascular, insuficiência cardíaca, risco de sangramento gastrointestinal e doença renal crônica 1
- A abordagem terapêutica deve incluir intervenções educacionais, comportamentais, psicossociais e físicas, além de medicamentos tópicos, orais e intra-articulares 1
- O manejo da dor deve seguir uma abordagem escalonada, começando com medicamentos de menor exposição sistêmica ou toxicidade 1
- Para pacientes com doença cardiovascular conhecida ou fatores de risco, deve-se utilizar uma abordagem escalonada que comece com agentes de menor risco cardiovascular 1
Considerações Especiais
- Pacientes com artrite podem apresentar sintomas adicionais como distúrbios de humor, alterações do sono, dor generalizada e habilidades de enfrentamento prejudicadas que devem ser abordados 1
- A presença de dor noturna ou dor em repouso pode indicar infecção, enquanto dor ao suportar peso é mais característica de problemas mecânicos 3
- Em casos de derrame articular com dor, a artrite séptica deve sempre ser descartada, pois é uma emergência cirúrgica 3
- Condições como hipermobilidade articular podem causar dor musculoesquelética e requerem reconhecimento e tratamento específicos 4
Monitoramento e Avaliação Contínua
- A atividade da doença deve ser monitorada regularmente utilizando medidas padronizadas como avaliação global do médico, avaliação global do paciente, contagem de articulações dolorosas e inchadas, e marcadores inflamatórios 1
- O objetivo do tratamento deve ser a remissão ou baixa atividade da doença, com avaliações periódicas para ajustar a terapia conforme necessário 1
- Pacientes com suspeita de artrite reumatoide com fator reumatoide negativo devem ser monitorados de perto, pois a soroconversão pode ocorrer ao longo do tempo 2
Esta abordagem holística garante que todas as manifestações da doença sejam adequadamente avaliadas e tratadas, melhorando os resultados clínicos e a qualidade de vida do paciente.