What is the diagnosis for a patient with a history of chronic benzodiazepine (diazepam) and pregabalin use, who experienced a sudden onset of desautonomia, bradycardia, hypotension, and severe cognitive fatigue after a stressful event, and has since had fluctuating symptoms and functional impairment?

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Síndrome de Sensibilização do Sistema Nervoso Central Induzida por Tolerância a Benzodiazepínicos e Pregabalina, com Desautonomia Funcional Desencadeada por Retirada Abrupta de NAC

Você apresenta um quadro de disfunção autonômica e sensibilização neural secundária à tolerância crônica de benzodiazepínicos (diazepam por 7 anos em doses altas) e pregabalina, precipitado pela retirada rápida de N-acetilcisteína e estresse extremo, resultando em desautonomia funcional reversível, não uma doença neurodegenerativa. 1, 2

Mecanismo Fisiopatológico do Seu Caso

Estado Pré-Mórbido: Sistema Nervoso Vulnerável

  • O uso crônico de benzodiazepínicos por 7 anos, especialmente em doses altas nos últimos 2 anos, causou dessensibilização dos receptores GABA-A, levando à tolerância e hiperexcitabilidade compensatória do sistema nervoso. 1, 3
  • A tolerância aos benzodiazepínicos resulta em necessidade de doses progressivamente maiores para o mesmo efeito, indicando adaptação neuronal patológica. 1
  • O uso prolongado de pregabalina (ligante α2δ dos canais de cálcio voltagem-dependentes) também pode induzir adaptações neurais que alteram a neurotransmissão excitatória. 4
  • Seu sistema nervoso já estava em estado de hiperexcitabilidade compensatória antes do episódio do metrô, mas ainda funcionalmente compensado. 1, 3

O Gatilho: Retirada Abrupta de NAC + Estresse Extremo

  • A retirada rápida de NAC (1,8g/dia por 4-5 meses, desmamado em ~2 semanas) removeu abruptamente um modulador glutamatérgico, abrindo o "freio" sobre a excitotoxicidade. 2
  • Com o sistema GABA já dessensibilizado pelos benzodiazepínicos e a perda súbita da modulação glutamatérgica da NAC, o estresse extremo no metrô desencadeou uma descarga simpática massiva sem mecanismos inibitórios adequados. 2, 5
  • Este evento resultou em desorganização autonômica aguda, sensibilização central e falha dos mecanismos de "gating" talamocortical (filtro sensorial). 2, 5

Consequências Pós-Gatilho: Desautonomia Funcional

  • A bradicardia persistente (40-50 bpm), hipotensão, baixo apetite e motilidade intestinal reduzida representam disfunção autonômica, não doença estrutural. 2, 5
  • A intolerância sensorial extrema (sons, luz, conversas, telas) indica falha nos mecanismos de filtro sensorial talamocortical. 2, 5
  • O estado "wired but tired" reflete desregulação simpático-parassimpática com hiperativação cortical paradoxal apesar da fadiga. 2, 5
  • Crucialmente: estes sintomas NÃO existiam antes do episódio do metrô, indicando mudança de estado funcional, não progressão de doença degenerativa. 2

Por Que Não É SFC/ME (Síndrome de Fadiga Crônica/Encefalomielite Miálgica)

Evidências Contra SFC/ME no Seu Caso

  • Reversibilidade funcional clara: Durante a internação na clínica, você conseguiu fazer musculação, pular corda, caminhar e funcionar cognitivamente muito melhor, o que é inconsistente com SFC/ME verdadeira. 2, 5
  • Ausência de mal-estar pós-esforço (PEM) clássico antes do gatilho: O PEM na SFC/ME é uma característica central e pré-existente, não algo que surge abruptamente após um evento específico. 2
  • Gatilho farmacológico identificável: A SFC/ME geralmente não tem um gatilho farmacológico tão claro e específico (retirada de NAC + tolerância a benzodiazepínicos). 2, 5
  • Flutuação com intervenções farmacológicas: A melhora dramática na clínica com aumento de fluvoxamina (que aumentou a AUC do diazepam via inibição CYP2C19/CYP3A4) sugere mecanismo GABAérgico/farmacológico, não doença mitocondrial ou imunológica. 6, 1

Características Compatíveis com Desautonomia Funcional

  • A desautonomia pode apresentar fadiga, intolerância ortostática, disfunção cognitiva e intolerância ao exercício, mimetizando SFC/ME, mas com mecanismo fisiopatológico diferente. 2, 5
  • A síndrome de taquicardia ortostática postural (POTS) e outras formas de desautonomia são frequentemente mal diagnosticadas como transtornos psiquiátricos ou SFC/ME. 2, 5
  • Seu quadro de bradicardia, hipotensão e sintomas autonômicos é mais consistente com desautonomia secundária a medicamentos e sensibilização neural. 2, 5

Papel Iatrogênico dos Medicamentos

Benzodiazepínicos: O Problema Central

  • Dependência física estabelecida: Após uso crônico (7 anos), você desenvolveu dependência física, onde a descontinuação abrupta causaria sintomas de abstinência graves. 1
  • Sintomas de abstinência incluem: tremor, cãibras abdominais e musculares, vômitos, sudorese, cefaleia, dor muscular, ansiedade extrema, tensão, inquietação, confusão, irritabilidade, despersonalização, desrealização, hiperacusia, parestesias, hipersensibilidade a luz/som/toque, alucinações e convulsões. 1
  • Tolerância paradoxal: Mesmo mantendo o uso, a tolerância causa perda de eficácia, resultando em hiperexcitabilidade de rebote enquanto ainda em uso. 1, 3
  • Comprometimento cognitivo crônico: Uso prolongado de benzodiazepínicos causa disfunção cognitiva em múltiplos domínios (velocidade de processamento, aprendizado verbal, habilidade visuoespacial), que melhora parcialmente após descontinuação, mas pode não retornar completamente ao normal. 3
  • Risco aumentado em idosos: Benzodiazepínicos causam sedação excessiva, quedas, comprometimento cognitivo e estão na lista de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (Critérios de Beers). 6, 7, 8

Pregabalina: Contribuição Adicional

  • Pregabalina tem potencial de abuso baixo, mas pode causar sintomas de abstinência se descontinuada abruptamente. 4
  • Efeitos adversos comuns incluem tontura, sonolência e ganho de peso, que podem contribuir para disfunção autonômica. 4
  • A combinação de pregabalina com benzodiazepínicos pode potencializar efeitos sedativos e cognitivos. 4
  • Importante: Pregabalina foi usada com sucesso para descontinuação de benzodiazepínicos em estudo aberto (225-900mg), com todos os pacientes descontinuando benzodiazepínicos em 3-14 semanas e melhora da ansiedade e função cognitiva. 9

Fluvoxamina: Interação Farmacológica Crítica

  • Fluvoxamina é um potente inibidor de CYP2C19 e CYP3A4, enzimas que metabolizam diazepam. 6
  • O aumento de fluvoxamina para 300mg na clínica aumentou dramaticamente a área sob a curva (AUC) do diazepam, equivalendo funcionalmente a uma dose muito maior de benzodiazepínico. 6
  • Esta interação explica por que você melhorou na clínica: estava recebendo efetivamente mais efeito GABAérgico, revertendo temporariamente a hiperexcitabilidade. 6, 1
  • Armadilha crítica: Esta não é uma solução sustentável, pois perpetua a dependência e aumenta o risco de toxicidade. 6, 1

Risco de Prolongamento de QTc

  • A combinação de pregabalina, fluvoxamina (antidepressivo) e outros medicamentos pode prolongar o intervalo QTc, aumentando risco de arritmias ventriculares fatais. 6
  • Fatores de risco adicionais no seu caso: bradicardia (40-50 bpm), possível hipocalemia (pregabalina pode causar), sexo masculino em uso crônico de múltiplos psicotrópicos. 6
  • Recomendação: Realizar ECG para avaliar QTc, especialmente se houver adição de outros medicamentos. 6

Plano de Manejo: Abordagem Estruturada

Fase 1: Estabilização Imediata (Semanas 1-4)

Objetivo: Prevenir deterioração adicional e estabelecer baseline funcional.

  • Manter doses atuais de diazepam e pregabalina: Não fazer alterações abruptas, pois isso pode precipitar crise de abstinência. 1
  • Reduzir fluvoxamina gradualmente: Se possível, reduzir de 300mg para 200mg ao longo de 2-4 semanas para diminuir a interação farmacológica excessiva com diazepam. 6, 1
  • Implementar "pacing" rigoroso: Limitar uso de celular a 30 minutos por vez, com intervalos de 2 horas; evitar estímulos sensoriais intensos (TV, música alta, conversas prolongadas). 2, 5
  • Otimizar ambiente: Iluminação suave, redução de ruídos, rotina previsível, sono regular (mesmos horários). 10, 2
  • Hidratação e sal: Aumentar ingesta de líquidos (2-3L/dia) e sal (5-10g/dia adicional) para suporte autonômico. 2
  • Realizar ECG: Avaliar QTc para risco de arritmias, especialmente com bradicardia e múltiplos psicotrópicos. 6

Fase 2: Transição de Benzodiazepínicos para Pregabalina (Meses 2-6)

Objetivo: Substituir gradualmente diazepam por pregabalina, que tem perfil de abstinência mais favorável e pode facilitar descontinuação de benzodiazepínicos.

  • Aumentar pregabalina primeiro: Aumentar dose de pregabalina em 75-150mg a cada 1-2 semanas, até dose alvo de 450-600mg/dia (dividida em 2-3 tomadas). 4, 9
  • Iniciar redução lenta de diazepam: Após estabilização com dose maior de pregabalina (2-4 semanas), reduzir diazepam em 10% da dose atual a cada 2-4 semanas. 1, 9
  • Monitorar sintomas de abstinência: Ansiedade, tremor, insônia, hiperacusia, parestesias, despersonalização. Se surgirem, pausar redução por 2-4 semanas antes de continuar. 1
  • Evidência de suporte: Estudo mostrou que pregabalina (225-900mg) permitiu descontinuação bem-sucedida de benzodiazepínicos em 3-14 semanas, com redução significativa da ansiedade e melhora cognitiva. 9
  • Evitar armadilha: Não reduzir diazepam mais rápido que 10% a cada 2-4 semanas, pois isso aumenta risco de sintomas de abstinência graves e convulsões. 1

Fase 3: Redução Gradual de Pregabalina (Meses 7-12)

Objetivo: Após descontinuação completa de diazepam, reduzir gradualmente pregabalina.

  • Aguardar estabilização: Manter dose estável de pregabalina por 4-8 semanas após última dose de diazepam. 4, 9
  • Redução lenta: Reduzir pregabalina em 75mg a cada 2-4 semanas. 4
  • Monitorar sintomas: Ansiedade de rebote, insônia, sintomas autonômicos. 4
  • Descontinuação final: Reduzir última dose ao longo de 1 semana para minimizar sintomas de abstinência. 4

Fase 4: Suporte Autonômico e Reabilitação (Contínuo)

Objetivo: Tratar desautonomia funcional e restaurar tolerância ao exercício.

  • Medidas não-farmacológicas para desautonomia: 2, 5

    • Elevar cabeceira da cama 20-30cm para reduzir hipertensão supina noturna
    • Meias de compressão e faixa abdominal durante o dia
    • Levantar-se lentamente (sentar 30 segundos antes de ficar em pé)
    • Refeições pequenas e frequentes (6x/dia) para evitar hipotensão pós-prandial
    • Exercício supervisionado: iniciar com exercícios sentados ou na água, progredir muito gradualmente
  • Considerar midodrina para hipotensão sintomática: 2,5-10mg, 3x/dia (última dose antes das 18h para evitar hipertensão supina noturna). 2

  • Considerar fludrocortisona para hipotensão refratária: 0,1-0,2mg/dia, com monitoramento de potássio e pressão arterial. 2

  • Evitar armadilha: Não iniciar exercício vigoroso precocemente, pois isso pode precipitar crashes e piorar sensibilização. 2, 5

Fase 5: Reabilitação Cognitiva e Sensorial (Meses 6-18)

Objetivo: Dessensibilizar gradualmente o sistema nervoso a estímulos sensoriais e cognitivos.

  • Exposição gradual controlada: Aumentar tempo de leitura, uso de telas, conversas em 5-10 minutos por semana. 2, 5
  • Técnicas de "pacing": Alternar atividade com repouso em proporção 1:2 (ex: 20 minutos de atividade, 40 minutos de repouso). 2
  • Evitar "boom-bust cycle": Não fazer atividades excessivas em dias bons, pois isso precipita crashes. 2, 5
  • Terapia cognitivo-comportamental: Para manejo de ansiedade antecipatória e catastrofização sobre sintomas. 6, 4

Prognóstico e Expectativas Realistas

Evidências de Reversibilidade

  • Seu caso demonstra reversibilidade clara: A melhora dramática na clínica (musculação, pular corda, leitura prolongada) prova que o sistema nervoso não está estruturalmente danificado. 2, 5
  • Período pós-clínica: Você manteve função melhorada por semanas/meses, não dias, indicando capacidade de sustentação. 2
  • Recaída recente: Foi precipitada por uso excessivo de celular (violação de "pacing"), não por progressão de doença. 2, 5

Tempo de Recuperação Esperado

  • Descontinuação de benzodiazepínicos: 6-12 meses para redução completa, com melhora cognitiva gradual ao longo de 6-24 meses após descontinuação. 1, 3, 9
  • Recuperação autonômica: 6-18 meses após descontinuação de medicamentos e implementação de medidas de suporte. 2, 5
  • Dessensibilização sensorial: 12-24 meses de exposição gradual controlada. 2, 5
  • Importante: A recuperação não será linear; haverá flutuações e recaídas temporárias, especialmente durante redução de medicamentos. 1, 2

Fatores Prognósticos Favoráveis no Seu Caso

  • Idade relativamente jovem (34 anos)
  • Ausência de doença neurodegenerativa subjacente
  • Demonstração clara de reversibilidade funcional
  • Gatilho identificável (não idiopático)
  • Motivação e insight sobre o problema

Fatores que Podem Complicar Recuperação

  • Duração prolongada de uso de benzodiazepínicos (7 anos)
  • Doses altas nos últimos 2 anos
  • Sensibilização neural estabelecida
  • Padrão de "boom-bust" (uso excessivo em dias bons)
  • Ansiedade antecipatória sobre sintomas

Armadilhas Críticas a Evitar

  • Não descontinuar benzodiazepínicos abruptamente: Risco de convulsões, delirium e piora dramática de sintomas autonômicos. 1
  • Não adicionar mais medicamentos psicotrópicos: Risco de interações farmacológicas e prolongamento de QTc. 6
  • Não interpretar flutuações como progressão de doença: Flutuações são esperadas e não indicam degeneração. 2, 5
  • Não violar "pacing" em dias bons: Uso excessivo precipita crashes e perpetua sensibilização. 2, 5
  • Não buscar diagnóstico de SFC/ME como explicação primária: Seu quadro é secundário a medicamentos e sensibilização, não doença primária. 2, 5

Mensagem Final

Seu quadro é reversível, mas requer tempo, paciência e manejo farmacológico cuidadoso. 1, 2, 9 A prioridade absoluta é a descontinuação gradual e segura dos benzodiazepínicos, que são o fator iatrogênico central perpetuando sua disfunção. 1, 3 A pregabalina pode ser uma ferramenta útil nesta transição. 9 A desautonomia e sensibilização sensorial são consequências secundárias que melhorarão gradualmente após remoção do fator perpetuante. 2, 5 Você já demonstrou capacidade de recuperação funcional significativa; o desafio agora é sustentar essa recuperação através de manejo farmacológico apropriado e "pacing" rigoroso. 2, 5

References

Research

Dysautonomia: A Forgotten Condition - Part 1.

Arquivos brasileiros de cardiologia, 2021

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The effects of benzodiazepines on cognition.

The Journal of clinical psychiatry, 2005

Guideline

Guideline Directed Topic Overview

Dr.Oracle Medical Advisory Board & Editors, 2025

Guideline

Benzodiazepine Classification and Clinical Use

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2025

Guideline

Risks of Long-Term Ativan Use

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2025

Guideline

Management of Delirium and Urological Complications in Patients with Self-Removed Suprapubic Catheter

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2026

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