Tratamento Psicofarmacológico das Perturbações Dissociativas
O tratamento psicofarmacológico das perturbações dissociativas tem evidência limitada, sendo a paroxetina e a naloxona os únicos agentes com estudos controlados que demonstram eficácia modesta no controle dos sintomas de despersonalização e sintomas dissociativos comórbidos com PTSD e Transtorno de Personalidade Borderline. 1
Abordagem Terapêutica
Considerações Gerais
- O tratamento das perturbações dissociativas deve ser parte de um plano terapêutico abrangente, com a psicoterapia como intervenção primária e a farmacoterapia como adjuvante para sintomas específicos 2, 3
- Estudos longitudinais demonstram que pacientes com transtornos dissociativos podem melhorar significativamente com tratamento especializado, com redução de estressores, revitimização sexual e hospitalizações psiquiátricas 3
Evidência Farmacológica
- A revisão sistemática mais recente identificou apenas 5 ensaios clínicos randomizados sobre farmacoterapia para transtornos dissociativos, com um total de 214 participantes 1
- A taxa de resposta ao tratamento farmacológico foi de 68,42% comparada a 39,49% no grupo controle, mas com alta heterogeneidade nos estudos 1
Opções Farmacológicas por Sintomas-Alvo
Para Sintomas de Despersonalização
- Paroxetina: Demonstrou eficácia modesta no controle de sintomas de despersonalização em estudos controlados 1
- Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS): Podem ser considerados como primeira linha para sintomas depressivos e ansiosos comórbidos 1, 2
Para Sintomas Dissociativos Associados ao TEPT
- Naloxona: Mostrou eficácia no controle de sintomas dissociativos comórbidos com TEPT 1
- Os antagonistas opioides podem ter papel no tratamento de sintomas dissociativos específicos 1, 4
Para Comorbidades Frequentes
- Para sintomas depressivos: ISRS como fluoxetina e sertralina são recomendados, seguindo as mesmas diretrizes de tratamento para pacientes sem transtornos dissociativos 5
- Para ansiedade: ISRS, agonistas α-2 (clonidina, guanfacina) e betabloqueadores podem ser considerados 5
- Para distúrbios do sono: Melatonina pode ser eficaz, enquanto benzodiazepínicos e anti-histamínicos devem ser usados com cautela devido ao risco de desinibição 5
Considerações Especiais
Limitações da Evidência
- A literatura sobre tratamento farmacológico específico para transtornos dissociativos é escassa e com limitações metodológicas significativas 1, 6
- Os estudos existentes têm amostras pequenas, designs não randomizados e alta heterogeneidade 1, 6
Abordagem Integrada
- O tratamento psicofarmacológico deve ser combinado com psicoterapia especializada e focada no trauma 3, 4
- A integração dos estados dissociados do self está associada a melhores resultados clínicos e redução da sintomatologia 6
Monitoramento
- É essencial monitorar cuidadosamente os efeitos colaterais da medicação, especialmente em pacientes com histórico de trauma 2
- Pacientes com transtornos dissociativos podem requerer tratamento de longo prazo para alcançar estabilização e funcionalidade 3
Armadilhas e Cuidados
- Evitar o uso de benzodiazepínicos como tratamento de primeira linha devido ao risco de desinibição comportamental e potencial de dependência 5
- Reconhecer que os sintomas dissociativos podem ser exacerbados durante o tratamento, especialmente quando memórias traumáticas são acessadas 4
- Não negligenciar comorbidades psiquiátricas que frequentemente acompanham os transtornos dissociativos e que podem requerer tratamento específico 2, 4