Tratamento da Pitiríase
Pitiríase Alba
Para pitiríase alba, o tratamento de primeira linha consiste em corticosteroides tópicos de baixa a moderada potência aplicados duas vezes ao dia por 2-4 semanas, combinados com hidratantes sem álcool e fotoproteção rigorosa. 1
Abordagem Terapêutica Escalonada
Casos Leves:
- Iniciar com hidratantes regulares contendo 5-10% de ureia aplicados pelo menos duas vezes ao dia para restaurar a função de barreira cutânea 1
- Adicionar protetor solar (FPS 15 ou superior) em áreas expostas para prevenir piora da hipopigmentação 1
- Se não houver melhora após 2 semanas, adicionar corticosteroides tópicos de baixa potência 1
Casos Moderados:
- Corticosteroides tópicos de baixa a moderada potência duas vezes ao dia por 2-4 semanas 1
- Uso concomitante de hidratantes e fotoproteção 1
- Hidratantes e fotoproteção devem ser continuados indefinidamente para prevenir recorrência 1
Precauções Importantes
- Evitar preparações contendo álcool, pois pioram a xerose característica da pitiríase alba 1
- Não utilizar tratamentos agressivos para acne, já que pitiríase alba não é seborreica 1
Pitiríase Rósea
Para pitiríase rósea, o tratamento é primariamente sintomático com corticosteroides tópicos ou anti-histamínicos, reservando-se aciclovir oral para casos graves ou quando se deseja encurtar a duração da doença. 2, 3
Manejo Clínico
Casos Típicos (Maioria):
- Reasseguramento do paciente, pois a condição é autolimitada com resolução em 6-8 semanas 2
- Tratamento sintomático com corticosteroides tópicos para controlar prurido 3
- Anti-histamínicos orais para alívio do prurido 3
Casos Graves ou Recorrentes:
- Aciclovir oral pode ser utilizado para reduzir a duração da doença 2, 3
- Fototerapia ultravioleta para casos severos 3
- Eritromicina (macrolídeos) como opção terapêutica 2
Considerações Especiais
- Gestantes com pitiríase rósea requerem intervenção ativa devido ao risco de abortos espontâneos 2, 3
- A ausência da placa heráldica pode dificultar o diagnóstico, sendo importante considerar diagnósticos diferenciais como sífilis secundária 2
Pitiríase Rubra Pilar
Para pitiríase rubra pilar, isotretinoína é o tratamento sistêmico de primeira linha, com metotrexato como segunda linha e biológicos como terceira linha para casos refratários. 4
Algoritmo Terapêutico Baseado em Evidências
Primeira Linha - Retinoides Sistêmicos:
- Isotretinoína: taxa de resposta excelente de 61,1% 4
- Acitretina: taxa de resposta de 24,7%, mas é o único aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos para ictioses congênitas 5
- Dosagem de acitretina deve ser individualizada e prescrita apenas por dermatologistas experientes 5
Segunda Linha - Metotrexato:
- Taxa de resposta excelente de 33,1% 4
- Requer monitoramento para hepatotoxicidade e toxicidade medular 6
Terceira Linha - Terapias Biológicas:
- Taxa de sucesso geral de 51,0% 4
- Ustekinumabe: 62,5% de resposta 4
- Infliximabe: 57,1% de resposta 4
- Etanercepte: 53,3% de resposta 4
- Adalimumabe: 46,4% de resposta 4
Alternativas para Casos Refratários:
- Alitretinoin oral demonstrou melhora significativa em casos recalcitrantes que falharam com acitretina, ciclosporina, metotrexato e adalimumabe 7
Terapias Adjuvantes
Tratamento Tópico:
- Banhos diários mornos (30 minutos ou mais) para remoção de escamas 5
- Hidratantes após o banho 5
- Antissépticos (clorexidina, octenidina, polihexanida) 2-3 vezes por semana em casos com infecções cutâneas recorrentes 5
- Evitar antissépticos à base de iodo devido ao risco de disfunção tireoidiana 5