Conduta em Paciente com Diarreia Crônica e Exame de Toxina por Clostridium Indeterminada
Em pacientes com diarreia crônica e resultado indeterminado para toxina de Clostridioides difficile, não repita o teste dentro de 7 dias e baseie a decisão de tratamento na avaliação clínica rigorosa, utilizando um algoritmo de teste em múltiplas etapas para arbitrar resultados discordantes. 1
Abordagem Diagnóstica para Resultados Indeterminados
Algoritmo de Teste em Múltiplas Etapas
- Se o resultado inicial foi GDH positivo/toxina negativo (indeterminado): Realize teste de amplificação de ácido nucleico (NAAT/PCR) para arbitrar o resultado discordante 2
- Este algoritmo de três etapas (GDH + toxina, arbitrado por NAAT quando discordante) fornece resultados para aproximadamente 85-92% das amostras no dia do recebimento 2
- Não utilize NAAT isoladamente como teste único em ambientes endêmicos devido ao baixo valor preditivo positivo, pois detecta colonização assintomática em 44-55% dos casos 2
Interpretação Clínica Baseada em Evidências
- Pacientes que são positivos tanto no teste genético (PCR) quanto na toxina apresentam desfechos significativamente piores: taxa de complicações de 7,6%, mortalidade de 8,4% e maior duração da diarreia 2
- Pacientes positivos no teste genético mas negativos para toxina têm desfechos mínimos: taxa de complicações de 0%, mortalidade de 0,6%, e resultados semelhantes a pacientes sem C. difficile 2
- A presença de toxinas correlaciona-se com doença clínica verdadeira que requer intervenção antimicrobiana 2
Critérios Clínicos para Decisão de Tratamento
Indicadores de Infecção Verdadeira (Tratar)
- ≥3 evacuações não formadas em 24 horas que se conformam ao formato do recipiente 2
- Exposição recente a antibióticos (fator de risco forte para ICD verdadeira) 2
- Doença grave presente: febre alta, leucocitose significativa (≥15.000 células/mL), creatinina sérica >1,5 mg/dL, ou diarreia grave 2, 3
- Sinais de colite: dor abdominal intensa, instabilidade hemodinâmica, sinais de peritonite ou íleo 3
Quando NÃO Tratar
- Pacientes com PCR positivo/toxina negativo sem doença grave geralmente representam "excretores" que apresentam risco de controle de infecção mas não requerem tratamento 2
- Ausência de sintomas compatíveis com ICD (a avaliação clínica é crucial para descartar causas alternativas de diarreia) 2
Armadilhas Comuns e Como Evitá-las
Não Repita Testes Desnecessariamente
- Não realize testes repetidos dentro de 7 dias durante o mesmo episódio de diarreia - o rendimento diagnóstico é apenas 2% e aumenta resultados falso-positivos 1
- Testes repetidos só devem ser considerados em situações epidêmicas ou em pacientes com alta suspeita clínica cujos sintomas pioram 1
- Testes com estratégias de alta sensibilidade (algoritmos de 2 etapas ou NAATs isolados) têm valor preditivo negativo muito alto (tipicamente >99%) 1
Não Realize Teste de Cura
- Não há valor clínico em repetir testes de ICD para estabelecer cura - >60% dos pacientes podem permanecer positivos para C. difficile mesmo após tratamento bem-sucedido 2, 4
Considere Síndrome do Intestino Irritável Pós-Infecciosa
- O fenômeno de SII pós-infecção após infecção por C. difficile é reconhecido 1
- Clínicos devem ter cautela com terapia antimicrobiana excessiva baseada apenas em PCR, especialmente na ausência de evidência clara de produção de toxina 1
Decisão de Tratamento Empírico
Quando Iniciar Tratamento Empírico
- Para doença grave/fulminante: Considere tratamento empírico com vancomicina oral 125 mg quatro vezes ao dia enquanto aguarda resultados de toxina 2
- Doença grave justifica tratamento mesmo antes da conclusão dos testes confirmatórios 2
- Se houver atraso substancial na confirmação laboratorial (>48 horas) ou para ICD fulminante, inicie terapia empírica 3
Opções de Tratamento de Primeira Linha
- Vancomicina oral 125 mg quatro vezes ao dia por 10 dias ou fidaxomicina oral 200 mg duas vezes ao dia por 10 dias 3, 4
- Para ICD fulminante: vancomicina oral 500 mg quatro vezes ao dia; se íleo presente, adicione vancomicina retal 500 mg em 100 mL de solução salina normal a cada 6 horas como enema de retenção 3
- Descontinue o antibiótico causador o mais rápido possível para reduzir o risco de recorrência de ICD 3
Investigação de Outras Causas de Diarreia Crônica
- Em pacientes com múltiplos testes negativos para C. difficile e diarreia crônica persistente, considere avaliação endoscópica apenas em casos raros com alta suspeita clínica 5
- Investigue outras causas de diarreia crônica: doença celíaca (transglutaminase tecidual/EMA), infecções protozoárias (Giardia, amebíase), doença inflamatória intestinal (calprotectina fecal) 1
- Considere descontinuar inibidores de bomba de prótons desnecessários para reduzir risco de recorrência 2