Prednisona e Fechamento de Cartilagem em Crianças
A prednisona compromete o crescimento linear e o fechamento adequado das placas de crescimento em crianças devido aos seus efeitos deletérios dose-dependentes sobre a cartilagem epifisária e o metabolismo ósseo, enquanto a dexametasona, embora também tenha efeitos negativos, demonstra menor impacto sobre o crescimento estatural em estudos comparativos diretos.
Mecanismos de Toxicidade da Prednisona sobre a Cartilagem
A prednisona exerce efeitos tóxicos sobre a cartilagem de crescimento através de múltiplos mecanismos:
Doses mais altas de prednisona (>10 mg/dia) estão associadas a deterioração significativa da densidade mineral óssea em crianças transplantadas renais, com diferenças estatisticamente significativas após 1 ano de tratamento 1
O retardo de crescimento foi suficientemente grave em ensaios clínicos com crianças para justificar a descontinuação precoce do tratamento com corticosteroides orais 2
Corticosteroides sistêmicos, especialmente prednisona, demonstram efeitos dose-dependentes deletérios sobre a morfologia, histologia e viabilidade da cartilagem tanto em modelos in vitro quanto in vivo 3
Comparação Direta: Prednisona versus Dexametasona
A evidência mais relevante vem de estudos pediátricos comparando diretamente estes dois glicocorticoides:
Em crianças transplantadas renais, a mudança de prednisona para deflazacort (um corticosteroide de terceira geração) não mostrou diferenças estatisticamente significativas na densidade mineral óssea ao longo de 1 ano, embora ambos os grupos apresentassem declínio 1
Evidência de qualidade muito baixa sugere maior risco de dexametasona versus prednisona em relação a escores Z de densidade mineral óssea mais baixos como um continuum 1
Em crianças pré-púberes com doenças reumáticas tratadas cronicamente, deflazacort demonstrou menores efeitos adversos sobre o metabolismo esquelético e inibição do crescimento linear em comparação com prednisona 4
Por Que a Diferença Existe
A distinção entre prednisona e dexametasona relaciona-se a:
Potência e Duração de Ação
A dexametasona é um glicocorticoide sintético de longa ação com potência anti-inflamatória aproximadamente 25-30 vezes maior que a prednisona, permitindo doses equivalentes menores 1
Doses mais baixas de dexametasona podem alcançar o mesmo efeito terapêutico com menor exposição cumulativa ao corticosteroide 1
Efeitos Específicos sobre Cartilagem
Estudos em modelos animais demonstram que a exposição pré-natal à dexametasona induz toxicidade no desenvolvimento da cartilagem articular de maneira dependente da dose, curso e estágio, com efeitos tóxicos observados em doses de 0,8 e 1,2 mg/kg/dia, mas não em 0,2 mg/kg/dia 5
A dexametasona em doses altas e repetidas demonstrou proteção da cartilagem contra danos em modelos de osteoartrite pós-traumática, suprimindo significativamente o dano cartilaginoso 6
Implicações Clínicas Práticas
Quando Evitar Prednisona em Crianças
Uso sistêmico de corticosteroides (mesmo de curto prazo) deve ser usado com cautela particular em pacientes com atraso no crescimento linear, osteoporose ou transtornos de saúde mental 1
Crianças em tratamento prolongado com corticosteroides devem ser monitoradas quanto à doença óssea por densitometria mineral óssea basal e anual da coluna lombar e quadril 1
Considerações sobre Supressão Adrenal
Cursos de corticosteroides com duração inferior a 1 semana não requerem redução gradual, pois não há evidência de supressão clinicamente significativa do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal 2
Cursos superiores a 10 dias requerem redução gradual para prevenir insuficiência adrenal 2
Armadilhas Comuns
A principal armadilha é assumir que todos os corticosteroides têm impacto equivalente sobre o crescimento:
Embora a dexametasona também possa afetar o crescimento, estudos comparativos diretos em crianças demonstram perfil mais favorável em relação ao crescimento estatural quando comparada à prednisona em doses equipotentes 4
A escolha entre prednisona e dexametasona deve considerar não apenas a eficácia anti-inflamatória, mas também o impacto cumulativo sobre o crescimento linear em crianças com potencial de crescimento remanescente 1
Não existe um limiar de dose claramente definido para risco aumentado de baixa densidade mineral óssea com prednisona, mas doses mais altas e duração prolongada estão consistentemente associadas a maior risco 1