Dosagem de Levomepromazina Solução Oral 4% para Paciente de 12 Anos
Não existem diretrizes pediátricas específicas estabelecidas para levomepromazina em pacientes de 12 anos, e o uso nesta faixa etária constitui prescrição off-label que requer extrema cautela e consulta com especialista.
Contexto Clínico Importante
A levomepromazina (metotrimeprazina) é um antipsicótico fenotiazínico com propriedades antieméticas, ansiolíticas e sedativas 1, 2. A evidência disponível para dosagem pediátrica é extremamente limitada:
- Dados históricos limitados: Um estudo de 1976 utilizou levomepromazina em pacientes oligofrênicos epilépticos com dose média diária de 130 mg, mas não especificou idades ou pesos dos pacientes 3
- Uso em adultos: A dose típica em adultos para controle de náuseas/vômitos é 25 mg/24 horas por via subcutânea 4
- Ausência de aprovação pediátrica: Não há dosagem pediátrica aprovada pela FDA ou diretrizes estabelecidas para crianças de 12 anos
Abordagem Recomendada
Considerações de Segurança Críticas
Antes de prescrever, é essencial:
- Confirmar a indicação específica (antiemético, sedação, agitação psicótica) que justifique o uso off-label 2
- Avaliar contraindicações absolutas: doença cardíaca grave, prolongamento QTc basal, hipotensão significativa 5
- Realizar ECG basal para avaliar intervalo QTc, pois fenotiazínicos podem causar prolongamento 5
- Verificar função hepática e hemograma completo antes do início 6
Dosagem Sugerida (Off-Label)
Para um paciente de 12 anos pesando 56,6 kg:
Dose inicial conservadora: 0,1-0,2 mg/kg/dia, dividida em 2-3 doses
- Isso equivaleria a aproximadamente 5,7-11,3 mg/dia para este paciente
- Com solução oral 4% (40 mg/mL): 0,14-0,28 mL/dia dividido em doses
Titulação gradual: Aumentar lentamente a cada 3-5 dias conforme resposta clínica e tolerabilidade 5
Dose máxima: Não exceder 0,5 mg/kg/dia ou 25-50 mg/dia (o que for menor) sem supervisão especializada 3
Monitoramento Obrigatório
Avaliações regulares devem incluir:
- Sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca) antes de cada dose nas primeiras 48-72 horas 5
- Monitoramento de sedação excessiva, hipotensão ortostática e reações distônicas 5, 7
- ECG de acompanhamento se doses repetidas ou prolongamento QTc basal 5
- Avaliação de sintomas extrapiramidais (rigidez, tremor, acatisia) 7
Armadilhas Comuns a Evitar
Erros frequentes na prescrição pediátrica:
- Não documentar o peso em quilogramas na prescrição - isso é essencial para verificação farmacêutica 8
- Iniciar com doses adultas sem ajuste pelo peso corporal 5
- Não considerar que fenotiazínicos podem causar hipotensão significativa em crianças 5
- Ignorar interações medicamentosas que prolongam QTc 5
Manejo de reações adversas:
- Se ocorrerem reações distônicas agudas: difenidramina 1-2 mg/kg (25-50 mg) parenteral 7
- Se hipotensão: posicionamento supino, fluidos IV, considerar redução de dose 5
- Se sedação excessiva: reduzir dose em 25-50% 5
Alternativas Mais Estabelecidas
Considere opções com melhor perfil de segurança pediátrica:
- Para náuseas/vômitos: ondansetrona tem dosagem pediátrica bem estabelecida 5
- Para sedação: midazolam ou lorazepam têm protocolos pediátricos definidos 5
- Para agitação psicótica: consulta psiquiátrica para antipsicóticos de segunda geração com dados pediátricos 5
A prescrição de levomepromazina nesta faixa etária deve ser feita apenas quando alternativas mais seguras falharam ou são contraindicadas, e sempre com supervisão de especialista em psiquiatria ou medicina paliativa pediátrica.