Exames para Solicitar em Pacientes com Apneia do Sono
A polissonografia (PSG) é o exame padrão-ouro obrigatório para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da apneia obstrutiva do sono antes de iniciar qualquer tratamento. 1
Teste Diagnóstico Primário
Polissonografia em Laboratório
- A PSG em laboratório é mandatória para pacientes com doença cardiorrespiratória significativa, fraqueza muscular respiratória potencial, hipoventilação em vigília ou suspeita de hipoventilação relacionada ao sono, uso crônico de opioides e insônia grave 2
- A PSG mede o índice de apneia-hipopneia (IAH) que classifica a gravidade: leve (IAH 5-14/h), moderada (IAH 15-30/h) ou grave (IAH >30/h) 2, 3
- O exame deve ser interpretado por médico certificado em medicina do sono, não apenas por algoritmos automáticos 1
Teste Domiciliar de Apneia do Sono (HSAT)
- O HSAT com dispositivo tecnicamente adequado é aceitável apenas para pacientes não complicados com sinais/sintomas sugerindo AOS moderada a grave 2
- O HSAT não deve ser usado para triagem geral de populações assintomáticas 1
- Os dados brutos do HSAT devem ser revisados manualmente por médico certificado em medicina do sono 1
Avaliação Cardiovascular Obrigatória
Exames Cardiovasculares Específicos
- Medição da pressão arterial é essencial, pois até 60% dos pacientes com hipertensão resistente têm características de AOS 4
- Eletrocardiograma (ECG) para avaliar arritmias, especialmente fibrilação atrial, que tem incidência aumentada com AOS grave 1, 4
- Ecocardiograma deve ser considerado para avaliar insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e cor pulmonale 1
Avaliação de Comorbidades Cardiovasculares
- Investigar história de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, arritmias noturnas e morte súbita cardíaca 1
- A gravidade da AOS correlaciona-se com aumento da incidência de infarto do miocárdio, fibrilação atrial e insuficiência cardíaca 1, 4
Exames Laboratoriais Metabólicos
Avaliação de Diabetes e Síndrome Metabólica
- Glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c) para rastreio de diabetes tipo 2, condição de alto risco para AOS 1
- Perfil lipídico completo para avaliar risco cardiovascular associado 1
- Índice de massa corporal (IMC) deve ser calculado, com IMC >30 kg/m² sendo fator de risco significativo 1, 2
Medidas Antropométricas Essenciais
Avaliação Física Estruturada
- Circunferência do pescoço: >43 cm em homens, >40 cm em mulheres indica risco aumentado 1, 2
- Escore de Mallampati modificado: escores 3 ou 4 sugerem obstrução de via aérea 1, 2
- Avaliação de retrognatia, estreitamento peritonsilar lateral, macroglossia, hipertrofia tonsilar e anormalidades nasais 1, 2
Questionários de Avaliação Clínica
Ferramentas de Triagem Validadas
- Escala de Sonolência de Epworth para quantificar a gravidade da sonolência diurna 1, 2
- Questionários de triagem (como STOP-Bang) podem identificar pacientes de alto risco que necessitam avaliação expedita, mas não substituem a PSG para diagnóstico 1, 2
Populações de Alto Risco Requerendo Avaliação Expedita
Pacientes que Necessitam Avaliação Imediata
- Insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atrial, hipertensão refratária ao tratamento, doença arterial coronariana 1, 2
- Acidente vascular cerebral ou AIT, arritmias noturnas, hipertensão pulmonar 1, 2
- Motoristas de caminhão comerciais e pacientes sendo avaliados para cirurgia bariátrica 1, 2
Avaliação Perioperatória Específica
Exames Pré-Operatórios Adicionais
- Gasometria arterial se houver suspeita de hipoventilação (PaCO2 >50 mmHg aumenta significativamente o risco perioperatório) 5
- Documentação do IAH do estudo do sono, história de via aérea difícil, IMC, circunferência do pescoço, comorbidades cardiovasculares e uso/adesão ao CPAP 5
- Oximetria contínua por pelo menos 24 horas no pós-operatório para pacientes com escore de risco ≥4 5
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não confiar apenas em questionários de triagem para diagnóstico definitivo - a PSG é obrigatória 1, 2
- Não usar dados de HSAT pontuados automaticamente sem revisão manual por especialista em medicina do sono 1
- Não negligenciar a avaliação cardiovascular completa, pois a AOS aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares maiores 1, 4, 6
- Não subestimar AOS "leve" em pacientes com comorbidades cardiovasculares - mesmo AOS leve carrega risco cardiovascular perioperatório 5