AERD Não Causa Dor Neuropática Diretamente
A Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina (AERD) não é reconhecida como causa de dor neuropática nas diretrizes atuais. AERD é uma síndrome inflamatória crônica caracterizada por asma, rinossinusite crônica com polipose nasal e hipersensibilidade respiratória aos AINEs inibidores da COX-1 1, 2, 3.
Manifestações Clínicas da AERD
As manifestações típicas da AERD incluem 1, 2, 4:
- Sintomas nasossinusais: congestão nasal com anosmia, pansinusite crônica e pólipos nasais que recrescem rapidamente após cirurgia
- Sintomas respiratórios inferiores: asma frequentemente grave e não controlada
- Reações agudas: sintomas respiratórios superiores e inferiores súbitos após ingestão de aspirina ou AINEs
A AERD afeta 5-15% dos pacientes com asma e é ainda mais comum naqueles com polipose nasal comórbida 2.
Por Que Dor Neuropática Não É Característica
A dor neuropática resulta de lesão ou doença do sistema somatossensorial, incluindo fibras periféricas e neurônios centrais 5. As causas estabelecidas de dor neuropática incluem 1:
- Infecção viral direta do sistema nervoso
- Neuropatia diabética
- Neuralgia pós-herpética
- Deficiências nutricionais
- Doenças autoimunes
- Efeitos colaterais de medicamentos
A AERD é fundamentalmente uma doença inflamatória tipo 2 das vias aéreas, não uma condição neurológica 3. A fisiopatologia envolve anormalidades nos mediadores da biossíntese do ácido araquidônico e respostas IgE locais a enterotoxinas estafilocócicas 4.
Sintomas de Dor na AERD
Embora a AERD não cause dor neuropática, os pacientes podem experimentar 1, 2:
- Dor facial/pressão sinusal: relacionada à rinossinusite crônica e polipose nasal
- Cefaleia: secundária à inflamação sinusal
- Dor torácica: relacionada à asma grave
Estes são sintomas de dor nociceptiva (inflamatória), não neuropática 1.
Armadilha Clínica Importante
Não confunda a dor facial crônica da rinossinusite com dor neuropática. A dor na AERD é causada por inflamação tecidual e obstrução sinusal, não por lesão nervosa 1, 2. O tratamento apropriado envolve corticosteroides intranasais, cirurgia endoscópica funcional dos seios, dessensibilização à aspirina, modificadores de leucotrienos e, na era atual, terapias biológicas direcionadas (dupilumabe, mepolizumabe, benralizumabe, omalizumabe) 1, 3.