Olanzapina é Segura em Doentes Renais?
Sim, a olanzapina pode ser utilizada com segurança em doentes com insuficiência renal sem necessidade de ajuste de dose, uma vez que é extensivamente metabolizada pelo fígado antes da excreção e apenas 7% é excretada inalterada pelos rins. 1
Farmacocinética em Insuficiência Renal
A olanzapina apresenta características farmacocinéticas favoráveis para uso em doentes renais:
A olanzapina é altamente metabolizada antes da excreção, com apenas 7% do fármaco excretado inalterado na urina, tornando improvável que a disfunção renal isolada tenha impacto significativo na sua farmacocinética. 1
As características farmacocinéticas da olanzapina foram semelhantes em doentes com insuficiência renal grave e indivíduos normais, indicando que não é necessário ajuste de dose baseado no grau de insuficiência renal. 1
A olanzapina não é removida por diálise, pelo que não são necessários suplementos de dose após sessões de hemodiálise. 1
Dados de Estudos Clínicos
Estudos recentes confirmam a segurança, embora com algumas considerações:
Um estudo de 2019 demonstrou que doentes com insuficiência renal grave (TFG estimada 15-29 mL/min/1,73 m²) apresentaram um aumento de 1,51 vezes na AUC e 1,32 vezes na Cmax da olanzapina comparativamente a controlos saudáveis, com redução de 33% na clearance. 2
Modelação farmacocinética fisiológica de 2021 previu aumentos na AUC da olanzapina em estado estacionário de 1,2 vezes (insuficiência ligeira), 1,5 vezes (moderada) e 1,6 vezes (grave) relativamente a controlos saudáveis. 3
Apesar destes aumentos modestos na exposição, a olanzapina foi geralmente bem tolerada em doentes com insuficiência renal grave, com perfil de segurança consistente com outros estudos clínicos. 2
Recomendações Práticas
Quando Usar Sem Ajuste de Dose
Doentes com qualquer grau de insuficiência renal podem iniciar olanzapina nas doses habituais, pois o ajuste de dose baseado na função renal não é necessário. 1
A dose inicial típica de 5-10 mg/dia pode ser utilizada sem modificação em doentes renais. 1
Precauções Importantes
Embora não seja necessário ajuste de dose pela função renal, deve ter-se atenção a:
Doentes idosos com insuficiência renal requerem doses iniciais mais baixas devido à sensibilidade relacionada com a idade (não pela função renal), com semi-vida de eliminação aproximadamente 1,5 vezes superior. 1
A combinação de múltiplos fatores (idade avançada, sexo feminino, não fumador) pode resultar em metabolismo significativamente mais lento, podendo necessitar de modificação de dose. 1
A olanzapina deve ser usada com precaução em idosos devido ao risco aumentado de morte em doentes com psicose relacionada com demência (aviso em caixa), e precauções adicionais para diabetes tipo II e hiperglicemia. 4
Monitorização
Não é necessária monitorização da função renal para ajuste de dose da olanzapina, ao contrário de fármacos como a gabapentina que requerem ajuste rigoroso baseado na clearance de creatinina. 5, 1
O efeito da insuficiência renal na eliminação de metabolitos não foi estudado, mas os metabolitos principais (10-N-glucuronido e 4'-N-desmetil olanzapina) carecem de atividade farmacológica. 1
Armadilhas Comuns a Evitar
Não confundir olanzapina com benzodiazepinas ou outros fármacos que requerem ajuste em insuficiência renal - a olanzapina tem via metabólica predominantemente hepática. 1
Evitar combinação de olanzapina em doses elevadas com benzodiazepinas, pois causou fatalidades por sedação excessiva e depressão respiratória. 6
Ter atenção a interações medicamentosas que afetam o metabolismo hepático (CYP1A2 e CYP2D6), como fluvoxamina (aumenta níveis) ou carbamazepina e tabagismo (diminuem níveis). 7