What are the key considerations in managing a patient with ascitic fluid, especially with liver disease?

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Considerações Importantes ao Apresentar Líquido Ascítico

Todo paciente cirrótico com ascite nova ou internação hospitalar deve realizar paracentese diagnóstica imediatamente para estabelecer a etiologia e excluir peritonite bacteriana espontânea, que apresenta alta mortalidade. 1, 2

Avaliação Diagnóstica Inicial

Paracentese Diagnóstica Obrigatória

  • Realize paracentese diagnóstica em toda admissão hospitalar de paciente cirrótico com ascite, mesmo sem sinais de infecção, pois a peritonite bacteriana espontânea pode ser assintomática 1, 2

  • Repita a paracentese imediatamente se houver sinais de infecção peritoneal, encefalopatia inexplicada, insuficiência renal ou leucocitose periférica sem fator precipitante 1

  • Inocule o líquido ascítico em frascos de hemocultura à beira do leito antes de iniciar antibióticos para maximizar a sensibilidade diagnóstica 1, 2

Exames Laboratoriais Essenciais

  • Solicite contagem celular com diferencial, albumina do líquido ascítico e albumina sérica para calcular o gradiente de albumina soro-ascite (GASA) 1, 2

  • GASA ≥1 g/dL indica hipertensão portal com 97% de acurácia, enquanto GASA <1 g/dL sugere causas não relacionadas à hipertensão portal 1, 2

  • Proteína total do líquido ascítico <1,5 g/dL identifica pacientes de alto risco para peritonite bacteriana espontânea que podem necessitar profilaxia 1

Tratamento Médico de Primeira Linha

Restrição de Sódio

  • Restrinja o sódio a 5-6,5 g/dia (87-113 mmol/dia), o que equivale a uma dieta sem adição de sal e evitando alimentos pré-preparados 1, 2

  • Não restrinja líquidos rotineiramente, a menos que o sódio sérico caia abaixo de 120-125 mmol/L com hipervolemia clínica 1, 2

  • A perda de peso correlaciona-se diretamente com o balanço de sódio, sendo a restrição de sódio, não de líquidos, que impulsiona a diurese 2

Terapia Diurética

  • Inicie com espironolactona 100 mg/dia como monoterapia em pacientes com primeira apresentação de ascite moderada, pois o hiperaldosteronismo secundário é o principal mecanismo de retenção de sódio 1, 2

  • Adicione furosemida 40 mg/dia se a espironolactona isolada for insuficiente ou se houver hipercalemia, mantendo uma proporção aproximada de 100:40 1, 2

  • Aumente gradualmente até doses máximas de 400 mg/dia de espironolactona e 160 mg/dia de furosemida se necessário 1, 2

  • Em pacientes com ascite recorrente grave ou hospitalizados, inicie terapia combinada desde o início para diurese mais rápida 1

  • Monitore rigorosamente eletrólitos e função renal, pois quase metade dos pacientes desenvolve eventos adversos que requerem descontinuação ou redução de dose 1

Manejo da Hiponatremia

  • Sódio sérico 126-135 mmol/L com creatinina normal: Continue diuréticos, mas monitore eletrólitos frequentemente; não restrinja líquidos 1, 2

  • Sódio sérico 121-125 mmol/L com creatinina normal: Opinião internacional sugere continuar diuréticos, mas abordagem mais cautelosa é suspendê-los 1

  • Sódio sérico 121-125 mmol/L com creatinina elevada (>150 mmol/L ou >120 mmol/L e subindo): Suspenda diuréticos e realize expansão volêmica com albumina ou coloide 1, 3

  • **Sódio sérico <120 mmol/L**: Suspenda diuréticos e realize expansão volêmica, mas evite aumentar o sódio em >12 mmol/L por 24 horas para prevenir mielinólise pontina central 1, 3

  • Reserve solução salina hipertônica (3%) apenas para pacientes gravemente sintomáticos com hiponatremia aguda, corrigindo lentamente 1

Paracentese de Grande Volume

Indicações e Técnica

  • Realize paracentese de grande volume (>5 L) como tratamento de primeira linha para ascite tensa, proporcionando alívio sintomático rápido 1, 2

  • Considere orientação ultrassonográfica quando disponível para reduzir o risco de eventos adversos 1

  • Não solicite rotineiramente tempo de protrombina ou contagem de plaquetas antes da paracentese, e não infunda hemoderivados profilaticamente 1

  • Obtenha consentimento informado antes de realizar paracentese terapêutica ou diagnóstica 1

Expansão Volêmica Pós-Paracentese

  • Administre albumina (solução 20% ou 25%) na dose de 8 g/L de ascite removida após paracentese >5 L para prevenir disfunção circulatória pós-paracentese, que aumenta a mortalidade 1, 2

  • Para paracentese <5 L, considere albumina em pacientes com insuficiência hepática aguda sobre crônica ou alto risco de lesão renal aguda 1

  • Expansores plasmáticos sintéticos (150-200 mL de gelatina) podem ser usados em vez de albumina para paracentese <5 L em ascite não complicada 1, 2

Ascite Refratária

Definição e Abordagem

  • Ascite refratária é definida como sobrecarga de líquidos não responsiva a doses máximas de diuréticos ou recorrência rápida após paracentese terapêutica 2

  • Paracentese seriada de grande volume a cada 2-3 semanas com infusão de albumina permanece a abordagem paliativa mais comum 2

  • Considere TIPS (shunt portossistêmico intra-hepático transjugular) em pacientes com ascite refratária, mas com cautela em pacientes >70 anos, bilirrubina >50 μmol/L, plaquetas <75×10⁹/L, MELD ≥18, encefalopatia atual, infecção ativa ou síndrome hepatorrenal 1, 2

  • Transplante hepático é a única opção curativa e deve ser considerado para todos os pacientes com ascite refratária, independentemente do escore MELD 1, 2

Peritonite Bacteriana Espontânea

Diagnóstico e Tratamento

  • Inicie antibióticos empíricos imediatamente se a contagem de neutrófilos no líquido ascítico for >250 células/mm³, antes dos resultados da cultura 1, 2

  • Cefalosporinas de terceira geração (cefotaxima) são a terapia de primeira linha mais extensivamente estudada 1

  • Administre albumina 1,5 g/kg dentro de 6 horas do diagnóstico, seguida de 1 g/kg no dia 3 em pacientes com peritonite bacteriana espontânea e sinais de insuficiência renal para prevenir síndrome hepatorrenal 1, 3

Profilaxia

  • Após recuperação de um episódio de peritonite bacteriana espontânea, forneça profilaxia contínua com norfloxacino 400 mg/dia ou ciprofloxacino 500 mg/dia 1, 2, 3

  • Considere profilaxia primária em pacientes de alto risco com proteína ascítica <1,5 g/dL, mas guie a escolha do antibiótico pelos padrões locais de resistência 1

Medicações que DEVEM SER EVITADAS

Contraindicações Absolutas

  • Evite anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) pois reduzem a excreção urinária de sódio, induzem azotemia e podem converter pacientes sensíveis a diuréticos em refratários 2

  • Descontinue inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores de angiotensina pois pioram a hipotensão em pacientes cirróticos 2

Doença Hepática Alcoólica

  • A cessação do álcool é a intervenção isolada mais eficaz para cirrose alcoólica com ascite, com aproximadamente 75% de sobrevida em 3 anos em pacientes abstinentes versus 0% naqueles que continuam bebendo 1, 2

  • A abstinência pode resultar em melhora dramática mesmo em doença avançada, tornando a ascite mais responsiva à terapia médica 2

Prognóstico e Avaliação para Transplante

  • O desenvolvimento de ascite marca um marco crítico com aproximadamente 20% de mortalidade no primeiro ano após o diagnóstico 2

  • Considere transplante hepático em todos os pacientes com ascite cirrótica, preferencialmente antes do desenvolvimento de disfunção renal para não comprometer ainda mais o prognóstico 1, 2, 4

  • Todos os pacientes com peritonite bacteriana espontânea devem ser considerados para encaminhamento para transplante hepático 1

References

Guideline

Guideline Directed Topic Overview

Dr.Oracle Medical Advisory Board & Editors, 2025

Guideline

Management of Ascites in Cirrhosis

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2026

Guideline

Management of Acute Tubular Necrosis in Chronic Liver Disease

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2026

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