What is the management for post-operative bleeding after cardiac surgery?

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Manejo do Sangramento Pós-Operatório em Cirurgia Cardíaca

O manejo do sangramento pós-operatório em cirurgia cardíaca deve priorizar a manutenção da permeabilidade dos drenos torácicos sem quebrar o campo estéril, avaliação guiada por testes point-of-care (como tromboelastografia), e reposição direcionada de fatores de coagulação específicos ao invés de plasma fresco congelado. 1, 2

Prevenção Primária: Antifibrinolíticos

  • Os análogos de lisina (ácido tranexâmico ou ácido épsilon-aminocapróico) devem ser administrados profilaticamente para reduzir o sangramento pós-operatório e a necessidade de transfusões, sem aumentar complicações tromboembólicas, AVC ou insuficiência renal. 1

  • Em pacientes pediátricos, múltiplos estudos randomizados demonstraram redução significativa de sangramento, transfusões e reexplorações cirúrgicas com o uso destes agentes. 1

  • A dose típica de ácido tranexâmico varia de 10-100 mg/kg como dose de ataque, com ou sem infusão contínua, dependendo do protocolo institucional. 1

Manutenção da Permeabilidade dos Drenos

  • A permeabilidade dos drenos torácicos deve ser mantida ativamente sem quebrar o campo estéril, pois drenos obstruídos ocorrem em até 36% dos pacientes e podem causar tamponamento cardíaco ou hemotórax. 1

  • Não se deve realizar "ordenha" (stripping) dos drenos torácicos, pois esta técnica demonstrou ser ineficaz e potencialmente prejudicial em meta-análises. 1

  • Métodos de clearance ativo dos drenos demonstraram reduzir a necessidade de reintervenções por sangue retido e diminuir a incidência de fibrilação atrial pós-operatória. 1

  • Os drenos podem ser removidos com segurança assim que a drenagem se torna macroscopicamente serosa. 1

Diagnóstico Guiado por Testes Point-of-Care

  • A tromboelastografia (TEG) deve ser utilizada para guiar o diagnóstico e tratamento em pacientes com sangramento ativo, permitindo terapia direcionada e diferenciação entre sangramento microvascular e cirúrgico. 3, 2

  • A implementação de TEG resultou em redução significativa do sangramento pós-operatório (p=0,006) e aumento apropriado no uso de concentrados de plaquetas quando indicado. 2

  • Testes de função plaquetária devem ser utilizados para determinar o momento ideal da cirurgia em pacientes em uso de antiagregantes, resultando em redução significativa de sangramento (p=0,001), reexploração cirúrgica (p=0,002) e transfusões. 2

Estratégia de Reposição de Fatores

  • Uma estratégia livre de plasma fresco congelado (FFP), utilizando concentrado de complexo protrombínico e concentrado de fibrinogênio, deve ser preferida quando possível. 2

  • Esta abordagem demonstrou redução significativa do sangramento pós-operatório (p=0,005) e das transfusões de FFP (p=0,001). 2

  • As transfusões de concentrados de plaquetas permanecem insubstituíveis no cenário atual e podem ser necessárias com maior frequência quando se utiliza abordagem guiada por testes. 2

Estratégia Transfusional Restritiva

  • Em pacientes pós-operatórios de cirurgia cardíaca na UTI, deve-se adotar estratégia transfusional restritiva com limiar de hemoglobina entre 7,5-8,0 g/dL, reduzindo a taxa de transfusões sem aumentar morbimortalidade. 1

  • Três grandes ensaios clínicos randomizados e múltiplas meta-análises (incluindo 8.838-8.886 pacientes) demonstraram não-inferioridade da estratégia restritiva comparada à liberal (limiar 9,0-10,0 g/dL) em termos de mortalidade em 30 dias e 6 meses. 1

  • Não houve diferença significativa em eventos adversos incluindo infarto do miocárdio, arritmias, AVC, insuficiência renal aguda ou infecções entre as estratégias. 1

Indicações para Reexploração Cirúrgica

  • O sangramento maior (>1.000-1.500 mL nas primeiras horas ou >200-300 mL/hora persistente) é um preditor independente de mortalidade operatória (OR 3,45; IC 95% 2,78-4,28). 4

  • A reexploração cirúrgica está associada a mortalidade aproximadamente três vezes maior que pacientes não reoperados. 5

  • O tempo médio para reexploração foi 155 minutos mais longo em não-sobreviventes comparado a sobreviventes, sugerindo que a decisão de reexplorar não deve ser postergada quando indicada. 5

Fatores de Risco para Sangramento Grave

  • Baixa fração de ejeção, EuroSCORE elevado, procedimentos além de revascularização miocárdica isolada, tempo prolongado em circulação extracorpórea, baixo índice de massa corporal, diabetes mellitus e creatinina sérica elevada pré-operatória são preditores significativos de reexploração por sangramento. 5

  • A tríade mortal de sangramento maior, anemia pré-operatória e transfusões de hemácias atua com efeito multiplicativo na mortalidade operatória. 4

Prevenção de Hipotermia

  • A hipotermia persistente (temperatura <36°C por 2-5 horas após admissão na UTI) deve ser prevenida ativamente, pois está associada a aumento de sangramento, infecção, tempo de internação prolongado e morte. 1

  • Utilizar cobertores de ar forçado, elevar a temperatura ambiente da sala e aquecer fluidos de irrigação e intravenosos. 1

Armadilhas Comuns

  • Evitar o uso rotineiro de heparina no pós-operatório imediato devido ao risco aumentado de sangramento, reservando-a apenas para pacientes de alto risco tromboembólico (história de AVC ou ataque isquêmico transitório). 1

  • Não utilizar vitamina K para reversão urgente de anticoagulantes orais, pois o efeito não é imediato e pode atrasar significativamente o retorno a níveis terapêuticos de anticoagulação quando reiniciada. 1

  • O fator VIIa recombinante pode ser salvador em situações extremas, mas ensaios clínicos randomizados são necessários para confirmar segurança antes de uso como terapia de primeira linha. 3

References

Guideline

Guideline Directed Topic Overview

Dr.Oracle Medical Advisory Board & Editors, 2025

Research

Prediction and management of bleeding in cardiac surgery.

Journal of thrombosis and haemostasis : JTH, 2009

Research

Reoperation for bleeding in cardiac surgery.

Interactive cardiovascular and thoracic surgery, 2012

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