Evidências para Valeriana e Humulus lupulus (Lúpulo)
Recomendação Principal
Valeriana e lúpulo NÃO são recomendados para o tratamento de insônia crônica ou ansiedade devido à falta de dados robustos de eficácia e segurança, devendo ser evitados em favor de terapias com evidência estabelecida. 1
Evidências de Eficácia
Para Insônia
Valeriana:
- Múltiplas diretrizes de alta qualidade recomendam CONTRA o uso de valeriana para insônia crônica 1
- Uma revisão sistemática com 14 ensaios clínicos não encontrou diferenças entre valeriana e placebo nos desfechos críticos: funcionamento diurno, gravidade da insônia, eficiência do sono, latência do sono, tempo total de sono, e qualidade do sono 1
- Um ensaio clínico fase III em pacientes oncológicos (450 mg de valeriana) não demonstrou efeito na qualidade do sono medida pelo Pittsburgh Sleep Quality Index 1
- A evidência existente é insuficiente e limitada por problemas metodológicos significativos, embora alguns estudos sugiram possível benefício em insônia leve a moderada 2, 3, 4
Lúpulo (Humulus lupulus):
- Os efeitos sedativos do lúpulo isoladamente são equívocos 1
- A combinação de lúpulo com valeriana mostrou alguma melhora no sono em alguns ensaios clínicos, mas sem evidência consistente 1, 4
- Não há ensaios clínicos demonstrando efeitos adversos perioperatórios 1
Para Ansiedade
- A evidência é insuficiente para recomendar valeriana no tratamento de transtornos de ansiedade 2
- Estudos em animais mostraram efeitos ansiolíticos potentes através da interação com o sistema GABAérgico, mas isso não foi adequadamente traduzido para eficácia clínica em humanos 5
Considerações de Segurança
Perfil de Segurança Geral
- Valeriana é geralmente bem tolerada e segura, com efeitos colaterais infrequentes e benignos 2
- O efeito colateral mais comum com valeriana são sonhos vívidos (16% dos pacientes) 6
- Não há eventos adversos graves associados ao uso de valeriana em indivíduos entre 7 e 80 anos 3
Período Perioperatório
Lúpulo:
- Considerar continuar o uso, mas NÃO consumir álcool antes da cirurgia 1
- Não há dados clínicos demonstrando efeitos adversos perioperatórios 1
Valeriana (embora não explicitamente mencionada nas diretrizes perioperatórias revisadas):
- Devido aos efeitos GABAérgicos e potencial de sedação aditiva, seria prudente suspender antes de procedimentos cirúrgicos, seguindo o princípio de precaução aplicado a outros sedativos herbais 5
Algoritmo de Tratamento Recomendado
Para Insônia Crônica:
- Primeira linha: Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) 1
- Segunda linha (se farmacoterapia necessária): Agonistas de receptores benzodiazepínicos de ação curta-intermediária (zolpidem, eszopiclone, zaleplon, temazepam) ou ramelteon 1
- Terceira linha: Antidepressivos sedativos (especialmente com depressão/ansiedade comórbida) 1
- NÃO recomendado: Valeriana, camomila, melatonina, anti-histamínicos de venda livre 1
Para Ansiedade:
- Primeira linha: Psicoterapia baseada em evidências (terapia cognitivo-comportamental) e/ou medicamentos aprovados pela FDA com perfis de segurança estabelecidos 7
- NÃO recomendado: Valeriana devido à evidência insuficiente 2
Armadilhas Comuns e Advertências
- Qualidade variável dos extratos: A inconsistência nos resultados pode ser devida à qualidade variável dos extratos herbais; efeitos mais confiáveis podem ser esperados da raiz/rizoma inteiro 3
- Falta de padronização: Ausência de padronização de dose, tipo de preparação e duração do tratamento nos estudos existentes 2
- Natureza instável dos constituintes ativos: Alguns constituintes ativos são relativamente instáveis, necessitando revisão dos processos de controle de qualidade 3
- Risco de insônia rebote: Produtos de venda livre à base de ervas podem causar insônia rebote 1
- Interações medicamentosas potenciais: Embora não extensivamente documentadas para valeriana, o mecanismo GABAérgico sugere potencial para interações com outros depressores do SNC 5
Contexto Clínico Importante
A popularidade de valeriana e lúpulo entre pacientes não se traduz em evidência clínica robusta. As diretrizes de múltiplas sociedades médicas de prestígio (Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, Departamento de Defesa dos EUA, Academia Americana de Medicina do Sono, Instituto Nacional do Câncer) convergem na recomendação CONTRA esses produtos devido à "relativa falta de dados de eficácia e segurança" 1. Esta posição contrasta fortemente com a evidência sólida para TCC-I e medicamentos aprovados pela FDA, que devem ser priorizados na prática clínica.