Tratamento da Hiperhidrose Secundária ao Uso de Medicações
A primeira abordagem para hiperhidrose secundária a medicamentos é identificar e, quando possível, substituir ou descontinuar o agente causador, seguido por tratamento sintomático escalonado começando com cloreto de alumínio tópico.
Identificação e Manejo do Agente Causador
Medicações Comumente Associadas
- Diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida) podem causar fotossensibilidade e reações cutâneas em áreas expostas ao sol, incluindo sudorese excessiva 1
- Amiodarona causa fotossensibilidade em >50% dos pacientes tratados, com sensação de queimação e formigamento na pele exposta ao sol 1
- Inibidores da ECA, betabloqueadores e antagonistas de aldosterona são medicações cardiovasculares que podem contribuir para alterações na termorregulação 1
Estratégia de Substituição Medicamentosa
- Quando a hiperhidrose é secundária a diuréticos, considere trocar tiazídicos por diuréticos de alça com melhor perfil de efeitos colaterais cutâneos 1
- Para pacientes em amiodarona, avalie com o cardiologista a possibilidade de antiarrítmicos alternativos 1
- Importante: Nunca descontinue medicações cardiovasculares sem supervisão médica adequada, pois os riscos de morbidade e mortalidade cardiovascular superam os desconfortos da hiperhidrose 1
Algoritmo de Tratamento Sintomático
Primeira Linha: Tratamento Tópico
- Cloreto de alumínio tópico é o tratamento inicial recomendado para hiperhidrose focal primária e secundária 2, 3, 4
- Aplicação noturna em áreas afetadas (axilas, palmas, plantas) 5
- Limitação: Pode causar irritação cutânea e tem meia-vida curta, requerendo aplicações frequentes 6, 5
Segunda Linha: Toxina Botulínica
- Injeções de onabotulinumtoxinA são consideradas tratamento de primeira ou segunda linha para hiperhidrose axilar, palmar, plantar ou craniofacial 3
- Eficácia comprovada com duração de 3-6 meses 2, 6
- Desvantagem: Custo elevado, necessidade de repetição a cada 3-6 meses, e dor associada ao procedimento 2
Terceira Linha: Medicações Sistêmicas
Para Hiperhidrose Palmoplantar
- Glicopirrolato oral 1-2 mg uma ou duas vezes ao dia é preferível à clonidina 0,1 mg duas vezes ao dia 2
- Vantagens: Baixo custo, conveniência, e literatura emergente suportando segurança e eficácia razoável 2
- Limitação crítica: A dose necessária para controlar a sudorese pode causar efeitos anticolinérgicos significativos (boca seca, visão turva, constipação, retenção urinária) 6, 4
Para Hiperhidrose Craniofacial
- Medicações orais (glicopirrolato ou clonidina) são consideradas tratamento de primeira linha 2
- Glicopirrolato tópico é tratamento de primeira linha especificamente para sudorese craniofacial 3
Quarta Linha: Iontoforese
- Iontoforese com água da torneira é recomendada para hiperhidrose palmoplantar 2, 3, 4
- Método simples e bem tolerado sem efeitos adversos a longo prazo 6
- Adição de substâncias anticolinérgicas à água produz sucesso terapêutico mais rápido e duradouro 5
- Desvantagem: Alto custo inicial, inconveniência, e necessidade de tratamentos de manutenção a longo prazo 2, 6
Quinta Linha: Cirurgia
- Simpatectomia torácica endoscópica (ETS) é opção de última linha para casos graves refratários 2, 3, 4
- Complicações importantes: Hiperhidrose compensatória e gustativa, síndrome de Horner, neuralgia - alguns pacientes consideram essas complicações piores que a condição original 6, 4
- Para hiperhidrose axilar, curetagem e liposuçãotumescente axilar são alternativas cirúrgicas mais seguras 4, 5
Armadilhas Comuns a Evitar
Erro Crítico: Descontinuação Inadequada de Medicações
- Nunca descontinue medicações cardiovasculares essenciais (IECA, betabloqueadores, diuréticos em insuficiência cardíaca) sem avaliar risco-benefício com especialista 1
- Pacientes com insuficiência cardíaca reduzida requerem IECA/BRA, betabloqueador e diurético - a descontinuação aumenta morbimortalidade 1
Progressão Terapêutica Inadequada
- Não pule diretamente para cirurgia sem tentar opções conservadoras primeiro 4
- Tratamentos locais com poucos efeitos colaterais devem ser tentados antes de abordagens invasivas 4