Equivalência de Dose entre Lisdexanfetamina e Metilfenidato
Não existe uma conversão de dose direta e estabelecida entre lisdexanfetamina e metilfenidato, pois são medicamentos com mecanismos farmacológicos distintos e perfis farmacocinéticos diferentes que não permitem uma equivalência linear simples.
Diferenças Farmacológicas Fundamentais
A lisdexanfetamina é um pró-fármaco que é convertido em dextroanfetamina após ingestão através de hidrólise enzimática limitada por taxa realizada por peptidases associadas aos glóbulos vermelhos 1, 2. Este processo resulta em liberação gradual de dextroanfetamina farmacologicamente ativa 1.
O metilfenidato, por outro lado, tem um mecanismo de ação imediato sem conversão de pró-fármaco, resultando em perfis farmacocinéticos e farmacodinâmicos completamente diferentes 3.
Perfis Farmacocinéticos Distintos
- A lisdexanfetamina apresenta Tmax (tempo para concentração máxima) prolongado, com início de ação mais tardio mas duração de efeito terapêutico estendida até pelo menos 13 horas em crianças e 14 horas em adultos 2
- O metilfenidato tem início de ação mais rápido mas duração de efeito mais curta comparado à lisdexanfetamina 3
- A lisdexanfetamina demonstra menor variabilidade inter e intra-individual na exposição comparada ao metilfenidato 2
Diferenças Neuroquímicas Importantes
- A lisdexanfetamina aumenta a liberação de dopamina, noradrenalina E serotonina (5-HT) tanto no córtex pré-frontal quanto no estriado 3
- O metilfenidato aumenta dopamina e noradrenalina, mas NÃO afeta significativamente a serotonina 3
- A lisdexanfetamina produz efeitos maiores e mais sustentados na neurotransmissão catecolaminérgica comparada ao metilfenidato 3
Abordagem Prática para Transição
Ao trocar entre estes medicamentos, inicie com as doses iniciais recomendadas do novo medicamento, independente da dose prévia:
- Lisdexanfetamina: Iniciar com 20-30 mg uma vez pela manhã, com titulação aumentando 10 mg semanalmente até máximo de 70 mg diários 4
- Metilfenidato: Iniciar com doses baixas conforme formulação específica (liberação imediata vs prolongada) e titular baseado na resposta clínica
Considerações Clínicas Críticas
- A lisdexanfetamina pode ser preferida em adolescentes devido ao menor potencial de abuso comparado a outros estimulantes 4
- As propriedades farmacocinéticas da lisdexanfetamina tornam a extração do componente estimulante mais difícil comparada a outras medicações estimulantes 4
- Estudos demonstram que a lisdexanfetamina permite maiores aumentos de dopamina extracelular sem produzir ativação locomotora comparada ao metilfenidato, sugerindo melhor separação entre ações terapêuticas e efeitos colaterais estimulantes 3
Armadilha Comum a Evitar
Não tente calcular uma "dose equivalente" matemática baseada em miligramas. A potência relativa varia significativamente dependendo do desfecho medido (eficácia terapêutica vs efeitos cardiovasculares vs efeitos subjetivos), e a resposta individual é altamente variável devido aos diferentes mecanismos de ação 5, 3.