Principais Causas de Infecções de Ferida Operatória por Pseudomonas
As infecções recorrentes de ferida operatória causadas por Pseudomonas aeruginosa geralmente resultam de contaminação ambiental (especialmente água contaminada), uso prévio de antibióticos, diabetes mellitus, e práticas inadequadas de preparo cirúrgico ou esterilização.
Fontes Ambientais e Hospitalares
A contaminação por água é a fonte mais crítica de infecções por Pseudomonas no ambiente hospitalar:
- Sistemas de água hospitalares são reservatórios primários de Pseudomonas, com biofilmes presentes em quase todos os sistemas de tubulação fornecendo suporte nutricional para os organismos 1
- Pseudomonas aeruginosa é extremamente resistente a desinfetantes comuns, incluindo organomercuriais, cloro, formaldeído 2% e glutaraldeído alcalino 1
- Líquidos intraoperatórios contaminados ou água de torneira usada em enxágues terminais de equipamentos podem ser fontes de infecção 1, 2
- Equipamentos mal esterilizados, incluindo broncoscópios e lavadoras automáticas de endoscópios que usam água de torneira, são fontes documentadas 1
Fatores de Risco do Paciente
Condições específicas aumentam dramaticamente o risco de infecção por Pseudomonas:
- Diabetes mellitus é um fator de risco independente significativo (OR: 4.74) para infecções por Pseudomonas multirresistente 3
- Imunossupressão de qualquer causa (transplante de órgãos sólidos, câncer, doenças hematológicas) aumenta substancialmente o risco 3
- Uso prévio de antibióticos nos últimos 3 meses (OR: 5.32), especialmente cefalosporinas, carbapenêmicos ou quinolonas, predispõe a infecções resistentes 3, 4
- Colonização prévia por Pseudomonas multirresistente é o fator de risco mais forte (OR: 42.1) 3
- Choque séptico no momento da apresentação (OR: 3.73) está associado a maior probabilidade de Pseudomonas resistente 3
Práticas Cirúrgicas Inadequadas
Técnicas cirúrgicas específicas contribuem para infecções:
- Raspagem do local operatório está fortemente associada ao aumento do risco de infecção (p < 0.001) 4
- Técnica inadequada de preparo da pele, especialmente começar centralmente, mover-se perifericamente e retornar à área central com a mesma esponja, aumenta o risco 4
- Uso de compostos de amônio quaternário, acetona/álcool e hexaclorofeno 1% para preparo pré-operatório pode ser menos eficaz contra Pseudomonas 4
- Profilaxia antibiótica inadequada que não cobre Pseudomonas em procedimentos de alto risco 4
Tipos de Cirurgia de Alto Risco
Certos procedimentos têm taxas particularmente altas de infecção por Pseudomonas:
- Cirurgias envolvendo axila, trato gastrointestinal, períneo ou trato genital feminino requerem cobertura para bactérias gram-negativas e anaeróbios 1
- Cirurgias de reconstrução geniturinária mostraram taxas aumentadas quando profilaxia com cefalosporina foi usada contra organismos resistentes a cefalosporinas 4
- Cirurgias vasculares com implante de prótese, especialmente quando causadas por MRSA, Pseudomonas ou organismos multirresistentes, têm pior prognóstico 1
- Cirurgias plásticas e procedimentos cosméticos podem ser complicados por infecções por Pseudomonas de líquidos contaminados 2
Padrões de Resistência Antibiótica
A resistência é um problema crescente:
- Organismos resistentes a cefalosporinas são comuns em infecções por Pseudomonas, tornando a profilaxia padrão ineficaz 4
- Pseudomonas multirresistente resulta em terapia empírica inadequada em 71% dos casos, comparado a 29% com cepas não-MDR 3
- Uso prévio de beta-lactâmicos, carbapenêmicos ou quinolonas seleciona para cepas resistentes 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não reconhecer que água de torneira hospitalar é uma fonte primária de Pseudomonas leva a falhas na prevenção 1
- Usar profilaxia antibiótica padrão com cefalosporinas em pacientes com fatores de risco para Pseudomonas resulta em cobertura inadequada 4
- Ignorar colonização prévia por Pseudomonas ao escolher antibióticos empíricos é um erro crítico, dado o OR de 42.1 para infecção por MDR-PSA 3
- Continuar com técnicas inadequadas de preparo da pele perpetua infecções 4
- Não investigar fontes ambientais quando ocorrem múltiplas infecções por Pseudomonas 1, 2
Implicações para Prevenção
Para prevenir infecções recorrentes:
- Evite água de torneira para enxágue terminal de equipamentos cirúrgicos e use água estéril 1
- Identifique e trate colonização prévia por Pseudomonas antes de cirurgias eletivas 3
- Ajuste a profilaxia antibiótica para incluir cobertura anti-Pseudomonas em pacientes com diabetes, uso prévio de antibióticos, ou colonização conhecida 1, 3
- Evite raspagem pré-operatória ou use técnicas alternativas de remoção de pelos 4
- Padronize técnicas de preparo da pele que evitem recontaminação de áreas já preparadas 4
- Considere agentes como ceftazidima ou ciprofloxacina para cobertura empírica quando Pseudomonas é suspeita 5, 6