Venlafaxina apresenta maior risco de elevação de enzimas hepáticas comparada ao aripiprazol
A venlafaxina está mais frequentemente associada à elevação de enzimas hepáticas do que o aripiprazol, com múltiplos relatos de hepatotoxicidade grave, incluindo hepatite colestática e insuficiência hepática fulminante, mesmo em doses baixas.
Evidência de Hepatotoxicidade da Venlafaxina
Casos Documentados de Lesão Hepática Grave
A venlafaxina pode causar hepatite colestática com elevações significativas de transaminases (AST até 1033 U/L; ALT até 2063 U/L), fosfatase alcalina (274 U/L), e bilirrubina sérica (4,6 mg/dL), mesmo após uso prolongado em doses baixas 1
Casos de insuficiência hepática fulminante foram documentados após 4 meses de terapia com venlafaxina, necessitando transplante hepático 2
Hepatotoxicidade pode ocorrer mesmo com doses baixas (75 mg/dia), com elevações de ALT até 372 U/L, AST até 99 U/L, GGT até 962 U/L, e fosfatase alcalina até 758 U/L 3
Padrão de Lesão Hepática
A lesão hepática induzida por venlafaxina apresenta padrão hepatocelular (valor R de 31,18 segundo RUCAM) com score de causalidade de 8 (provável) 4
O rechallenge com venlafaxina resulta em recorrência da hepatotoxicidade, confirmando a relação causal 3
As diretrizes da American College of Physicians identificam a venlafaxina como associada a risco aumentado de eventos cardiovasculares e hepatotoxicidade, embora a evidência seja considerada fraca 5
Evidência de Hepatotoxicidade do Aripiprazol
Incidência Significativamente Menor
Em estudo de revisão de prontuários com 110 pacientes usando antipsicóticos atípicos (olanzapina, risperidona, quetiapina), apenas 1,8% apresentaram elevações significativas de enzimas hepáticas (AST até 4 vezes e ALT até 3 vezes o valor basal) 6
Elevações assintomáticas de enzimas hepáticas ocorreram em 27,2% no primeiro mês e 22,7% após 6 meses, mas elevações clinicamente significativas foram raras 6
Não há relatos específicos de hepatotoxicidade grave ou insuficiência hepática fulminante associados ao aripiprazol na literatura revisada
Comparação Direta de Risco
Venlafaxina: Alto Risco Hepatotóxico
A venlafaxina está listada entre os medicamentos mais comumente implicados em doença hepática induzida por drogas, juntamente com carbamazepina, metildopa, minociclina, antibióticos macrolídeos, nitrofurantoína, estatinas, sulfonamidas e terbinafina 5
A hepatotoxicidade da venlafaxina é caracterizada como rara mas idiossincrática, podendo ocorrer independentemente da dose 3
Aripiprazol: Baixo Risco Hepatotóxico
Os antipsicóticos atípicos causam comumente elevações assintomáticas de enzimas hepáticas, mas raramente induzem hepatotoxicidade grave 6
O aripiprazol não está listado entre os medicamentos com maior risco de hepatotoxicidade nas diretrizes revisadas
Recomendações de Monitoramento
Para Venlafaxina
Obter testes de função hepática basais antes de iniciar a terapia 2, 4
Monitorar regularmente a função hepática, especialmente nos primeiros meses de tratamento 3, 4
Descontinuar imediatamente a venlafaxina se houver elevações significativas de enzimas hepáticas ou sintomas de hepatotoxicidade 2, 3, 1
Para Aripiprazol
Obter testes de função hepática basais antes da terapia com antipsicóticos atípicos 6
Monitorar regularmente, especialmente em pacientes com fatores de risco para dano hepático 6
Armadilhas Clínicas Importantes
A hepatotoxicidade da venlafaxina pode ocorrer após uso prolongado sem problemas, especialmente após aumento de dose 1
Sintomas iniciais podem ser inespecíficos (dor abdominal), exigindo alto índice de suspeição 3
O rechallenge com venlafaxina após resolução da hepatotoxicidade resulta em recorrência rápida da lesão hepática e deve ser evitado 3
A intervenção precoce com descontinuação do medicamento e tratamento hepatoprotetor é essencial para recuperação completa da função hepática 4