Opções Terapêuticas para Epilepsia Estrutural de Difícil Controle
Para pacientes com epilepsia estrutural refratária a medicamentos, a cirurgia de epilepsia deve ser considerada como opção prioritária, com aproximadamente 65% dos pacientes alcançando controle completo das crises, especialmente quando a zona epileptogênica está corretamente identificada e localizada fora de áreas eloquentes. 1
Definição e Contexto Clínico
- Epilepsia refratária é definida quando as crises não podem ser controladas após tentativas adequadas com dois ou mais medicamentos antiepilépticos (MAEs), afetando aproximadamente 30% dos pacientes com epilepsia focal 1, 2
- Na epilepsia estrutural focal, aproximadamente 20-40% dos pacientes não respondem adequadamente aos MAEs e são considerados farmacorresistentes 2
- As crises são completamente eliminadas em 47% dos pacientes com o primeiro MAE e em 14% adicionais após o segundo ou terceiro MAE 2
Algoritmo de Tratamento
Primeira Linha: Otimização da Farmacoterapia
Monoterapia Inicial:
- Valproato ou carbamazepina são recomendados como agentes de primeira linha devido ao menor risco de efeitos adversos comportamentais 3
- Levetiracetam é uma alternativa apropriada, particularmente em mulheres em idade fértil, devido ao perfil de segurança superior 3
- A dose deve ser titulada até a dose máxima tolerada antes de considerar falha terapêutica 4, 5
Politerapia Racional:
- Se duas monoterapias sequenciais falharem, a politerapia com combinações mecanísticas de MAEs com interações sinérgicas deve ser considerada 6
- Combinações de levetiracetam com valproato demonstram eficácia sem interações farmacocinéticas significativas 7
- Perampanel (4-12 mg/dia) pode ser adicionado como terapia adjuvante para crises de início parcial, com taxas de resposta de 35-54% em doses de 8-12 mg 8
Segunda Linha: Avaliação Pré-Cirúrgica
Quando considerar avaliação cirúrgica:
- Após falha de dois MAEs adequadamente testados em doses máximas toleradas 1
- Presença de lesão estrutural identificável na ressonância magnética (esclerose hipocampal, tumor, displasia cortical focal, hemorragia) 1
- Epilepsia focal com zona epileptogênica potencialmente ressecável 1
Investigação diagnóstica avançada:
- PET com [18F]FDG interictal e SPECT de perfusão ictal são ferramentas essenciais para localização da zona epileptogênica, especialmente em epilepsia não-lesional ou com múltiplas anormalidades estruturais 1
- Telemetria vídeo-EEG com eletrodos de escalpo e, se necessário, eletrodos intracranianos 1
- Ressonância magnética estrutural de alta resolução é a primeira investigação de imagem 1
- Avaliação neuropsicológica e neuropsiquiátrica, teste de Wada, e ressonância magnética funcional conforme indicado 1
Terceira Linha: Intervenções Cirúrgicas e Não-Farmacológicas
Cirurgia de epilepsia:
- Aproximadamente 65% dos pacientes com epilepsia focal refratária tornam-se livres de crises após cirurgia 1
- A cirurgia é segura, bem-sucedida e custo-efetiva quando a fonte da epilepsia é corretamente detectada e está fora de áreas eloquentes 1
- Particularmente eficaz em epilepsia do lobo temporal, com 60-70% dos pacientes ficando livres de crises incapacitantes 9
Outras opções não-farmacológicas:
- Estimulação do nervo vago pode ser considerada em pacientes não candidatos à cirurgia ressectiva 8
- Dieta cetogênica em casos selecionados, especialmente em crianças 1
Considerações Especiais para Epilepsia Estrutural
Armadilhas Comuns a Evitar:
- Não subestimar a importância da adesão: Verificar níveis séricos dos medicamentos antes de considerar falha terapêutica 5
- Não usar indutores enzimáticos potentes sem ajuste de dose: Carbamazepina, oxcarbazepina e fenitoína reduzem significativamente as concentrações plasmáticas de perampanel e outros MAEs, exigindo doses mais altas 8
- Não atrasar a avaliação cirúrgica: Pacientes com epilepsia estrutural refratária devem ser encaminhados precocemente para centros especializados em epilepsia 9
- Não usar valproato em mulheres em idade fértil: Risco significativamente aumentado de malformações fetais e atraso no desenvolvimento neurológico 7
Monitoramento e Ajustes:
- Monitorar cuidadosamente efeitos adversos comportamentais e psiquiátricos, especialmente com perampanel (agressão, hostilidade, irritabilidade) 8
- Ajustar doses em insuficiência hepática: dose máxima de 6 mg (leve) e 4 mg (moderada) para perampanel 8
- Evitar uso em insuficiência renal grave ou hemodiálise 8
- Titular doses em idosos não mais frequentemente que a cada 2 semanas 8
Prognóstico e Expectativas Realistas
- Em pacientes com epilepsia estrutural refratária, até 70% podem esperar controle completo das crises com terapia otimizada, mas os 30% restantes são os mais difíceis de tratar 4
- A maioria dos pacientes é controlada com um único MAE, mas uma pequena proporção requer combinação de dois agentes 4
- Epilepsia refratária representa carga importante para a saúde pública e econômica, com risco de desfechos cognitivos e psicossociais ruins a longo prazo, especialmente em crianças e adolescentes 1, 2