Não é necessário suspender azatioprina ou mesalazina ao iniciar tofacitinibe
Para pacientes com artrite reumatoide iniciando tofacitinibe, não há necessidade de suspender azatioprina ou mesalazina, porém deve-se considerar cuidadosamente o risco aumentado de infecções com terapia combinada, especialmente em pacientes com histórico de infecções. 1
Contexto sobre Terapia Combinada e Risco de Infecção
Risco de Infecção com Imunossupressores
- Imunossupressores comumente usados em doenças reumáticas (incluindo azatioprina) estão associados a risco aumentado de infecções, especialmente quando usados em combinação 1
- A idade é um fator de risco independente para infecções oportunistas em pacientes recebendo imunossupressores 1
- Pacientes com histórico de infecções graves devem ser considerados de alto risco ao usar terapia combinada 2
Evidência sobre Azatioprina em Artrite Reumatoide
- Estudos randomizados duplo-cegos mostraram taxa de infecção de 7% em pacientes com artrite reumatoide tratados com azatioprina, similar ao metotrexato, com a maioria das infecções ocorrendo nos primeiros 18 meses 1
- A descontinuação de azatioprina em pacientes estáveis resulta em deterioração clínica significativa, com 15 de 16 pacientes apresentando exacerbação marcada da doença após 3-8 semanas 3
Recomendações Específicas para Tofacitinibe
Perfil de Segurança do Tofacitinibe
- Tofacitinibe tem perfil de tolerabilidade geralmente similar aos DMARDs biológicos, com infecções sendo os eventos adversos mais comuns 4
- A incidência de herpes zoster é significativamente maior com tofacitinibe comparado à população geral com artrite reumatoide, embora as infecções sejam clinicamente manejáveis 4
- Tofacitinibe demonstrou eficácia em monoterapia e em terapia combinada com DMARDs sintéticos convencionais por até 96 meses 4
Considerações sobre Mesalazina
- Mesalazina (5-ASA) não é contraindicada com terapia imunossupressora 1
- Pacientes com doença inflamatória intestinal recebendo azatioprina relataram significativamente mais episódios de herpes cutâneo ou genital comparados a pacientes em mesalazina 1
Algoritmo de Decisão Clínica
Avaliação Pré-Tratamento
Avaliar fatores de risco para infecção:
Screening para infecções latentes:
Estratégia de Manejo
Para pacientes de baixo risco (sem histórico de infecções graves, idade <65 anos, sem comorbidades significativas):
- Continuar azatioprina e mesalazina ao iniciar tofacitinibe 1
- Monitorar sinais de infecção rigorosamente nos primeiros 6 meses 1
Para pacientes de alto risco (histórico de infecções, idade >65 anos, múltiplas comorbidades):
- Considerar reduzir dose de azatioprina (≤3.0 mg/kg/dia é considerado menos imunossupressor) 1
- Evitar corticosteroides em doses ≥20 mg/dia de prednisona equivalente 1
- Considerar profilaxia antiviral para herpes zoster dado o risco aumentado com tofacitinibe 4
Monitoramento Durante Tratamento
- Suspender temporariamente todos os imunossupressores durante infecção grave ou que não responde ao tratamento padrão 5
- Reiniciar terapia quando a infecção estiver completamente resolvida 5
- Monitorar hemograma completo regularmente para avaliar neutropenia ou outras citopenias 5
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não descontinuar azatioprina abruptamente em pacientes estáveis, pois isso resulta em deterioração clínica significativa em 93% dos casos 3
- Não subestimar o risco de herpes zoster com tofacitinibe - considerar profilaxia ou vacinação prévia 4
- Não combinar múltiplos imunossupressores com corticosteroides em altas doses sem necessidade absoluta, pois o risco de infecção é substancial 2
- Evitar antibióticos antifolato (trimetoprim-sulfametoxazol) se o paciente também estiver usando metotrexato, devido ao risco de supressão medular grave 6