Manejo Imediato de Convulsão com Febre e Vômitos em Paciente com Paralisia Cerebral e Epilepsia
Este paciente necessita avaliação urgente para encefalite ou infecção do sistema nervoso central, com início imediato de medidas de suporte e controle de convulsões, pois pacientes com paralisia cerebral têm risco significativamente aumentado de desenvolver epilepsia após convulsões febris.
Estabilização Imediata
- Posicione o paciente em decúbito lateral (posição semi-prona) para prevenir aspiração, especialmente considerando os vômitos intensos 1.
- Avalie e mantenha via aérea pérvia, respiração e circulação (ABC) imediatamente 1.
- Administre oxigênio suplementar para garantir oxigenação adequada 1.
- Não tente restringir o paciente durante a convulsão nem coloque nada na boca 1.
- Estabeleça acesso venoso ou intraósseo imediatamente para administração de medicações 1.
Controle da Convulsão Ativa
Se a convulsão ainda estiver ativa ou recorrer:
- Administre lorazepam 0,1 mg/kg IV/IO como primeira linha 1.
- Se a convulsão persistir após 5 minutos, repita a dose de lorazepam (máximo de 2 doses) 1.
- Se as convulsões continuarem, administre levetiracetam 40 mg/kg IV em bolus lento (5-10 minutos), máximo 2.500 mg 1.
- Se ainda não houver controle, adicione fenobarbital 15-20 mg/kg IV (máximo 1.000 mg), com monitorização cuidadosa para depressão respiratória 1.
Avaliação Diagnóstica Urgente
A febre baixa (37,4°C) não exclui infecção grave do SNC, especialmente em pacientes com paralisia cerebral 2:
- Verifique glicemia capilar imediatamente para excluir hipoglicemia 1.
- Colete exames laboratoriais: hemograma completo, eletrólitos (sódio, cálcio, magnésio), hemocultura 1.
- Realize avaliação neurológica detalhada, incluindo tamanho e reação pupilar, sinais de hipertensão intracraniana 2, 1.
- Considere punção lombar se houver suspeita de meningite/encefalite, mas apenas após excluir sinais de hipertensão intracraniana 1.
- Para convulsões de grau ≥2, realize EEG para avaliar atividade epiléptica 2.
- Considere neuroimagem (TC ou RM de crânio) se houver sinais neurológicos focais ou alteração persistente do nível de consciência 2.
Manejo da Febre
- Mantenha temperatura corporal normal (36,0-37,5°C), evitando tanto hipotermia quanto hipertermia 3, 1.
- Monitore temperatura continuamente (temperatura central, não periférica) 3.
- Antipiréticos isolados (paracetamol, ibuprofeno) têm eficácia limitada em prevenir convulsões febris e devem ser usados apenas como adjuvantes 3, 4.
- Coloque o paciente sob fonte de calor radiante se necessário para prevenir perda de calor 1.
Manejo dos Vômitos
- Mantenha jejum absoluto até estabilização 1.
- Considere sonda nasogástrica se vômitos persistentes para descompressão gástrica.
- Monitore balanço hídrico e sinais de desidratação 1.
- Vômitos ictais podem indicar origem temporal mesial das convulsões, o que é relevante para o manejo a longo prazo 5.
Considerações Especiais para Paralisia Cerebral
Pacientes com paralisia cerebral têm risco de 17% de desenvolver epilepsia após convulsões febris, comparado a 2,5% em crianças sem comprometimento neurológico prévio 6:
- A presença de paralisia cerebral é fator de risco maior para epilepsia subsequente 6.
- Estes pacientes requerem limiar mais baixo para investigação de encefalite ou outras causas graves 2.
- Convulsões focais, duração >10 minutos ou alteração prolongada da consciência aumentam ainda mais o risco 6.
Monitorização Contínua
- Monitore saturação de oxigênio continuamente 1.
- Avalie sinais vitais frequentemente, incluindo pressão arterial se indicado 1.
- Realize avaliação neurológica pelo menos duas vezes ao dia, incluindo função cognitiva e fraqueza motora 2.
- Documente qualquer vômito adicional ou distensão abdominal 1.
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não subestime febre baixa (37,4°C) em pacientes com paralisia cerebral - apresentações atípicas de encefalite são comuns 2.
- Não use apenas antipiréticos esperando prevenir novas convulsões - eles são ineficazes para este propósito 3, 4.
- Não atrase a investigação de infecção do SNC pela história prévia de epilepsia - esta pode ser uma nova condição sobreposta 2.
- Evite medicações que causam depressão do SNC além das necessárias para controle de convulsões 2.
Terapia de Manutenção Após Controle
Após controle das convulsões 1:
- Lorazepam 0,05 mg/kg IV a cada 8 horas por 3 doses.
- Levetiracetam 15 mg/kg IV a cada 12 horas.
- Fenobarbital 1-3 mg/kg IV a cada 12 horas, se utilizado.