Sim, o estrogênio diminui a lipase hepática (hepatic lipase), mas não afeta significativamente a lipase lipoproteica
O estrogênio causa uma redução seletiva e marcante da lipase hepática (hepatic triglyceride lipase/HTGL) em aproximadamente 40-68%, enquanto a lipase lipoproteica (lipoprotein lipase/LPL) permanece essencialmente inalterada. 1, 2, 3
Efeito Específico na Lipase Hepática
- A administração de estrogênio resulta em supressão significativa da atividade da lipase hepática, com reduções documentadas de 43.8% a 68% em múltiplos estudos 2, 1, 4
- Esta redução ocorre através da repressão da transcrição do gene da lipase hepática mediada pelo receptor de estrogênio-alfa (ERα), possivelmente através de uma via AP-1 5
- A American Heart Association reconhece que o estrogênio oral aumenta os níveis de triglicerídeos em aproximadamente 20%, um efeito que pode estar relacionado à supressão da lipase hepática 6
Efeito na Lipase Lipoproteica
- A lipase lipoproteica (LPL) não sofre alteração significativa com a administração de estrogênio 1, 2
- Medições diretas da LPL no tecido adiposo também não demonstraram mudanças sistemáticas durante o tratamento com estrogênio 1
- A American Heart Association confirma que a atividade lipolítica pós-heparina total diminui, mas isto se deve exclusivamente à redução da lipase hepática 6
Consequências Metabólicas
Efeitos nos Lipídios:
- Aumento do HDL-colesterol (27-38%), particularmente da subfração HDL2b e da lipoproteína A-I (Lp A-I), que aumenta 66% 4, 2
- Aumento dos triglicerídeos (87% em alguns estudos), devido à produção aumentada de VLDL apoB (86%) e clearance potencialmente reduzido 2, 6
- Redução do LDL-colesterol e lipoproteína(a), efeitos considerados benéficos 6, 3
Mecanismo Paradoxal:
- Apesar da redução de 66% na atividade da lipase hepática, a taxa de catabolismo fracionário das lipoproteínas HDL não diminui, sugerindo que a lipase hepática pode não ter papel principal na regulação do catabolismo proteico do HDL durante a supressão estrogênica 4
Implicações Clínicas Importantes
Considerações sobre Triglicerídeos:
- O aumento de triglicerídeos induzido pelo estrogênio oral (~20%) é bem documentado, mas sua significância clínica permanece incerta 6
- A U.S. Preventive Services Task Force e a American Heart Association recomendam não usar terapia hormonal para prevenção primária de doenças cardiovasculares devido ao balanço desfavorável entre riscos e benefícios 6
Diferenças na Via de Administração:
- O estrogênio transdérmico tem menor efeito sobre os marcadores inflamatórios (como proteína C-reativa) comparado ao estrogênio oral, sugerindo possíveis diferenças nos efeitos metabólicos 6
Populações Especiais:
- Em mulheres com doença renal crônica, as concentrações séricas de estradiol podem ser 20% maiores que em mulheres com função renal normal, mesmo com doses 50% menores, requerendo ajuste de dose de 50-70% 6
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não confundir lipase hepática com lipase lipoproteica: o estrogênio tem efeitos opostos - suprime a primeira mas não afeta a segunda 1
- Não assumir que a redução da lipase hepática é prejudicial: paradoxalmente, isto pode contribuir para o aumento benéfico do HDL 4, 3
- Não ignorar o aumento de triglicerídeos: embora o HDL aumente, os triglicerídeos também aumentam significativamente, o que pode ser problemático em pacientes com hipertrigliceridemia pré-existente 6, 2