Sinvastatina e Disfunção Sexual
A sinvastatina não causa disfunção sexual e pode até melhorar a função erétil em homens com disfunção endotelial. A evidência mais recente e de alta qualidade demonstra que as estatinas, incluindo a sinvastatina, têm efeitos neutros ou potencialmente benéficos na função sexual masculina.
Evidência de Melhora da Função Erétil
A sinvastatina 40 mg por 6 meses melhorou significativamente a qualidade de vida relacionada à saúde sexual em homens com disfunção erétil, especificamente aumentando a percepção de controle e resposta emocional em comparação com placebo 1
Estudos demonstram que a adição de atorvastatina 80 mg melhorou a resposta ao sildenafil em homens que inicialmente não responderam ao tratamento, com melhora significativa no escore de função erétil (aumento de 7,8 pontos, P=0,036) 2
As estatinas podem melhorar a função endotelial mesmo antes de alterar o perfil lipídico, o que explica seus efeitos benéficos na disfunção erétil relacionada à disfunção endotelial 2
Ausência de Efeitos Hormonais Adversos
A terapia de longo prazo com sinvastatina em altas doses (40 mg/dia por 12 meses) não afeta os hormônios adrenocorticais nem gonadais em pacientes hipercolesterolêmicos 3
Não houve variação estatisticamente significativa em nenhum hormônio sexual em pacientes de ambos os sexos tratados com sinvastatina 3
A função adrenocortical permaneceu inalterada durante o tratamento prolongado com sinvastatina, confirmando sua ação seletiva no fígado 3
Contexto das Diretrizes sobre Disfunção Sexual
As diretrizes da ACC/AHA (2018) reconhecem que alguns anti-hipertensivos (betabloqueadores, antagonistas de receptores mineralocorticoides) podem ter efeitos negativos na libido e função erétil, mas as estatinas não são mencionadas como causadoras de disfunção sexual 4
As diretrizes do Princeton III Consensus (2012) relatam que houve vários relatos de melhorias na função erétil entre homens usando estatinas com e sem inibidores da PDE5 4
As diretrizes do Reino Unido (2000) listam estatinas (simvastatina, pravastatina) como drogas alternativas com menor risco de disfunção erétil em comparação com outros medicamentos cardiovasculares 4
Considerações Importantes
Um estudo isolado (Solomon et al.) relatou disfunção erétil de início recente em 22% de 93 homens de alto risco após 6 meses de uso de estatina, mas este achado é inconsistente com a maioria das evidências e não foi confirmado em estudos controlados por placebo 4
Estudos controlados por placebo sobre função erétil em homens tomando medicamentos para controlar fatores de risco cardiovascular são escassos, o que representa uma lacuna importante no conhecimento 4
A disfunção erétil em si pode ser um precursor de doença cardiovascular e compartilha fatores de risco com aterosclerose e hipertensão, sendo a disfunção endotelial o denominador comum 4
Recomendação Prática
Se um paciente em uso de sinvastatina apresentar disfunção sexual, investigue outras causas antes de atribuir à estatina: betabloqueadores, diuréticos, fatores psicossociais, hipertensão não controlada, diabetes, tabagismo, consumo excessivo de álcool 4
Considere que a própria doença cardiovascular subjacente (não a sinvastatina) é a causa mais provável da disfunção erétil 4
Não descontinue a sinvastatina por suspeita de disfunção sexual, pois a evidência sugere efeito neutro ou benéfico, e a descontinuação pode aumentar o risco cardiovascular 1, 2