Manejo da Hipertensão em Idosos com Mobilidade Reduzida
Para idosos com mobilidade reduzida e hipertensão, inicie tratamento farmacológico quando a PA ≥130/80 mmHg com meta de <130/80 mmHg se tolerado, começando com diuréticos tiazídicos em baixa dose (hidroclorotiazida 12.5 mg/dia) e titulando gradualmente com monitoramento rigoroso de hipotensão ortostática e quedas. 1, 2
Limiar e Meta de Tratamento
Inicie tratamento anti-hipertensivo quando PA ≥130/80 mmHg em idosos com mobilidade reduzida, pois estes pacientes têm risco cardiovascular automaticamente elevado. 1
A meta de PA sistólica é <130 mmHg para idosos ambulatoriais não institucionalizados vivendo na comunidade, incluindo aqueles ≥80 anos, baseado em evidências do SPRINT que demonstrou redução de 39% em AVC fatal e 21% em mortalidade por todas as causas. 1
Para pacientes muito frágeis ou com múltiplas comorbidades, uma meta de 140-145 mmHg pode ser aceitável se bem tolerada, mas isto deve ser exceção e não regra. 1
Escolha do Medicamento de Primeira Linha
Comece com diuréticos tiazídicos em baixa dose (hidroclorotiazida 12.5 mg/dia) como terapia de primeira linha para idosos com mobilidade reduzida. 1, 2, 3, 4
Os diuréticos tiazídicos demonstraram eficácia superior em reduzir eventos cardiovasculares em idosos, incluindo no estudo HYVET que incluiu pacientes ≥80 anos. 1
Alternativas incluem bloqueadores dos canais de cálcio di-hidropiridínicos ou inibidores da ECA/BRAs, todos com evidência de benefício em idosos. 1, 2
Titulação e Monitoramento Específico
Inicie com doses baixas e titule gradualmente devido ao maior risco de efeitos adversos em idosos, especialmente aqueles com mobilidade reduzida. 1, 2, 3
Meça a PA em posição ortostática em todas as consultas para detectar hipotensão ortostática, que é comum em idosos mas não deve levar automaticamente à redução da terapia se assintomática. 1, 2
Evidências do SPRINT demonstraram que hipotensão ortostática foi mais comum no grupo de tratamento padrão e não se associou com maior risco de quedas, síncope ou eventos cardiovasculares. 1
Monitore eletrólitos (potássio, sódio, magnésio) regularmente ao usar diuréticos tiazídicos, pois hipocalemia e hiponatremia são riscos significativos em idosos. 3
Abordagem Não-Farmacológica Concomitante
Restrição de sódio e dieta DASH são especialmente eficazes em idosos, produzindo reduções de PA maiores que em jovens. 1
Para pacientes com mobilidade reduzida, foque em modificações dietéticas viáveis: redução de alimentos processados (que são mais utilizados por limitações de mobilidade) e aumento de frutas, vegetais e laticínios com baixo teor de gordura. 1
Evite restrição hídrica excessiva, pois hiponatremia dilucional pode ocorrer em idosos, especialmente em clima quente. 3
Considerações Críticas para Mobilidade Reduzida
A mobilidade reduzida não contraindica tratamento intensivo da PA, mas exige monitoramento mais frequente de quedas e tonturas. 1
Pacientes com mobilidade reduzida frequentemente dependem de alimentos processados (alto teor de sódio), o que dificulta o controle da PA e pode requerer doses maiores de medicamentos. 1
Dois ou mais agentes são geralmente necessários para atingir controle adequado em idosos, multiplicando o potencial de efeitos adversos e redução de aderência. 1
Armadilhas Comuns a Evitar
Não interrompa ou reduza tratamento automaticamente aos 80 anos se o paciente está bem controlado e tolerando a terapia. 1
Não evite tratamento intensivo por medo de hipotensão ortostática assintomática, pois evidências mostram que tratamento intensivo pode até melhorar a função barorreflexa. 1
Não use PA diastólica <70 mmHg como contraindicação absoluta para tratamento, mas tenha cautela em pacientes com doença coronariana estabelecida. 1
Evite anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) que são comumente usados em idosos com mobilidade reduzida por dor, pois elevam a PA e reduzem eficácia dos anti-hipertensivos. 1
Benefícios Adicionais do Controle Intensivo
Tratamento intensivo (meta <120 mmHg) demonstrou redução de comprometimento cognitivo leve (HR 0.83) e menor progressão de lesões de substância branca cerebral no SPRINT. 1
Mesmo em pacientes ≥80 anos, o tratamento intensivo reduziu eventos cardiovasculares maiores apesar de diferença menor de PA entre grupos (11.5 mmHg). 1