Quedas na ELA: Direção e Características
As quedas em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) ocorrem predominantemente para frente, embora quedas para trás também sejam comuns, especialmente em fases mais avançadas da doença quando há maior comprometimento postural e fraqueza muscular generalizada.
Padrão de Quedas na ELA
Direção Predominante
Quedas para frente são mais frequentes devido à fraqueza progressiva dos músculos extensores do tornozelo e dos membros inferiores, que compromete a capacidade de recuperação durante tropeços e escorregões 1, 2.
A degeneração dos neurônios motores superiores e inferiores ao longo dos tratos corticoespinais resulta em fraqueza muscular progressiva e atrofia, afetando primariamente a capacidade de dar passos protetores para evitar quedas 1, 3.
Fatores de Risco Específicos
Múltiplos déficits contribuem para o risco aumentado de quedas: fraqueza de membros inferiores, comprometimento do equilíbrio, déficits cognitivos, e perda sensorial 4.
Pacientes com início bulbar (aproximadamente 80% apresentam disartria e disfagia) têm expectativa de vida mais curta e podem desenvolver instabilidade postural mais rapidamente 1, 2.
A progressão da doença através de diferentes regiões corporais aumenta o risco de quedas, com a falência dos músculos respiratórios tipicamente limitando a sobrevida a 2-5 anos após o início dos sintomas 1, 5.
Mecanismos e Características das Quedas
Tentativas de Recuperação
A capacidade de dar passos protetores está frequentemente comprometida na ELA devido à fraqueza muscular progressiva, tornando as quedas para frente particularmente perigosas quando o paciente não consegue estender as mãos ou dar um passo de proteção 4.
Em populações geriátricas com quedas (que compartilham alguns mecanismos com ELA), quedas para frente estão associadas a tentativas de passos protetores em 82% dos casos, enquanto quedas para trás em apenas 37% 6.
Locais de Impacto
Quedas para frente aumentam o risco de impacto em mãos/punhos (OR=2.6), enquanto quedas para trás aumentam significativamente o risco de impacto no quadril/pelve (OR=12.6) 6.
A osteoporose, que pode coexistir em pacientes com ELA devido à imobilidade progressiva, aumenta o risco de fraturas espinhais devastadoras e consequências neurológicas em caso de quedas 4.
Avaliação e Manejo Clínico
Rastreamento Obrigatório
Todos os pacientes com ELA devem ser rastreados para risco de quedas por um clínico experiente na admissão, em todos os pontos de transição, e sempre que houver mudança no estado de saúde 4.
O rastreamento deve incluir identificação de fatores médicos, funcionais, cognitivos e ambientais associados ao risco de quedas, incluindo osteoporose e níveis baixos de vitamina D 4.
Avaliação Abrangente
Pacientes identificados como em risco devem passar por avaliação interprofissional abrangente incluindo história médica e funcional, avaliação de mobilidade, visão, percepção, cognição e estado cardiovascular 4.
A avaliação deve considerar a presença de fusão espinhal extensa, instabilidade postural, ou doenças neurológicas ou musculoesqueléticas concomitantes que afetem o equilíbrio 4.
Intervenções Preventivas Específicas
Educação e Treinamento
Paciente, família e cuidadores devem receber treinamento específico sobre o risco aumentado de quedas e lista de precauções para reduzir esse risco 4.
O treinamento deve incluir habilidades para transferir e mobilizar o paciente com segurança, o que fazer se uma queda ocorrer, e como levantar-se após uma queda 4.
Modificações Ambientais
Estratégias práticas incluem: evitar tapetes soltos ou desordem no chão, evitar superfícies escorregadias, fornecer iluminação adequada, usar calçados que se ajustem bem com solas antiderrapantes, e desacelerar movimentos durante transferências 4.
A maioria das quedas em pacientes neurológicos ocorre dentro de casa, tornando as modificações domiciliares particularmente importantes 4.
Considerações Prognósticas
Impacto Nutricional
A perda de peso está associada a maior risco de quedas e mortalidade na ELA, com perda de mais de 5% do peso usual aumentando o risco de morte em 2 vezes 4.
Avaliação nutricional regular (IMC, perda de peso) a cada 3 meses é recomendada para detectar desnutrição precoce 2.