Áreas Interessantes de Pesquisa em Doenças da Tireoide
Relação entre Doenças da Tireoide e Transtornos de Ansiedade
A comorbidade entre transtornos de ansiedade e disfunção tireoidiana representa uma área crítica de investigação, com evidências mostrando que quase todos os estudos encontraram associação significativa entre essas condições. 1
Disfunção Sutil do Eixo HPT em Ansiedade
- Metade dos estudos demonstram disfunção tireoidiana sutil em pacientes com transtornos de ansiedade, evidenciada por respostas embotadas do TSH à administração de TRH e relação inversa entre níveis de ansiedade autorrelatada e TSH 1
- Os sintomas de ansiedade (nervosismo, palpitações, sudorese aumentada) são altamente prevalentes no hipertireoidismo, mas a extensão da disfunção tireoidiana em pacientes com transtornos de ansiedade permanece menos clara 1
- Pacientes com hipertireoidismo manifesto frequentemente relatam ansiedade, fadiga, concentração prejudicada e sono perturbado, sintomas que constituem características centrais do transtorno de ansiedade generalizada 1
Lacunas de Pesquisa Identificadas
- Vários estudos falharam em ajustar suas análises para tabagismo, índice de massa corporal (IMC) e depressão, representando viés metodológico importante 1
- A necessidade de pesquisa experimental e epidemiológica longitudinal de alta qualidade é enfatizada pelos resultados da avaliação de risco de viés 1
- Faltam estudos comunitários ou de atenção primária, com a maioria dos dados provenientes de estudos de cuidados secundários e terciários que provavelmente sofrem de viés de seleção 1
Autoimunidade Tireoidiana e Mecanismos Patogênicos
O receptor de TSH (TSHR) é tanto o culpado quanto a vítima na doença de Graves devido à sua estrutura única, representando área fundamental para desenvolvimento de terapias antígeno-específicas. 2
Papel dos Autoantígenos Tireoidianos
- Ao contrário dos receptores de gonadotrofinas relacionados, o TSHR cliva-se em subunidades, e há forte evidência de que sua subunidade A extracelular liberada, não o holorreceptor, é o principal antígeno que impulsiona o desenvolvimento de autoanticorpos estimuladores da tireoide (TSAb) patogênicos 2
- Autoanticorpos de superfície de células B são receptores de antígeno altamente eficientes, e o epítopo ao qual um autoanticorpo se liga influencia o processamento do antígeno e qual peptídeo é apresentado às células T 2
- A co-ocorrência de tireoidite de Hashimoto e doença de Graves dentro de uma família (33% das famílias com múltiplos casos) sugere base genética comum para essas doenças 3
Novas Abordagens Terapêuticas
- Inibidores de pequenas moléculas do TSHR estão sendo desenvolvidos, mas a cura exigirá imunoterapia 2
- Agonistas de pequenas moléculas ligantes (SML) que ativam receptores, antagonistas neutros SML que inibem a ativação do receptor por agonistas, e agonistas inversos SML foram identificados 4
- O antagonismo SML de anticorpos estimuladores do receptor de TSH poderia tratar o hipertireoidismo de Graves e a oftalmopatia de Graves 4
Doença Tireoidiana Relacionada ao IgG4
A doença tireoidiana relacionada ao IgG4 representa categoria emergente que inclui tireoidite de Riedel, variante fibrosante da tireoidite de Hashimoto, tireoidite de Hashimoto relacionada ao IgG4 e doença de Graves com níveis elevados de IgG4. 4
- Esta área requer maior investigação para compreender as implicações clínicas e abordagens de tratamento específicas 4
Impacto de Agentes Imunomoduladores na Função Tireoidiana
Agentes imunomoduladores (ipilimumab, pembrolizumab, nivolumab) ativam a resposta imune inibindo receptores de superfície de células T que regulam negativamente a resposta imune, levando à disfunção tireoidiana. 4
Disfunção Tireoidiana Induzida por Imunoterapia
- A disfunção tireoidiana ocorre em 5-10% dos pacientes com terapia anti-PD-1/PD-L1 e 20% com imunoterapia combinada 5
- Alemtuzumab é um anticorpo monoclonal humanizado para CD52 que causa depleção imune e doença autoimune da tireoide, especialmente hipertireoidismo de Graves 4
- Esta área requer protocolos de monitoramento e manejo padronizados para pacientes em imunoterapia 5, 4
Influência do Iodo na Epidemiologia da Doença Tireoidiana
Estudos epidemiológicos recentes da China e Dinamarca indicam que o excesso de iodo aumenta a incidência de tireoidite de Hashimoto e hipotireoidismo. 4
Paradoxo do Iodo
- A suplementação de iodo foi implementada em escalas nacionais através da iodização universal do sal com grande sucesso na prevenção de doenças tireoidianas graves, mas pode causar distúrbios tireoidianos quando administrado em excesso 6
- O iodo ambiental influencia a epidemiologia da doença tireoidiana não maligna 7
- A causa mais comum de distúrbios tireoidianos em todo o mundo é a deficiência de iodo, levando à formação de bócio e hipotireoidismo 7
- Em áreas com iodo adequado, a maioria das pessoas com distúrbios tireoidianos tem doença autoimune 7
Hipotireoidismo Subclínico: Controvérsias no Tratamento
O tratamento do hipotireoidismo subclínico pode produzir hipertireoidismo subclínico iatrogênico com risco de fibrilação atrial e osteoporose, e o risco aumentado de dano pode ser mais forte do que o benefício potencial do tratamento. 4
Necessidades de Pesquisa
- Ensaios randomizados, cegos e controlados de longo prazo de triagem para disfunção tireoidiana forneceriam a evidência mais direta sobre quaisquer benefícios potenciais desta prática generalizada 1
- Desfechos clínicos importantes incluem morbidade e mortalidade relacionadas a doenças cardiovasculares e câncer, bem como quedas, fraturas, estado funcional e qualidade de vida 1
- Antes de conduzir ensaios de triagem, pode ser mais viável para os pesquisadores conduzir ensaios de tratamento bem desenhados de disfunção tireoidiana subclínica ou assintomática "manifesta" versus vigilância expectante 1
Abordagens Dietéticas e Alternativas
Muitas das abordagens mais populares não têm benefício comprovado ou não foram bem estudadas, sendo responsabilidade dos médicos educar os pacientes sobre a evidência a favor ou contra o benefício. 6
Suplementação de Oligoelementos
- A suplementação de selênio e zinco foi considerada benéfica em populações específicas com generalização limitada 6
- Outros minerais, como vitamina B12, naltrexona em baixa dose e extrato de raiz de ashwagandha, têm pouca ou nenhuma evidência de qualquer impacto nos distúrbios tireoidianos 6
Dietas de Eliminação
- A evitação de glúten e laticínios tem impactos positivos apenas em pacientes com sensibilidades concomitantes a essas substâncias, provavelmente melhorando a absorção de levotiroxina 6
- A evitação de vegetais crucíferos e soja tem pouco benefício comprovado em pacientes com distúrbios tireoidianos 6
Fatores de Risco Ambientais e Hormonais
O uso de estrogênio está associado a menor risco, e a gravidez a maior risco de desenvolver hipertireoidismo, representando área importante para investigação de mecanismos hormonais. 3
Correlações Identificadas
- O uso de estrogênio foi associado a menor taxa de hipertireoidismo (RR 0,169; IC 95% 0,06-0,52) 3
- Ter estado grávida foi associado a maior risco relativo de hipertireoidismo (RR 6,88; IC 95% 1,50-30,96) 3
- Tabagismo e uso de estrogênio foram negativamente correlacionados com a presença de anticorpos TPO 3
- A correlação positiva entre títulos de anticorpos TPO e níveis de TSH em indivíduos eutireoidianos (r = 0,386; P < 0,001) sugere que os anticorpos TPO são marcador de falência tireoidiana futura 3