Tratamento da Retenção Urinária Induzida por Clozapina
Para retenção urinária induzida por clozapina (não incontinência), o tratamento de primeira linha é a cateterização imediata seguida de alfabloqueadores (tamsulosina ou alfuzosina), com consideração de redução da dose de clozapina se clinicamente viável. 1
Manejo Inicial Imediato
- Realize descompressão vesical imediata via cateterização uretral para alívio da retenção urinária aguda, confirmando o diagnóstico através de ultrassom vesical ou cateterização direta para quantificar o volume residual 1, 2
- Considere cateteres revestidos com liga de prata para reduzir o risco de infecção do trato urinário 1
- Remova o cateter o mais rápido possível, idealmente dentro de 24-48 horas, para minimizar o risco de infecção 1, 2
Tratamento Farmacológico Específico
Alfabloqueadores (Tratamento de Escolha)
- Inicie tamsulosina 0,4 mg ou alfuzosina 10 mg uma vez ao dia no momento da inserção do cateter, continuando por pelo menos 3 dias antes de tentar a remoção do cateter 1, 2
- Os alfabloqueadores melhoram significativamente as taxas de sucesso da tentativa sem cateter: alfuzosina alcança 60% de sucesso versus 39% com placebo; tamsulosina alcança 47% versus 29% com placebo 1, 2
- A tamsulosina pode ter menor probabilidade de hipotensão ortostática comparada a outros alfabloqueadores, tornando-a preferível em pacientes de alto risco 1
- Silodosina, um alfabloqueador altamente urosseletivo, também demonstrou eficácia no tratamento da retenção urinária aguda causada por hiperplasia prostática benigna 3, 4
Ajuste da Clozapina
- Considere redução da dose de clozapina se a retenção urinária for claramente relacionada ao medicamento e se a condição psiquiátrica permitir 5
- A retenção urinária induzida por clozapina provavelmente ocorre através de suas propriedades anti-alfa-adrenérgicas 6
Abordagens Não Farmacológicas
- Implemente restrição hídrica noturna e esvaziamento vesical antes de dormir 5
- Estabeleça alarmes para micção programada durante a noite 5
- Considere cateterização intermitente limpa se a retenção persistir, realizando 4-6 vezes ao dia em intervalos regulares (aproximadamente a cada 4-6 horas) para manter volumes vesicais abaixo de 400-500 mL 1
Opções Farmacológicas Adicionais
Aripiprazol
- Aripiprazol pode ser considerado como tratamento adjuvante se os alfabloqueadores forem insuficientes, pois demonstrou resolução completa da incontinência urinária induzida por clozapina em relatos de casos 5
- Esta opção equilibra eficácia contra o risco de efeitos adversos 5
Desmopressina
- Reserve desmopressina apenas para casos graves refratários, com monitoramento essencial para hiponatremia 5
- Não é tratamento de primeira linha devido aos riscos significativos 5
Armadilhas Críticas a Evitar
- Nunca use efedrina para retenção urinária - a efedrina é um agonista alfa-adrenérgico que PIORA a retenção urinária ao aumentar o tônus do esfíncter 6
- A efedrina é eficaz apenas para incontinência urinária induzida por clozapina (o problema oposto), onde 15 de 16 pacientes mostraram melhora 6
- Evite uso prolongado de cateteres de demora quando possível, pois aumenta o risco de infecções do trato urinário 1, 2
- Não atrase a intervenção cirúrgica em pacientes com retenção refratária, pois isso pode levar à descompensação vesical e retenção crônica 1
- Evite passagem cega do cateter se houver suspeita de lesão uretral (sangue no meato, trauma pélvico) 1, 2
Manejo Cirúrgico
- A cirurgia é recomendada para pacientes com retenção refratária que falharam pelo menos uma tentativa de remoção do cateter 1, 2
- A ressecção transuretral da próstata (RTUP) permanece o tratamento cirúrgico de referência para retenção urinária relacionada à HPB 1, 2
- Para estenose uretral causando retenção, as opções incluem dilatação uretral, uretrotomia interna visual direta ou uretroplastia 2
Acompanhamento
- Informe aos pacientes que eles permanecem em risco aumentado de retenção urinária recorrente mesmo após remoção bem-sucedida do cateter 1, 2
- Para pacientes com retenção crônica que requerem cateterização de longo prazo, o acompanhamento regular é essencial para avaliar complicações como ITU, cálculos vesicais e deterioração da função renal 2
- Considere terapia indefinida com alfabloqueadores para pacientes com HPB subjacente ou sintomas persistentes do trato urinário inferior 1