Evidência de Pregabalina para Bruxismo
Recomendação Principal
Não existe evidência robusta para recomendar o uso de pregabalina no tratamento do bruxismo, seja do sono ou vigília, e esta medicação não deve ser considerada como terapia de primeira linha ou mesmo de rotina para esta condição. 1, 2, 3, 4
Base de Evidência Atual
Ausência de Estudos Controlados
- Não existem ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo avaliando pregabalina especificamente para bruxismo 1, 2, 3
- As revisões sistemáticas sobre tratamento de bruxismo não identificam pregabalina como opção terapêutica com evidência estabelecida 1, 3
- A literatura sobre medicamentos que potencialmente atenuam bruxismo não fornece dados baseados em evidência suficientes para conclusões definitivas sobre pregabalina 4
Evidência Limitada a Relato de Caso Único
- Existe apenas um relato de caso isolado de uma mulher de 21 anos com transtorno de ansiedade generalizada que experimentou desaparecimento completo do bruxismo de vigília com pregabalina 375 mg/dia 5
- Este caso único apresenta limitações importantes: o bruxismo melhorou no contexto de tratamento concomitante para ansiedade, tornando impossível separar o efeito direto da pregabalina sobre bruxismo versus o efeito indireto através da redução da ansiedade 5
- A recorrência do bruxismo com redução da dose sugere possível dependência ou efeito relacionado ao controle da ansiedade subjacente 5
Tratamentos com Evidência Estabelecida
Opções com Melhor Suporte Científico
- Toxina botulínica tipo A demonstrou redução significativa da dor e frequência do bruxismo do sono comparado a placebo ou tratamento convencional após 6 e 12 meses 1
- Placas oclusais combinadas com massagem muscular mostraram algum benefício na redução da dor 1
- Placas oclusais são eficazes na prevenção de danos dentários e sons de ranger associados ao bruxismo do sono, embora seus efeitos na redução de eventos eletromiográficos sejam transitórios 2
Medicamentos Sem Evidência de Eficácia
- Não há diferença entre amitriptilina, bromocriptina, clonidina, propranolol e levodopa comparados a placebo para bruxismo 1
- Não existe evidência convincente para uso de terapia medicamentosa em geral para tratar bruxismo do sono 3
- Clonazepam tem relatos de melhora em uso agudo noturno para pacientes com comorbidades psiquiátricas e do sono, mas na ausência de ensaios randomizados duplo-cegos, seu uso na prática clínica geral não pode ser recomendado 2
Considerações Importantes sobre Pregabalina
Perfil de Risco-Benefício Desfavorável
- Pregabalina é substância controlada Schedule V com potencial de abuso e dependência 6
- Efeitos adversos comuns incluem tontura (23-46%), sonolência (15-25%), edema periférico (10%), ganho de peso 7
- Problemas respiratórios graves podem ocorrer quando combinada com opioides, benzodiazepínicos ou outros depressores do SNC 7, 6
- A dose de 375 mg/dia relatada no caso único está próxima da dose máxima de 600 mg/dia, aumentando significativamente o risco de efeitos adversos 7
Contexto Clínico Inadequado
- Pregabalina tem aprovação regulatória e evidência estabelecida para dor neuropática (neuralgia pós-herpética, neuropatia diabética dolorosa) e fibromialgia 8, 7
- O mecanismo de ação da pregabalina (ligação à subunidade α2-δ dos canais de cálcio voltagem-dependentes) não tem relação fisiopatológica clara com bruxismo 7
- Bruxismo não é uma condição de dor neuropática, tornando o uso de pregabalina off-label sem justificativa farmacológica sólida 1, 2
Armadilhas Clínicas a Evitar
- Não prescrever pregabalina baseando-se em relato de caso único, especialmente quando o benefício pode ser secundário ao tratamento da ansiedade subjacente 5
- Não utilizar pregabalina como primeira linha quando existem opções com melhor evidência (toxina botulínica, placas oclusais) 1, 2
- Evitar doses elevadas (>300 mg/dia) que não demonstram benefício adicional consistente mas aumentam significativamente efeitos adversos 7
- Reconhecer que o tratamento do bruxismo deve começar com aconselhamento sobre higiene do sono, modificação de hábitos e técnicas de relaxamento antes de considerar intervenções farmacológicas 2
Abordagem Recomendada
- Avaliação clínica para diferenciar bruxismo de vigília versus bruxismo do sono e excluir causas secundárias (medicamentos, distúrbios médicos) 2
- Primeira linha: aconselhamento, higiene do sono, técnicas de relaxamento 2
- Segunda linha: placas oclusais para proteção dentária e redução de sons de ranger 1, 2
- Para casos graves com dor significativa: considerar toxina botulínica tipo A 1, 2
- Tratar comorbidades psiquiátricas (ansiedade, depressão) com terapias apropriadas, o que pode indiretamente melhorar o bruxismo 5, 2