Hiperplasia Prostática Benigna com Dificuldade de Esvaziamento Vesical
Este paciente apresenta hiperplasia prostática benigna (HPB) com sintomas obstrutivos e deve iniciar tratamento medicamentoso com alfabloqueador, sendo a primeira escolha terapêutica para sintomas moderados a graves. 1
Interpretação dos Achados Clínicos
Volume Prostático
- A próstata de 33,8 cm³ está levemente aumentada, sendo clinicamente significativa quando ultrapassa 30cc 2
- O volume prostático normal é geralmente definido como menor que 20mL 2
- Este grau de aumento prostático, combinado com sintomas, justifica intervenção terapêutica 1
Resíduo Pós-Miccional
- O resíduo vesical de 37,1 mL está dentro de limites aceitáveis e não é clinicamente preocupante 2, 3
- Resíduos pós-miccionais tornam-se significativos quando excedem 100-200 mL 3
- Volumes entre 0-300 mL não predizem resposta à terapia médica 3
- Importante: Este resíduo baixo indica que a bexiga está esvaziando de forma relativamente eficaz, apesar dos sintomas 2
Diagnóstico
O diagnóstico é de sintomas do trato urinário inferior (STUI) secundários à HPB com aumento prostático benigno. 1
- Os termos "paciente com HPB" ou "HPB sintomática" são imprecisos e devem ser evitados 1
- A terminologia correta é "STUI em homens com provável obstrução prostática benigna e aumento glandular" 1
Avaliação Inicial Recomendada
Antes de iniciar tratamento, complete a seguinte avaliação:
- História médica relevante incluindo gravidade dos sintomas, grau de incômodo, e histórico neurológico 1
- Escore de sintomas validado (Índice de Sintomas da AUA ou IPSS) para quantificar objetivamente os sintomas 1
- Exame físico com toque retal para avaliar tamanho prostático e excluir câncer de próstata localmente avançado 1
- Urinálise por fita reagente ou exame microscópico para excluir hematuria e infecção urinária 1
- PSA sérico se expectativa de vida ≥10 anos e se o diagnóstico de câncer de próstata modificaria o manejo 1
- Urofluxometria (opcional mas recomendada) para avaliar objetivamente o fluxo urinário 1, 4
Tratamento Medicamentoso de Primeira Linha
Alfabloqueadores (Escolha Primária)
Inicie tratamento com alfabloqueador imediatamente, pois são a primeira escolha para STUI secundários à HPB. 1
As opções incluem:
- Alfuzosina, doxazosina, tansulosina ou terazosina - todos têm eficácia clínica equivalente 1
- A escolha entre eles baseia-se principalmente no perfil de efeitos adversos 1
- A eficácia é dose-dependente para doxazosina e terazosina 1
- Doses máximas estudadas: doxazosina 8mg, tansulosina 0,8mg, terazosina 10mg 1
Mecanismo de ação: Os alfabloqueadores inibem a contração do músculo liso prostático mediada por receptores alfa-1-adrenérgicos, aliviando a obstrução do colo vesical 1
Efeitos adversos principais: hipotensão ortostática, tontura, astenia, problemas ejaculatórios 1
Inibidores da 5-Alfa-Redutase (Considerar Adicionar)
Considere adicionar finasterida 5mg/dia ou dutasterida, especialmente porque o volume prostático está >30cc. 1, 5, 6
- Os inibidores da 5-alfa-redutase (5-ARI) são eficazes para tratar STUI em homens com provável obstrução prostática benigna com aumento glandular 1
- Reduzem o volume prostático, melhoram os sintomas e as taxas de fluxo urinário 6
- Reduzem o risco de retenção urinária aguda em 67% e a necessidade de cirurgia relacionada à HPB em 64% 5
- A melhora sintomática pode levar 6 meses para ser evidente 5
Terapia Combinada (Mais Eficaz)
A combinação de alfabloqueador + inibidor da 5-alfa-redutase é superior à monoterapia para prevenir progressão da doença. 5
- A terapia combinada (finasterida + doxazosina) reduziu o risco de progressão clínica em 66% comparado ao placebo 5
- Reduziu significativamente o risco comparado à finasterida isolada (34%) ou doxazosina isolada (39%) 5
- A progressão dos sintomas foi reduzida em 64% com terapia combinada 5
Algoritmo de Decisão Terapêutica
Sintomas leves sem incômodo significativo: Vigilância ativa com reavaliação anual 1
Sintomas moderados a graves com incômodo (este caso):
Falha do tratamento medicamentoso:
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não basear decisões de tratamento apenas no volume prostático ou resíduo pós-miccional - o grau de incômodo do paciente é o fator mais importante 8
- Não esperar 6 meses para avaliar resposta aos alfabloqueadores - a melhora deve ocorrer em 2-3 meses 7
- Não iniciar 5-ARI isoladamente em pacientes sintomáticos - alfabloqueadores proporcionam alívio mais rápido 1, 5
- Não assumir que resíduo pós-miccional baixo significa ausência de obstrução - sintomas e incômodo são mais importantes 8, 9
- Não ignorar que disfunção vesical pode contribuir significativamente para os sintomas - nem todos os STUI são devidos à obstrução prostática 8, 9
Monitoramento
- Repetir avaliação de sintomas (IPSS) em 4-6 semanas após início do tratamento 3
- Repetir resíduo pós-miccional em 4-6 semanas se houver preocupação com retenção 3
- Reavaliação anual com escore de sintomas e exame físico 1
- Ultrassom de controle em 1-2 anos para monitorar tamanho prostático 2
Indicações para Cirurgia
Encaminhar para avaliação cirúrgica se o paciente desenvolver 4: