Segurança da Desvenlafaxina em Pacientes com IC-FEp
A desvenlafaxina deve ser usada com extrema cautela em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (IC-FEp), devido ao risco significativo de elevação da pressão arterial, que pode comprometer ainda mais a função cardiovascular nesta população vulnerável.
Preocupações Cardiovasculares Específicas
Elevação da Pressão Arterial
- A desvenlafaxina causa aumentos documentados da pressão arterial que requerem monitoramento regular, e casos de elevação pressórica necessitando tratamento imediato foram relatados 1
- A hipertensão pré-existente deve estar controlada antes de iniciar o tratamento, e cautela especial é necessária em pacientes com condições cardiovasculares ou cerebrovasculares que possam ser comprometidas por aumentos pressóricos 1
- Para pacientes que desenvolvem aumento sustentado da pressão arterial durante o uso de desvenlafaxina, deve-se considerar redução da dose ou descontinuação 1
Impacto no Manejo da IC-FEp
- O controle rigoroso da hipertensão é fundamental no manejo da IC-FEp, sendo uma das principais estratégias de tratamento de comorbidades recomendadas 2
- Mais de 90% dos pacientes que desenvolvem insuficiência cardíaca têm hipertensão como condição subjacente 3
- Qualquer medicação que eleve a pressão arterial pode potencialmente piorar o prognóstico e aumentar o risco de descompensação em pacientes com IC-FEp 1
Riscos Adicionais Relevantes
Risco Aumentado de Sangramento
- A desvenlafaxina aumenta o risco de eventos hemorrágicos, especialmente quando combinada com aspirina, anti-inflamatórios não esteroides, varfarina ou outros anticoagulantes 1
- Este risco é particularmente relevante porque muitos pacientes com IC-FEp recebem anticoagulação para fibrilação atrial concomitante, uma comorbidade comum 2
- Para pacientes em uso de varfarina, os índices de coagulação devem ser monitorados cuidadosamente ao iniciar, titular ou descontinuar desvenlafaxina 1
Síndrome Serotoninérgica
- A desvenlafaxina pode precipitar síndrome serotoninérgica, condição potencialmente fatal, especialmente quando combinada com outros agentes serotoninérgicos 1
- Os sintomas incluem alterações do estado mental, instabilidade autonômica (taquicardia, pressão arterial lábil, hipertermia), sintomas neuromusculares e convulsões 1
Protocolo de Monitoramento Recomendado
Antes de Iniciar o Tratamento
- Verificar se a hipertensão está adequadamente controlada 1
- Avaliar todos os medicamentos concomitantes, especialmente anticoagulantes, antiplaquetários e outros serotoninérgicos 1
- Documentar pressão arterial basal e função cardiovascular 1
Durante o Tratamento
- Monitorar pressão arterial regularmente, com atenção especial para aumentos sustentados 1
- Avaliar sinais de descompensação cardíaca (dispneia, edema, fadiga) 2
- Se houver uso concomitante de anticoagulantes, monitorar índices de coagulação e sinais de sangramento 1
- Observar sintomas de síndrome serotoninérgica, especialmente se houver uso de múltiplos agentes serotoninérgicos 1
Considerações Práticas
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não iniciar desvenlafaxina sem controle adequado da pressão arterial 1
- Não ignorar aumentos assintomáticos da pressão arterial, pois podem ter consequências adversas a longo prazo 1
- Não descontinuar abruptamente; a redução gradual da dose é necessária para minimizar sintomas de descontinuação 1
Alternativas Terapêuticas
- Considerar antidepressivos com perfil cardiovascular mais favorável em pacientes com IC-FEp
- Priorizar o tratamento otimizado da IC-FEp com terapias baseadas em evidências (inibidores de SGLT2, antagonistas de receptores mineralocorticoides, ARNI, betabloqueadores) antes de adicionar medicações que possam comprometer o controle pressórico 2