Mecanismos da Poliúria e Incontinência Urinária Causadas pela Olanzapina em Idosos
A olanzapina pode causar poliúria e incontinência urinária em idosos principalmente devido aos seus efeitos anticolinérgicos sobre os receptores muscarínicos, que afetam o controle da bexiga e a função urinária. 1, 2
Mecanismos Principais
A olanzapina possui alta afinidade pelos receptores muscarínicos (acetilcolina), causando bloqueio anticolinérgico que pode levar à disfunção da bexiga, incluindo retenção urinária com subsequente transbordamento e incontinência 2, 3
O bloqueio muscarínico amplo resulta em efeitos negativos sobre a micção, contribuindo para problemas como incontinência urinária, especialmente em pacientes idosos que já apresentam declínio fisiológico da função colinérgica 1
Pacientes idosos são particularmente vulneráveis aos efeitos anticolinérgicos da olanzapina, conforme indicado na bula do medicamento, que menciona especificamente a incontinência urinária como reação adversa mais frequente nesta população 4
Fatores de Risco em Idosos
A "carga anticolinérgica" é especialmente problemática em idosos, pois o envelhecimento já está associado a um declínio na fisiologia da acetilcolina, tornando-os mais suscetíveis aos efeitos anticolinérgicos dos medicamentos 1
Idosos com demência tratados com olanzapina apresentam maior incidência de incontinência urinária em comparação com placebo, conforme indicado na bula do medicamento 4
A polifarmácia, comum em idosos, pode aumentar o risco de efeitos anticolinérgicos quando a olanzapina é combinada com outros medicamentos que também possuem propriedades anticolinérgicas 1
Condições pré-existentes como hiperplasia prostática benigna (HPB) aumentam significativamente o risco de retenção urinária aguda com uso de olanzapina 3
Outros Mecanismos Potenciais
Além dos efeitos anticolinérgicos, a olanzapina pode causar sedação e sonolência, que podem contribuir para a incontinência funcional em idosos por dificultar o acesso ao banheiro em tempo hábil 4
Estudos mostram um aumento significativo no risco de infecções do trato urinário durante o uso de antipsicóticos em mulheres idosas, especialmente na primeira semana de tratamento (HR ajustado 3,03), o que pode contribuir para sintomas de poliúria e incontinência 5
Alguns casos sugerem que os efeitos urinários adversos dos antipsicóticos podem não ser exclusivamente devidos aos efeitos anticolinérgicos, mas também podem envolver outros mecanismos neurofarmacológicos 6
Recomendações Clínicas
Realizar avaliação para identificar causas tratáveis de incontinência urinária em idosos usando olanzapina, incluindo infecção do trato urinário, retenção urinária, impactação fecal, mobilidade restrita e uso de certos medicamentos 1
Considerar a possibilidade de redução da dose de olanzapina em pacientes idosos para minimizar os efeitos adversos, incluindo problemas urinários 2, 4
Em casos de incontinência urinária grave associada à olanzapina, considerar a mudança para um antipsicótico com menor carga anticolinérgica 7
Monitorar a função renal regularmente em idosos que iniciam tratamento com olanzapina, especialmente aqueles com HPB ou outros fatores de risco para problemas urinários 3
Cuidados Especiais e Monitoramento
Avaliar anualmente os sintomas de incontinência urinária em idosos que usam olanzapina, pois a incontinência urinária é frequentemente não relatada pelos pacientes e não detectada pelos profissionais de saúde 1
Estar atento aos fatores de risco para incontinência urinária que são mais comuns em idosos, incluindo poliúria, transbordamento secundário à bexiga neurogênica e insuficiência autonômica 1
Lembrar que a incontinência urinária pode ter um efeito profundo na qualidade de vida e pode estar associada ao isolamento social, depressão, quedas e fraturas 1
Evitar a combinação de olanzapina com outros medicamentos que possuam propriedades anticolinérgicas para reduzir a carga anticolinérgica total 1, 8