Câncer de Bexiga e Reposição de Testosterona
Não há evidências conclusivas de que a reposição de testosterona aumente o risco de progressão do câncer de bexiga, embora estudos pré-clínicos sugiram que a sinalização androgênica possa estar envolvida na carcinogênese urotelial. 1, 2
Relação entre Andrógenos e Câncer de Bexiga
- Estudos recentes indicam que o câncer de bexiga pode ser considerado um tumor relacionado ao sistema endócrino, com receptores de andrógenos expressos em linhagens celulares e tecidos de câncer de bexiga 2
- A ativação dos receptores de andrógenos tem sido implicada na modulação da sensibilidade às terapias convencionais não-cirúrgicas para o câncer de bexiga 3
- Evidências pré-clínicas sugerem que a sinalização mediada por hormônios sexuais desempenha um papel vital na progressão do câncer urotelial 3
Evidências Experimentais
- Estudos em modelos animais demonstraram que o bloqueio da produção de testosterona pode inibir a carcinogênese da bexiga 4
- A flutamida (um antiandrógeno) mostrou efeito dose-dependente na redução do número de ratos com câncer de bexiga em estudos experimentais 4
- O urotélio da bexiga de ratos e camundongos expressa receptores de andrógenos, sugerindo um mecanismo biológico plausível para a influência hormonal 4
Potenciais Benefícios da Inibição Androgênica
- Uma meta-análise de estudos clínicos mostrou que o risco relativo de recorrência do câncer de bexiga após ressecção transuretral do tumor de bexiga (TURBT) é significativamente menor em pacientes submetidos à terapia com inibidores da 5-alfa redutase (5-ARIs) ou terapia de privação androgênica (ADT) 5
- A terapia com 5-ARIs pode representar uma estratégia potencial para reduzir a taxa de recorrência do câncer de bexiga, principalmente em pacientes com doença de baixo estágio 5
Considerações para Monitoramento
- Para pacientes em terapia com testosterona, o American College of Physicians recomenda exames de base e monitoramento regular do exame digital retal, níveis de PSA (para pacientes do sexo masculino >40 anos), hemograma completo para monitorar eritrocitose e testes de função hepática 6
- Avaliações de acompanhamento devem ser realizadas a cada 3-6 meses durante o primeiro ano e anualmente depois disso em pacientes em terapia com testosterona 6
Pontos de Atenção e Controvérsias
- Apesar de décadas de pesquisa, não há evidências convincentes de que a testosterona tenha um papel causador no câncer de próstata, que é outro câncer urológico sensível a hormônios 7
- Estudos usando amostras de plasma congeladas não mostraram diferença nos níveis de testosterona entre homens que desenvolveram câncer de próstata 7 a 25 anos depois e aqueles que não desenvolveram 7
- Não há dados prospectivos clínicos para informar ou estimar o risco da terapia hormonal na progressão de um câncer sensível a hormônios, incluindo o câncer de bexiga 7
Recomendações Práticas
- Pacientes com câncer de bexiga que necessitam de reposição de testosterona devem ser informados sobre a evidência inadequada em relação à relação risco-benefício da terapia com testosterona em pacientes com câncer 6
- A decisão de usar terapia com testosterona envolve pesar os benefícios potenciais contra os riscos teóricos 6
- Monitoramento rigoroso é essencial, com avaliações regulares para detectar precocemente qualquer progressão da doença 6