Evidências do Lorazepam para Manejo de Agitação e Insônia em CTI
Sedativos não-benzodiazepínicos (propofol ou dexmedetomidina) devem ser preferidos ao lorazepam para sedação de pacientes ventilados mecanicamente em CTI, pois reduzem o tempo de internação, duração da ventilação mecânica e incidência de delirium. 1
Recomendação Baseada em Diretrizes
As diretrizes da Society of Critical Care Medicine (2013) recomendam explicitamente que estratégias de sedação usando agentes não-benzodiazepínicos sejam preferidas sobre benzodiazepínicos (midazolam ou lorazepam) para melhorar desfechos clínicos em pacientes adultos ventilados mecanicamente em CTI (recomendação +2B). 1
Evidências de Desfechos Clínicos
Meta-análise de seis estudos de qualidade moderada a alta demonstrou que sedação com benzodiazepínicos (incluindo lorazepam) aumenta o tempo de internação em CTI em aproximadamente 0,5 dias comparado à sedação não-benzodiazepínica (p = 0,04). 1
Dados limitados sugerem que a ventilação mecânica é prolongada com sedação baseada em benzodiazepínicos. 1
Dexmedetomidina comparada ao lorazepam resultou em mais dias vivos sem delirium ou coma (mediana: 7,0 vs 3,0 dias; P = 0,01) e menor prevalência de coma (63% vs 92%; P < 0,001). 2
Pacientes sedados com dexmedetomidina passaram mais tempo dentro da meta de sedação comparado ao lorazepam (mediana: 80% vs 67%; P = 0,04). 2
Farmacologia Clínica do Lorazepam em CTI
Propriedades e Efeitos
Lorazepam possui efeitos ansiolíticos, amnésticos, sedativos, hipnóticos e anticonvulsivantes, mas sem atividade analgésica. 1
É mais potente que midazolam, porém menos lipossolúvel, resultando em início de ação mais lento e menor volume de distribuição. 1
Riscos e Complicações Específicas
Toxicidade por Propilenoglicol:
Formulações parenterais de lorazepam contêm propilenoglicol como diluente, que pode causar toxicidade manifestada como acidose metabólica e lesão renal aguda. 1
Doses diárias totais IV tão baixas quanto 1 mg/kg podem causar toxicidade por propilenoglicol, não apenas doses muito altas em infusão contínua (15-25 mg/hr). 1
Gap osmolar > 10-12 mOsm/L pode identificar pacientes recebendo lorazepam com acúmulo significativo de propilenoglicol. 1
Metabolismo e Clearance
Metabolizado pelo fígado; clearance reduzido em disfunção hepática, idosos e com medicações que inibem citocromo P450 ou conjugação glicuronídica. 1
Meia-vida de eliminação e duração do efeito clínico aumentadas em insuficiência renal. 1
Emergência retardada da sedação pode resultar de administração prolongada, idade avançada, disfunção hepática ou insuficiência renal. 1
Efeitos Adversos Cardiopulmonares
Pode causar depressão respiratória e hipotensão sistêmica, especialmente quando administrado com outros depressores cardiopulmonares, particularmente opioides. 1
Instabilidade cardiopulmonar é mais provável em pacientes críticos com insuficiência respiratória basal e/ou instabilidade cardiovascular. 1
Pacientes idosos são significativamente mais sensíveis aos efeitos sedativos dos benzodiazepínicos. 1
Associação com Delirium
Uso de benzodiazepínicos é fator de risco independente e forte para desenvolvimento de delirium em CTI. 3
Dexmedetomidina reduz a duração do delirium em aproximadamente 20% comparada aos benzodiazepínicos (midazolam ou lorazepam). 3
Evidências Limitadas para Insônia
Estudo de 1975 demonstrou que 1-1,25 mg de lorazepam é equivalente a 100 mg de pentobarbital sódico para qualidade e duração do sono, porém menos efetivo como indutor do sono nesta dose. 4
Avaliação de algoritmo de sedação usando lorazepam e metotrimeprazina em CTI não demonstrou diferença na obtenção da sedação alvo ou duração do sono, sugerindo que implementação isolada de algoritmo medicamentoso não é efetiva. 5
Correlações moderadas existem entre escores clínicos de sedação e doses ou concentrações plasmáticas de lorazepam (rho = -0,49, P < 0,001 para concentrações; rho = -0,28, P = 0,001 para doses). 6
Armadilhas Clínicas Importantes
Monitoramento obrigatório:
- Calcular gap osmolar em pacientes recebendo lorazepam IV, especialmente se doses totais diárias ≥ 1 mg/kg. 1
- Vigilância para acidose metabólica inexplicada e lesão renal aguda. 1
Populações de risco:
- Ajustar doses em idosos, insuficiência hepática e renal. 1
- Evitar uso prolongado devido ao risco de acúmulo e emergência retardada. 1
Alternativas preferíveis: