Esofagite Associada ao Tabagismo: Abordagem Terapêutica
O tratamento prioritário para esofagite associada ao tabagismo consiste em cessação imediata do tabagismo combinada com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose dupla diária por 8-12 semanas.
Cessação do Tabagismo
A cessação do tabagismo é absolutamente essencial e deve ser iniciada imediatamente, pois:
- O tabagismo aumenta diretamente os episódios de refluxo gastroesofágico e a exposição ácida esofágica 1, 2
- A cessação imediata reduz significativamente o número de episódios de refluxo diários, especialmente na posição vertical (de 57 para 28,5 episódios) 3
- O tabagismo é um determinante independente de esofagite erosiva, com risco aumentado mesmo em fumantes leves 2
- Fumantes que pararam há menos de 9 anos mantêm risco elevado (OR 1.84), indicando que a cessação precoce é crítica 2
- A cessação do tabagismo pode melhorar a sobrevida a longo prazo, diminuir efeitos colaterais e reduzir o risco de desenvolver cânceres secundários 4
Estratégia de Cessação
- Programas que incluem múltiplos tratamentos são mais eficazes que intervenções únicas 5
- Fumantes mais pesados e dependentes devem ser encaminhados para programas formais de cessação após várias tentativas 5
- Considere terapia de reposição de nicotina (adesivos transdérmicos ou goma) para fumantes com forte dependência fisiológica 5
Tratamento Farmacológico com IBP
Inicie imediatamente omeprazol 20-40 mg ou lansoprazol 30 mg duas vezes ao dia por 8-12 semanas 4, 6, 7:
- Os IBPs são o tratamento de primeira linha mais eficaz para cicatrização da esofagite e alívio sintomático 7
- A dosagem duas vezes ao dia é essencial em pacientes tabagistas, pois eles tipicamente apresentam exposição ácida noturna grave 7
- A terapia deve durar pelo menos 8-12 semanas antes de avaliar a resposta histológica 6, 7
Armadilha Comum a Evitar
- Nunca use IBP uma vez ao dia inicialmente em pacientes tabagistas com esofagite - a farmacodinâmica dos IBPs e a exposição ácida aumentada pelo tabagismo exigem dosagem duas vezes ao dia 7
Avaliação da Resposta ao Tratamento
- Realize endoscopia digestiva alta de controle com biópsia em 8-12 semanas enquanto o paciente ainda está em uso de IBP 7
- Não confie apenas na melhora sintomática para avaliar a cicatrização - os sintomas podem não correlacionar com o estado de cicatrização da mucosa 7
- A endoscopia inicial deve documentar a presença e gravidade do dano mucoso esofágico, avaliar esofagite erosiva, estenoses ou esôfago de Barrett 7
Terapia de Manutenção
Após cicatrização documentada:
- Continue terapia de manutenção com IBP indefinidamente com lansoprazol 15-30 mg diariamente ou omeprazol 20 mg diariamente para prevenir recorrência 7
- Em pacientes que alcançam resposta histológica, a terapia com IBP é eficaz em manter a remissão 6
- Considere redução de dose após resposta inicial, mas mantenha terapia contínua 6
Considerações Especiais
Se Houver Suspeita de Esofagite Eosinofílica Concomitante
Caso a biópsia revele eosinofilia esofágica (improvável em contexto puramente tabágico, mas possível):
- Mantenha IBP duas vezes ao dia por 8-12 semanas como primeira linha 4, 6
- Se resposta inadequada aos IBPs, considere corticosteroides tópicos 4
- Repita endoscopia com biópsia se os sintomas recorrerem durante o tratamento 4
Caso de Vaping (Cigarro Eletrônico)
- O vaping está associado a esofagite grave (Grau C de Los Angeles), similar ao tabagismo convencional 8
- O mecanismo de lesão pode ser parcialmente devido aos efeitos da nicotina 8
- Aplique o mesmo protocolo de tratamento: cessação imediata + IBP intravenoso se odinofagia grave, seguido de IBP oral 8