Relação entre Uso Crônico de Tadalafila e Enxaqueca
O uso crônico de tadalafila pode desencadear crises de enxaqueca em pacientes predispostos, sendo um efeito adverso reconhecido, embora não seja entre os mais comuns. 1, 2
Mecanismo de Ação e Relação com Enxaqueca
- A tadalafila é um inibidor seletivo da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) que atua aumentando o GMPc (guanosina monofosfato cíclico) 1
- O aumento de GMPc pode desencadear enxaqueca por mecanismos dependentes de GMPc, sem necessariamente causar dilatação inicial da artéria cerebral média 1
- Estudos demonstram que inibidores de PDE5 como sildenafil (da mesma classe da tadalafila) podem induzir crises de enxaqueca em pacientes suscetíveis 1
Evidência Clínica
- Em estudos de longo prazo sobre segurança e tolerabilidade da tadalafila, a cefaleia foi relatada como um dos efeitos adversos mais comuns, afetando 15,8% dos pacientes 2
- Pacientes com histórico de enxaqueca têm maior risco de desenvolver crises quando expostos a inibidores de PDE5 3, 1
- A administração contínua de tadalafila pode impor estresse constante na circulação cerebral, sugerindo cautela em pacientes com histórico de acidente vascular cerebral ou enxaqueca 4
Considerações para Manejo Clínico
Para pacientes com histórico de enxaqueca crônica que necessitam usar tadalafila:
Evitar o uso de tadalafila em pacientes com:
Tratamento da Enxaqueca em Usuários de Tadalafila
Para tratamento agudo das crises:
Para prevenção em pacientes que precisam continuar com tadalafila:
- Topiramato é considerado medicamento de primeira linha para profilaxia de enxaqueca crônica 5, 7, 6
- Beta-bloqueadores podem ser considerados para enxaqueca episódica, embora não haja evidências específicas para enxaqueca crônica 5, 7
- OnabotulinumtoxinA é eficaz para enxaqueca crônica em casos refratários 5
Cuidados e Advertências
- O uso excessivo de medicação para cefaleia aguda pode levar à transformação de enxaqueca episódica em crônica 5
- Limitar o uso de analgésicos simples a menos de 15 dias/mês e triptanos a menos de 10 dias/mês 5
- Reconhecer fatores de risco modificáveis para enxaqueca crônica, como obesidade, distúrbios do sono, comorbidades psiquiátricas e estresse 5
- Considerar encaminhamento para especialista em cefaleia se a enxaqueca se tornar crônica ou difícil de controlar 5, 6
Benefícios vs. Riscos
- Apesar do risco de enxaqueca, estudos recentes mostram que o uso de tadalafila está associado a benefícios significativos, incluindo redução de mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares e demência 8
- A decisão de continuar ou interromper o uso deve considerar o equilíbrio entre estes benefícios e o impacto das crises de enxaqueca na qualidade de vida do paciente 8