Indicação de Colecistectomia Pós-CPRE em Paciente com Colestase
A colecistectomia deve ser realizada em todos os pacientes com cálculos na vesícula biliar após desobstrução bem-sucedida do colédoco por CPRE, a menos que existam contraindicações cirúrgicas específicas ou risco proibitivo. 1
Recomendação Principal
A colecistectomia está recomendada para todos os pacientes com cálculos no colédoco e vesícula biliar, a menos que existam razões específicas que contraindiquem a cirugía (evidência de alta qualidade; recomendação forte). 1, 2
Momento Ideal para Colecistectomia
Pancreatite Biliar Leve
- A colecistectomia deve ser realizada idealmente dentro de 2 semanas após a apresentação, preferencialmente durante a mesma internação hospitalar para prevenir pancreatite recorrente potencialmente evitável. 1, 2
- O procedimento deve ser feito assim que o paciente se recuperar do episódio agudo. 1
Pancreatite Biliar Grave
- A colecistectomia deve ser adiada até que o processo inflamatório tenha diminuído e o procedimento seja tecnicamente mais fácil. 1
- Se complicações locais se desenvolverem (pseudocisto ou necrose infectada), a colecistectomia deve ser realizada quando essas complicações forem tratadas cirurgicamente ou resolvidas. 1
Colangite
- CPRE urgente (dentro de 24 horas) deve ser realizada em pacientes com pancreatite biliar que apresentam colangite concomitante. 1
- Após resolução da colangite e desobstrução biliar, proceder com colecistectomia conforme descrito acima. 1
Evidência de Benefício da Colecistectomia
Redução de Eventos Biliares
- A colecistectomia profilática após extração de cálculos do colédoco reduz significativamente a incidência de colecistite subsequente e eventos biliares totais (incluindo colangite). 1
- Em estudo com 162 pacientes maiores de 70 anos com cálculos vesiculares coexistentes, houve redução significativa de eventos biliares totais no grupo submetido à colecistectomia eletiva. 1
Risco de Cálculos Recorrentes no Colédoco
- Pacientes com cálculos vesiculares residuais após desobstrução do colédoco apresentam taxa de recorrência de cálculos no colédoco de 15-23,7% durante seguimento de 34 meses a 15 anos. 1
- Em contraste, pacientes com vesícula vazia in situ apresentam incidência significativamente menor de cálculos recorrentes no colédoco (5,9% a 11,3%). 1
Situações Especiais
Vesícula Vazia na Imagem
- Existe incerteza sobre a necessidade de colecistectomia em pacientes com colédoco desobstruído mas vesícula vazia na imagem. 1
- Os cirurgiões podem discutir uma abordagem expectante com esses pacientes, dado o menor risco de eventos biliares recorrentes. 1
Pacientes com Risco Cirúrgico Proibitivo
- Apesar dos benefícios da colecistectomia, o risco operatório para alguns pacientes será considerado proibitivo. 1
- Esfincterotomia biliar endoscópica com desobstrução do colédoco isoladamente é uma alternativa aceitável para este grupo (evidência de qualidade moderada; recomendação forte). 1
- Idade e comorbidades não parecem ter impacto significativo nas taxas de complicação geral da CPRE. 1
- Se o paciente tem risco cirúrgico proibitivo ou doença metastática confirmada, nenhuma ressecção deve ser realizada, e a drenagem biliar seria a única intervenção se houver obstrução. 3
Pacientes Inaptos para Cirurgia
- Em pacientes inaptos para cirurgia, CPRE e esfincterotomia isoladamente fornecem terapia adequada a longo prazo. 1
- Em todos os outros com vesícula in situ, o manejo cirúrgico definitivo (colecistectomia) deve ser realizado na mesma internação hospitalar, se possível, ou no máximo 2-4 semanas após a alta. 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não atrasar a colecistectomia além de 4 semanas em pacientes com pancreatite biliar leve, pois isso aumenta o risco de eventos biliares recorrentes. 1, 2
- Não assumir que idade avançada isoladamente é contraindicação para cirurgia, pois a idade não impacta significativamente as taxas de complicação da CPRE. 1, 3
- Reconhecer fatores de risco para complicações pós-colecistectomia: icterícia, leucocitose progressiva e tempo operatório prolongado estão associados a complicações biliares pós-operatórias. 4