Tratamento Psicofarmacológico do Transtorno de Compulsão Alimentar
Para o transtorno de compulsão alimentar (binge-eating disorder), prescreva fluoxetina 60 mg/dia ou lisdexamfetamina como tratamento farmacológico de primeira linha, combinado com terapia cognitivo-comportamental focada em transtornos alimentares. 1, 2
Abordagem Farmacológica Específica
Medicações de Primeira Linha
Antidepressivos:
- A fluoxetina demonstra evidência categoria A para redução da frequência de episódios de compulsão alimentar, com diferença média padronizada de -0.29 (tamanho de efeito pequeno; IC 95%, -0.51 a -0.06) comparado ao placebo 3, 4
- Outros inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), incluindo sertralina, também possuem evidência grau A e podem ser prescritos off-label 4, 5
- Os antidepressivos reduzem episódios de compulsão mesmo em pacientes sem depressão comórbida 3
Lisdexamfetamina:
- Aprovada pela FDA especificamente para transtorno de compulsão alimentar 6, 5
- Demonstra tamanho de efeito médio (Hedges g = 0.57; IC 95%, 0.28-0.86) na redução da frequência de compulsões 3
- Particularmente útil quando o paciente prefere medicação ou não respondeu adequadamente à psicoterapia isolada 1, 2
Medicações de Segunda Linha
Topiramato:
- Possui evidência grau A com recomendação grau 2 para transtorno de compulsão alimentar 4
- Associado à perda de peso em estudos controlados, mas pode causar efeitos colaterais cognitivos e do sistema nervoso periférico significativos em alguns pacientes 7, 8
- Considere como opção quando tratamentos de primeira linha falharam 8
Algoritmo de Decisão Farmacológica
Avaliação inicial: Realize hemograma completo e painel metabólico abrangente para detectar anormalidades eletrolíticas e disfunção hepática 1, 2
Escolha da medicação:
- Se o paciente tem depressão comórbida (taxa de 65.5% em transtorno de compulsão alimentar): inicie fluoxetina 60 mg/dia 3, 4
- Se o paciente prefere medicação ou falhou psicoterapia após 6 semanas: prescreva lisdexamfetamina ou antidepressivo 1, 2
- Se há falha com primeira linha: considere topiramato, mas monitore cuidadosamente efeitos colaterais cognitivos 8, 4
Titulação da fluoxetina:
Abordagem Combinada Essencial
A farmacoterapia deve sempre ser combinada com terapia cognitivo-comportamental focada em transtornos alimentares ou terapia interpessoal, em formato individual ou em grupo. 1, 2
- Dados sugerem que a combinação de antidepressivo mais TCC é superior a qualquer tratamento isolado 7
- A psicoterapia focada em transtornos alimentares normaliza comportamentos alimentares e aborda aspectos psicológicos 1
Monitoramento e Manutenção
- Reavalie periodicamente a necessidade de tratamento continuado 1, 2
- Monitore eficácia, efeitos colaterais e necessidade contínua da medicação 9
- Para pacientes com doença hepática, considere dose menor ou menos frequente 6
- Ajustes de dosagem para insuficiência renal não são rotineiramente necessários 6
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não prescreva bupropiona para pacientes com transtornos alimentares, pois é contraindicado 8
- Não negligencie a triagem para comorbidades psiquiátricas, especialmente depressão (65.5% de prevalência) e ansiedade 3
- Não use medicação como monoterapia - sempre combine com psicoterapia estruturada 1, 2
- Não ignore o risco aumentado de tentativas de suicídio em pacientes com transtornos alimentares 3
Considerações Especiais
Comorbidades psiquiátricas: