Amigdalite Bacteriana em Bebê de 8 Meses: Tratamento com Antibióticos
Sim, uma criança de 8 meses com amigdalite bacteriana deve receber tratamento antibiótico imediato, com amoxicilina em dose alta (80-90 mg/kg/dia dividida em 2-3 doses) por 10 dias como primeira linha.
Contexto Clínico Importante
A amigdalite bacteriana em lactentes jovens requer atenção especial, pois:
- Crianças menores de 2 anos têm maior risco de complicações e dificuldade no monitoramento clínico confiável, justificando tratamento antibiótico imediato 1
- O principal patógeno bacteriano é Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), que pode causar complicações sistêmicas graves como febre reumática, glomerulonefrite aguda e escarlatina se não tratado adequadamente 2
- A duração completa de 10 dias é essencial para crianças menores de 2 anos, mesmo que os sintomas melhorem antes 1
Protocolo de Tratamento Antibiótico
Primeira Linha: Amoxicilina
- Dose: 80-90 mg/kg/dia dividida em 2 ou 3 doses por 10 dias 1
- Esta dose alta é crítica para erradicar Streptococcus pneumoniae resistente à penicilina, o patógeno mais comum 1
- A amoxicilina permanece o tratamento de escolha para amigdalite estreptocócica 3, 2
Alternativas em Caso de Alergia à Penicilina
Para reações não-Tipo I (não anafiláticas):
- Cefdinir, cefpodoxima ou cefuroxima podem ser utilizados 1
Para alergia verdadeira a beta-lactâmicos (Tipo I):
- Azitromicina ou outros macrolídeos são opções, porém com eficácia bacteriológica significativamente menor 4
- Taxas de falha bacteriológica de 20-25% são possíveis com macrolídeos devido à resistência crescente 4
- A azitromicina tem eficácia clínica de apenas 77-81% comparada a 90-92% com amoxicilina-clavulanato 5
Consideração Especial: Amoxicilina-Clavulanato
- Indicado se: a criança recebeu antibióticos nas últimas 4-6 semanas ou apresenta doença moderada 4
- Dose: 90 mg/kg/dia (componente amoxicilina) com 6,4 mg/kg/dia de clavulanato 4
- Oferece cobertura contra bactérias produtoras de beta-lactamase (Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis) 4
Avaliação de Resposta ao Tratamento
Reavaliação obrigatória em 48-72 horas:
- Melhora clínica deve ocorrer dentro deste período 1
- Sinais de falha terapêutica incluem: piora do quadro clínico, persistência de sintomas após 48 horas, ou recorrência dentro de 4 dias após término do tratamento 1
Se não houver melhora:
- Confirme o diagnóstico com visualização adequada da orofaringe 1
- Considere troca para antibiótico de segunda linha (amoxicilina-clavulanato se iniciou com amoxicilina) 1
- Encaminhe para especialista se o diagnóstico for incerto 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Nunca interrompa o tratamento antes de 10 dias, mesmo com melhora clínica precoce, pois isso aumenta o risco de complicações tardias como febre reumática 1
- Não prescreva macrolídeos como primeira linha em áreas com resistência conhecida de S. pyogenes à claritromicina/azitromicina (>26% dos isolados podem ser resistentes) 6
- Não use fluoroquinolonas em crianças desta idade - não são apropriadas para população pediátrica 4
- Garanta visualização adequada da orofaringe antes de prescrever antibióticos para confirmar o diagnóstico 1
Manejo da Dor
- Analgésicos sistêmicos (paracetamol ou ibuprofeno) devem ser oferecidos a todos os pacientes, especialmente nas primeiras 24 horas 7, 5
- O controle da dor é essencial independentemente do uso de antibióticos 1
Nota sobre Diferenciação Viral vs. Bacteriana
- 70-95% das amigdalites são virais e não requerem antibióticos 2
- Apenas 5-15% em adultos e 15-30% em crianças de 5-15 anos são causadas por estreptococo do grupo A 2
- Em lactentes de 8 meses, a amigdalite estreptocócica é menos comum, mas quando presente, sempre requer tratamento antibiótico devido ao risco de complicações 2
- Considere uso de escores validados (como Centor modificado) e testes rápidos para estreptococo quando disponíveis para confirmar etiologia bacteriana 2