Manejo da Anafilaxia Durante Infusão de Imunoglobulina
Interrompa imediatamente a infusão de imunoglobulina e administre epinefrina 0,2-0,5 mg intramuscular na coxa lateral, repetindo a cada 5-15 minutos se necessário, enquanto mantém o acesso venoso e inicia ressuscitação volêmica agressiva. 1
Conduta Imediata na Anafilaxia
Passos iniciais críticos:
- Pare a infusão imediatamente e mantenha o acesso intravenoso 1
- Avalie ABC (via aérea, respiração e circulação) e nível de consciência 1
- Posicione o paciente adequadamente: Trendelenburg se hipotensão, sentado se desconforto respiratório, posição de recuperação se inconsciente 1
- Administre oxigênio conforme necessário 1
- Chame assistência médica imediatamente 1
Tratamento Farmacológico da Anafilaxia
Epinefrina (tratamento de primeira linha):
- Dose: 0,01 mg/kg (diluição 1 mg/mL, máximo 0,5 mL total) intramuscular na coxa lateral 1
- Repetir a cada 5-15 minutos se não houver resposta 1
- A falha de resposta rápida deve ser seguida por epinefrina intravenosa 1
Ressuscitação volêmica:
- Infusão rápida de 1-2 litros de solução salina normal a uma taxa de 5-10 mL/kg nos primeiros 5 minutos 1
- Cristaloides ou coloides em bolus de 20 mL/kg, seguidos por infusão lenta 1
Anti-histamínicos (terapia adjuvante):
- Difenidramina 50 mg IV combinada com ranitidina 50 mg IV (o uso combinado de antagonistas H1 e H2 é superior ao uso isolado) 1
Corticosteroides:
- Dose equivalente a 1-2 mg/kg de metilprednisolona IV a cada 6 horas 1
- São eficazes na prevenção de reações bifásicas, mas não são críticos no manejo agudo da anafilaxia 1
Manejo de Complicações Específicas
Para bradicardia:
- Atropina 600 mcg IV 1
Para pacientes em uso de betabloqueadores:
- Glucagon 1-5 mg IV em infusão durante 5 minutos, seguido por infusão contínua (5-15 mg/min) titulada conforme resposta clínica 1
Para hipotensão refratária à epinefrina e fluidos:
- Dopamina 400 mg em 500 mL de soro glicosado 5%, administrada a 2-20 mcg/kg/min 1
- Vasopressina 25 U em 250 mL de soro glicosado 5% ou salina normal (0,1 U/mL), dose de 0,01-0,04 U/min 1
- Norepinefrina também pode ser usada em anafilaxia não responsiva à epinefrina 1
Monitoramento Pós-Reação
- Monitore sinais vitais continuamente até resolução completa dos sintomas 1
- Observação por 24 horas é recomendada após reação grave devido ao risco de reações bifásicas 1
- As reações bifásicas podem ocorrer em até 20% dos casos 2
Prevenção de Futuras Reações
Contraindicações absolutas para nova tentativa:
- Não tente nova infusão em casos de anafilaxia verdadeira ou reações grau 3 ou superior do CTCAE 1
- A anafilaxia durante infusão de imunoglobulina é uma contraindicação para administração futura 1
Fatores de risco específicos:
- Deficiência seletiva de IgA: Pacientes podem ter anticorpos anti-IgA e desenvolver reações anafiláticas a produtos sanguíneos contendo IgA 1
- Histórico de reação grave prévia a preparações de imunoglobulina humana 1
Se nova tentativa for considerada em reações leves a moderadas:
- Após resolução completa dos sintomas, pode-se tentar com taxa de infusão reduzida e pré-medicação adicional (corticosteroides e anti-histamínicos) 1
- Reinicie a infusão a 50% da taxa original e titule conforme tolerância 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não atrase a epinefrina enquanto aguarda que anti-histamínicos ou corticosteroides façam efeito - isso aumenta a mortalidade e o risco de reação bifásica 2
- Não confunda reação vasovagal com anafilaxia: reação vasovagal apresenta bradicardia e palidez sem manifestações cutâneas, enquanto anafilaxia tipicamente causa taquicardia e urticária 2
- Reconheça sinais precoces: alguns pacientes sentem-se estranhos ou desconfortáveis, ou expressam necessidade de urinar ou defecar antes da reação - esses sintomas devem ser levados a sério 1