Causas de Coledocolitíase Primária
A coledocolitíase primária ocorre quando cálculos se formam diretamente no ducto biliar comum, diferentemente da coledocolitíase secundária, onde os cálculos se originam na vesícula biliar e migram para o ducto biliar. As principais causas de coledocolitíase primária estão relacionadas a alterações anatômicas do ducto biliar, distúrbios da dinâmica biliar, alterações metabólicas e infecções bacterianas.
Alterações Anatômicas
- Divertículo peripapilar (próximo à ampola de Vater) que causa estase biliar 1
- Ducto biliar oblíquo (ângulo < 45° em relação ao plano horizontal), que dificulta o fluxo normal da bile 2
- Estenoses biliares benignas que causam obstrução parcial 3
- Variações anatômicas congênitas do ducto biliar comum 4
Alterações da Dinâmica Biliar
- Dilatação do ducto colédoco, que favorece a estase biliar 1
- Angulação acentuada do ducto biliar comum, alterando o fluxo normal 2, 1
- Disfunção do esfíncter de Oddi, causando fluxo biliar inadequado 5
- Presença de múltiplos cálculos, que podem servir como núcleo para formação de novos cálculos 1
Alterações Metabólicas
- Idade avançada, que está associada a alterações na composição da bile 1
- Hipotireoidismo, que afeta o metabolismo lipídico e a motilidade biliar 1
- Alterações na composição da bile, com aumento de colesterol ou bilirrubinato de cálcio 6
- Distúrbios no metabolismo de ácidos biliares secundários 6
Infecções Bacterianas
- Colonização por Enterobacter, que pode alterar a composição da bile 1
- Infecção por Helicobacter pylori, que tem sido associada à formação de cálculos 1
- Disbiose do microbioma biliar, com redução da diversidade microbiana 6
- Alterações no metabolismo microbiano que levam à acumulação anormal de metabólitos 6
Fatores de Risco para Recorrência
- Redução do filo Actinomycetes na bile, que tem valor preditivo para recorrência 6
- Histórico de colecistectomia prévia ou cirurgia biliar 2
- Pancreatite crônica associada 2
- Fístulas biliares 2
Diagnóstico
- Elevação de enzimas hepáticas e/ou níveis de bilirrubina, embora não sejam suficientes para identificar pacientes com coledocolitíase 7
- Ultrassonografia abdominal mostrando dilatação do ducto biliar comum ou visualização direta de cálculos 7
- Testes bioquímicos hepáticos (ALT, AST, bilirrubina, ALP, GGT) para avaliar o risco de cálculos no ducto biliar comum 7
- Exames de imagem avançados como colangiopancreatografia por ressonância magnética (MRCP) ou ultrassonografia endoscópica (EUS) para casos de probabilidade intermediária 5
Complicações Potenciais
- Obstrução biliar parcial ou completa levando a icterícia obstrutiva 5
- Colangite aguda (infecção do ducto biliar), que pode progredir para sepse 5
- Abscessos hepáticos 5
- Pancreatite aguda 5
- Cirrose biliar secundária (dano hepático a longo prazo devido à obstrução crônica do ducto biliar) 5
A coledocolitíase primária é uma condição que requer atenção especial devido ao seu alto índice de recorrência. O tratamento adequado depende da identificação dos fatores de risco específicos e pode incluir abordagens endoscópicas, laparoscópicas ou cirúrgicas, dependendo da situação clínica do paciente 1.