Investigação e Tratamento do Dedo em Gatilho
Diagnóstico Clínico
O diagnóstico do dedo em gatilho é essencialmente clínico, baseado na presença de estalidos, travamento ou perda de movimento do dedo afetado, sem necessidade de exames de imagem na maioria dos casos. 1, 2
- O paciente tipicamente relata sensação de clique, travamento ou bloqueio do dedo durante a flexão ou extensão 2
- O exame físico revela um nódulo palpável na região da polia A1 ao nível da articulação metacarpofalângica 1
- A condição é mais comum em mulheres na quinta ou sexta década de vida e frequentemente acomete o polegar 2, 3
- Pacientes diabéticos apresentam maior incidência e resposta menos favorável ao tratamento conservador 1, 2
Investigação por Imagem
Radiografias simples devem ser obtidas para excluir fraturas ou outras anormalidades ósseas, embora sejam tipicamente normais no dedo em gatilho. 4
- As radiografias servem principalmente para descartar diagnósticos diferenciais como fraturas, tumores ou outras lesões traumáticas de tecidos moles 2
- Ressonância magnética sem contraste intravenoso pode ser útil em casos complexos para avaliar o tendão e anormalidades dos tecidos moles circundantes 4
- Ultrassonografia pode identificar anormalidades dos tendões flexores e bainhas tendíneas, incluindo identificação de septos no primeiro compartimento dorsal que podem afetar o manejo cirúrgico 5
Algoritmo de Tratamento
Tratamento Conservador Inicial
Todos os pacientes devem iniciar com manejo conservador, incluindo imobilização com tala, modificação de atividades e injeção de corticosteroides. 1, 2, 6
- A imobilização com tala é eficaz como primeira linha de tratamento 1, 2
- Injeção de corticosteroide de longa ação na bainha do tendão flexor apresenta alta taxa de sucesso e baixo nível de efeitos adversos 1, 7
- Todos os pacientes devem ser avaliados por terapeuta ocupacional/fisioterapeuta para instrução em técnicas de proteção articular, dispositivos assistivos e modalidades térmicas para alívio da dor e rigidez 8
- Atenção: atrofia subcutânea é uma complicação rara mas possível da injeção de corticosteroides 7
Indicações Cirúrgicas
A liberação cirúrgica da polia A1 está indicada quando o tratamento conservador falha ou em casos graves com travamento persistente. 1, 6, 3
- A liberação aberta da polia A1 é o "padrão-ouro" do tratamento cirúrgico, permitindo inspeção cuidadosa da área cirúrgica com alta eficácia e baixas taxas de complicação 3
- A liberação percutânea da polia A1 é uma alternativa à técnica aberta 6
- Em pacientes com gatilhamento persistente após liberação da A1 ou contratura em flexão persistente, está indicada a excisão de uma tira do flexor digitorum superficialis 6
Populações Especiais
Pacientes com artrite reumatoide requerem tenosinovectomia ao invés de simples liberação da polia A1. 1
- Em crianças, o polegar em gatilho resolve confiavelmente com liberação da polia A1, mas outros dedos podem requerer cirurgia mais extensa 1, 6
- Pacientes diabéticos frequentemente são menos responsivos a medidas conservadoras e podem necessitar progressão mais rápida para tratamento cirúrgico 1
Reabilitação Pós-Operatória
A reabilitação após cirurgia é fundamental para resultados ótimos, frequentemente requerendo encaminhamento para terapia ocupacional pós-operatória. 8
- O acompanhamento adequado previne complicações como arqueamento do tendão, lesão do nervo digital e gatilhamento contínuo 1