Como Identificar uma Emergência Hipertensiva
Uma emergência hipertensiva é definida por pressão arterial severamente elevada (>180/120 mmHg) ASSOCIADA a evidência de lesão aguda de órgão-alvo nova ou em progressão. 1, 2, 3
Critério Diagnóstico Essencial
A presença de lesão de órgão-alvo é o fator crítico que diferencia uma emergência hipertensiva de outras formas de hipertensão grave. 3 O nível absoluto de pressão arterial pode não ser tão importante quanto a taxa de elevação - pacientes com hipertensão crônica frequentemente toleram níveis mais elevados do que indivíduos previamente normotensos. 1
Manifestações de Lesão de Órgão-Alvo
Procure evidências de dano agudo nos seguintes sistemas:
Sistema Cardiovascular
- Edema pulmonar cardiogênico agudo 2, 3
- Infarto agudo do miocárdio ou angina instável 1, 2
- Insuficiência cardíaca aguda 2, 3
Sistema Neurológico
- Encefalopatia hipertensiva (alteração do estado mental, cefaleia, distúrbios visuais) 2, 3
- Acidente vascular cerebral (isquêmico ou hemorrágico) 1, 2
- Hemorragia intracraniana 3
Sistema Renal
- Insuficiência renal aguda 1, 2
- Microangiopatia trombótica (TMA) 2, 3
- Hipertensão maligna com ou sem TMA 2
Sistema Vascular
Sistema Oftalmológico
- Retinopatia hipertensiva avançada (Grau III-IV) com hemorragias em chama bilateral, exsudatos algodonosos e papiledema 2, 3
Complicações Obstétricas
Avaliação Sistemática Recomendada
A Sociedade Europeia de Cardiologia recomenda uma abordagem sistemática incluindo: 2
- Avaliação cardíaca: ECG, troponinas (se dor torácica), ecocardiograma se indicado 2, 3
- Exame oftalmológico: fundoscopia para avaliar retinopatia 2, 3
- Avaliação neurológica: exame neurológico completo, TC/RM cerebral se sintomas neurológicos 2, 3
- Avaliação renal: creatinina, ureia, eletrólitos, urinálise com sedimento, proteinúria 2, 3
- Avaliação vascular: exame de pulsos, considerar angioTC se suspeita de dissecção 2, 3
Testes Laboratoriais Essenciais
Um painel laboratorial abrangente deve incluir: 3
- Hemograma completo (hemoglobina, plaquetas) para avaliar anemia hemolítica microangiopática 3
- Painel metabólico básico (creatinina, sódio, potássio) 3
- Lactato desidrogenase (LDH) e haptoglobina para detectar hemólise 3
- Urinálise para proteína e exame de sedimento urinário 3
- Troponinas em pacientes com dor torácica 3
Armadilhas Comuns a Evitar
Não confunda com urgência hipertensiva: Urgência hipertensiva é elevação grave da pressão arterial (>180/120 mmHg) SEM evidência de lesão aguda de órgão-alvo e pode ser tratada com medicamentos orais. 2, 4 Por exemplo, pacientes com hipertensão grave e apenas epistaxe devem ser classificados como urgência hipertensiva, não emergência. 2
Não atrase a avaliação laboratorial: A avaliação imediata é crucial para o manejo apropriado. 3
Não ignore causas secundárias: Causas secundárias são encontradas em 20-40% dos pacientes com hipertensão maligna, incluindo uso de simpaticomiméticos, cocaína, AINEs, esteroides, imunossupressores e terapia antiangiogênica. 3
Prognóstico Sem Tratamento
Sem tratamento, emergências hipertensivas apresentam taxa de mortalidade em 1 ano >79% e sobrevida mediana de apenas 10,4 meses. 1, 3 Esta estatística enfatiza a importância crítica do reconhecimento e tratamento imediatos.
Ação Imediata Requerida
Se emergência hipertensiva confirmada, admissão em unidade de terapia intensiva é recomendada (Classe I, Nível B-NR) para monitorização contínua da pressão arterial e administração parenteral de agentes anti-hipertensivos apropriados. 1, 3