Interpretação e Manejo do Trauma Craniofacial com Hematoma Fronto-Temporal e Possível Lesão Dural
Interpretação dos Achados da TC
Este paciente apresenta um trauma craniofacial significativo com hematoma volumoso de partes moles fronto-temporal e periorbitário esquerdo, alteração do trabeculado ósseo fronto-têmporo-parietal com possível coleção/espessamento dural adjacente, exigindo avaliação neurocirúrgica urgente e TC de crânio complementar para excluir lesão intracraniana.
Achados Críticos que Requerem Atenção Imediata
Hematoma volumoso de partes moles: Indica trauma de alta energia na região fronto-temporal e periorbitária esquerda, sugerindo mecanismo contusional significativo 1
Alteração do trabeculado ósseo fronto-têmporo-parietal: A alteração óssea associada a coleção/espessamento dural adjacente levanta preocupação para fratura com possível lesão dural subjacente 1, 2
Sinusopatia: O espessamento mucoso dos seios frontal, maxilares e células etmoidais pode ser incidental ou relacionado ao trauma 1
Avaliação Complementar Obrigatória
TC de Crânio Sem Contraste - URGENTE
A TC de crânio sem contraste deve ser realizada imediatamente, pois 56-87% dos pacientes com fraturas do osso frontal apresentam lesões intracranianas associadas, e 8-10% requerem intervenção neurocirúrgica para hematoma subdural ou epidural 1, 2.
- A TC de crânio é complementar à TC maxilofacial para caracterização completa da lesão 1
- Procurar especificamente: hematoma epidural, subdural, contusões cerebrais, hemorragia subaracnóidea, pneumocéfalo, e fraturas da tábua posterior do seio frontal 1, 2
- Avaliar sinais de hipertensão intracraniana 3, 4
Avaliação da Coluna Cervical
- Lesões da coluna cervical estão presentes em 6-19% dos casos com trauma maxilofacial significativo 1, 2
- A gravidade do trauma maxilofacial correlaciona-se com maior probabilidade de lesão cervical 1
Manejo Baseado nos Achados
Se Confirmada Fratura do Osso Frontal com Lesão Dural
Fraturas com envolvimento da tábua posterior e lesão dural requerem exploração cirúrgica via craniotomia bifrontal com cranialização ou obliteração do seio, especialmente se houver fístula liquórica ou obstrução do ducto nasofrontal 2.
- Fraturas deslocadas da tábua posterior implicam ruptura da dura subjacente e comunicação entre o seio frontal e a fossa craniana anterior 1, 2
- O envolvimento do ducto nasofrontal requer intervenção cirúrgica para prevenir formação de mucocele e osteomielite 1, 2
- Fraturas através do aspecto medial do assoalho do seio frontal tipicamente envolvem a lâmina cribriforme, exigindo vigilância aumentada para fístula liquórica 1, 2
Avaliação de Trombose do Seio Dural
A coleção/espessamento dural adjacente à alteração óssea levanta preocupação para possível trombose do seio dural traumática, uma complicação rara mas potencialmente devastadora que pode levar a infarto hemorrágico, epilepsia, déficits neurológicos ou morte 3, 4, 5.
- Considerar angiotomografia ou angioressonância se houver deterioração neurológica, convulsões, ou sinais de hipertensão intracraniana progressiva 3, 4, 5
- O diagnóstico precoce pode prevenir desfechos potencialmente tratáveis 3
- Casos pediátricos e adultos jovens podem apresentar trombose do seio dural mesmo sem fratura sobrejacente 5
Armadilhas Comuns e Precauções
Não Subestimar o Trauma
- Forças necessárias para criar fraturas do osso frontal são de alta energia: Comumente associadas a choque, lesão cerebral, coma e fraturas faciais adicionais em 75% dos casos 1
- A tábua posterior é fina e delicada, facilmente fraturada apesar da capacidade da tábua anterior de suportar até 1.000 kg de força 2
Monitoramento Rigoroso
- Pacientes com hematomas de partes moles volumosos e alterações ósseas podem ter lesão cerebral significativa mesmo com exame neurológico normal 1
- Deterioração neurológica pode ocorrer horas após o trauma inicial 1
- Convulsões podem indicar lesão intracraniana subjacente ou trombose do seio dural 5, 6
Avaliação de Sinais de Alerta
- Vômitos: Indicador de possível lesão intracraniana 1
- Alteração do nível de consciência: Requer TC de crânio imediata 1
- Convulsões: Podem indicar lesão intracraniana ou trombose do seio dural 5, 6
- Sinais de fístula liquórica: Rinorreia clara, sinal do halo, indicam fratura da base do crânio 1, 2
Timing Cirúrgico
- O tratamento definitivo deve ser realizado o mais precocemente possível após estabilização das lesões que ameaçam a vida 2
- O manejo de hemorragia contínua ou hipertensão intracraniana tem precedência sobre o reparo da fratura do osso frontal 2
- A redução de fraturas deve ocorrer dentro de 2 semanas para resultados ótimos 7