Riscos de Parkinsonismo, Discinesia Tardia e Acatisia: Aripiprazol versus Brexpiprazol
O Brexpiprazol apresenta menor risco de acatisia, parkinsonismo e discinesia tardia em comparação com o Aripiprazol, sendo uma opção preferível quando há preocupação com efeitos extrapiramidais. 1, 2
Comparação dos Riscos de Efeitos Extrapiramidais
Aripiprazol
- Apesar de ser um antipsicótico atípico, o Aripiprazol está associado a um risco aumentado de sintomas extrapiramidais (SEP), com odds ratio de 5,38 em comparação com não usuários de antipsicóticos 2
- O risco de discinesia com Aripiprazol é 8,5 vezes maior em comparação com não usuários 2
- Estudos de caso documentaram parkinsonismo induzido por Aripiprazol mesmo em doses baixas (10mg/dia) 3
- O mecanismo único do Aripiprazol como agonista parcial dos receptores D2 inicialmente sugeriu menor risco de SEP, mas evidências clínicas demonstram risco significativo 4
Brexpiprazol
- O Brexpiprazol possui um perfil farmacológico semelhante ao Aripiprazol, mas com menor afinidade pelos receptores D2, resultando em menor incidência de SEP 1
- A bula do Brexpiprazol menciona risco de discinesia tardia, mas não destaca risco aumentado de SEP agudos como parkinsonismo e acatisia 1
Manifestações Clínicas dos Efeitos Extrapiramidais
Parkinsonismo
- Caracterizado por bradicinesia, tremores e rigidez, podendo ser confundido com sintomas negativos da esquizofrenia 5, 6
- Pode ser tratado com medicamentos anticolinérgicos ou agentes dopaminérgicos leves (amantadina) 5
- Mais comum com antipsicóticos de alta potência e maior afinidade pelos receptores D2 5
Discinesia Tardia
- Transtorno de movimento involuntário, geralmente afetando a região orofacial, podendo persistir mesmo após a descontinuação da medicação 6, 7
- Até 50% dos jovens recebendo neurolépticos podem experimentar alguma forma de discinesia tardia 7
- Não existe tratamento específico além da descontinuação da medicação, tornando a prevenção e detecção precoce fundamentais 7, 8
Acatisia
- Sensação de inquietação severa manifestada como agitação física, frequentemente mal interpretada como agitação psicótica ou ansiedade 5
- É uma causa comum de não adesão ao tratamento 5
- Pode ser tratada reduzindo a dose do antipsicótico, ou com beta-bloqueadores e benzodiazepínicos 5
Estratégias de Manejo
Monitoramento
- Realizar avaliação basal de movimentos anormais antes de iniciar terapia com antipsicóticos 7
- Monitorar regularmente para discinesias pelo menos a cada 3-6 meses usando medidas padronizadas como a Escala de Movimentos Involuntários Anormais (AIMS) 6, 7
Prevenção
- Usar antipsicóticos atípicos quando possível, pois têm menor risco de SEP e discinesia tardia em comparação com antipsicóticos típicos 6
- Considerar o uso de agentes antiparkinsonismo profiláticos em pacientes com risco de distonias agudas ou com histórico de reações distônicas 5
Tratamento
- Para SEP agudos: reduzir a dose do antipsicótico quando clinicamente viável 5
- Para discinesia tardia estabelecida: considerar a mudança para antipsicóticos com menor afinidade D2 7
- Em casos de parkinsonismo induzido por Aripiprazol, a redução da dose ou a mudança para Brexpiprazol pode ser benéfica 3, 4
Considerações Especiais
- O risco de desenvolver discinesia tardia e a probabilidade de que se torne irreversível aumentam com a duração do tratamento e a dose cumulativa total 9, 1
- Pacientes com histórico prévio de SEP com outros antipsicóticos podem ter maior risco de desenvolver SEP com Aripiprazol 4
- A preocupação com discinesia tardia não deve superar os potenciais benefícios dos antipsicóticos para pacientes que realmente precisam dessas medicações 7
Recomendações Práticas
- Para pacientes com histórico de SEP ou alto risco para esses efeitos, o Brexpiprazol é preferível ao Aripiprazol 1, 2
- Em pacientes já em uso de Aripiprazol que desenvolvem SEP, considerar redução da dose ou mudança para Brexpiprazol 3, 4
- Monitorar regularmente todos os pacientes em uso de antipsicóticos para detecção precoce de movimentos anormais 6, 7