Sim, a fibrilação atrial pode ser diagnosticada com ECG convencional de 12 derivações
A confirmação por eletrocardiograma (12 derivações, múltiplas ou única derivação) é recomendada para estabelecer o diagnóstico de fibrilação atrial clínica e iniciar a estratificação de risco e tratamento (Classe I, Nível A). 1
Características Diagnósticas no ECG de 12 Derivações
O ECG de 12 derivações é o método padrão-ouro para diagnóstico de fibrilação atrial e apresenta características específicas:
- Intervalos RR absolutamente irregulares sem padrão repetitivo 2
- Ausência de ondas P distintas no traçado 2
- Ciclo atrial variável tipicamente <200 ms quando visível 2
Duração Necessária para Diagnóstico
A duração mínima do registro eletrocardiográfico varia conforme o método:
- ECG de 12 derivações padrão: registra 10 segundos, o que é suficiente para diagnóstico quando a FA está presente 1
- Dispositivos de derivação única ou múltipla: recomenda-se pelo menos 30 segundos de registro para estabelecer o diagnóstico, embora esta seja uma opinião de consenso com evidência limitada 1, 2
- Qualquer arritmia com características de FA que dure pelo menos 30 segundos deve ser considerada fibrilação atrial 1, 2
Indicações Específicas do ECG de 12 Derivações
O ECG de 12 derivações é indicado em todos os pacientes com FA para:
- Confirmar o ritmo cardíaco e estabelecer o diagnóstico definitivo 1
- Determinar a frequência ventricular durante o episódio 1
- Identificar sinais de doença cardíaca estrutural, defeitos de condução ou isquemia 1
- Iniciar estratificação de risco e decisões terapêuticas 1
Limitações e Considerações Práticas
Fibrilação Atrial Paroxística
O ECG de 12 derivações tem limitações importantes na FA paroxística:
- Episódios autolimitados podem não estar presentes no momento do registro 2
- Monitorização prolongada é frequentemente necessária devido à natureza autolimitada dos episódios 2
- A intensidade da monitorização deve ser determinada pelos sintomas do paciente 2
Acurácia da Interpretação
A interpretação correta do ECG é crucial:
- Software automatizado tem sensibilidade de 89% e especificidade de 99% para diagnóstico de FA 3
- Profissionais de saúde têm sensibilidade similar (92%) mas especificidade menor (93%) comparado ao software 3
- O diagnóstico definitivo deve ser feito por alguém com expertise apropriada, pois o software computadorizado isoladamente não é suficientemente sensível 4, 3
- Médicos generalistas têm maior especificidade (96%) que enfermeiros (85%) na interpretação de ECG para FA 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não confiar apenas em dispositivos não-ECG: Dispositivos que usam fotopletismografia (como alguns wearables) não são aceitos para diagnóstico formal de FA 1
- FA assintomática é comum: Mesmo pacientes sintomáticos podem ter episódios assintomáticos, o que tem implicações importantes para continuação de terapias preventivas 2
- Não assumir ausência de FA com ECG único: Um único ECG normal não exclui FA paroxística; monitorização mais prolongada pode ser necessária em pacientes com alta suspeita clínica 2, 4
Contexto Clínico
Em muitos pacientes, o diagnóstico é direto quando há sintomas típicos associados a características eletrocardiográficas no ECG de 12 derivações padrão 1. O diagnóstico torna-se mais desafiador no contexto de episódios assintomáticos ou FA detectada em dispositivos de monitorização de longo prazo 1.