Tratamento do Carcinoma Urotelial de Bexiga Metastático
A combinação de pembrolizumab + enfortumab vedotin é atualmente o regime preferencial de primeira linha para carcinoma urotelial de bexiga metastático, independentemente da elegibilidade para cisplatina, baseado em evidência de categoria 1 que demonstrou sobrevida global mediana de 31,5 meses versus 16,1 meses com quimioterapia. 1
Terapia Sistêmica de Primeira Linha
Regime Preferencial (Categoria 1)
- Pembrolizumab + enfortumab vedotin é o único regime preferencial atual, aplicável tanto para pacientes elegíveis quanto inelegíveis para cisplatina 1
- O estudo EV-302 fase III demonstrou superioridade dramática: sobrevida livre de progressão mediana de 12,5 versus 6,3 meses (HR 0,45) e sobrevida global de 31,5 versus 16,1 meses (HR 0,47) comparado à quimioterapia 1
- Taxa de resposta objetiva de 67,7% versus 44,4% com quimioterapia, incluindo resposta completa em 29,1% versus 12,5% 1
- Eventos adversos grau ≥3 ocorreram em 55,9% dos pacientes (versus 69,5% com quimioterapia), demonstrando perfil de toxicidade favorável 1
Regimes Alternativos para Pacientes Elegíveis para Cisplatina
Se pembrolizumab + enfortumab vedotin não estiver disponível:
- Gencitabina + cisplatina é o regime preferencial histórico para pacientes elegíveis 1, 2
- MVAC dose-densa com suporte de fator de crescimento é alternativa equivalente 1, 2
- Estes regimes proporcionam sobrevida global de 9-15 meses 1
Regimes para Pacientes Inelegíveis para Cisplatina
Critérios de inelegibilidade incluem: doença cardíaca, disfunção renal, neuropatia periférica, diabetes ou outras comorbidades significativas 1
Opções em ordem de preferência:
- Pembrolizumab + enfortumab vedotin (preferencial) 1
- Gencitabina + carboplatina para pacientes aptos para carboplatina mas não para cisplatina 1, 2
- Atezolizumab ou pembrolizumab em monoterapia apenas para pacientes com expressão de PD-L1 positiva ou inelegíveis para qualquer quimioterapia baseada em platina 1
Armadilha crítica: Dados preliminares dos estudos KEYNOTE-361 e IMvigor130 mostraram sobrevida reduzida com inibidores de checkpoint em monoterapia quando PD-L1 é baixo, portanto não utilize esta abordagem em pacientes PD-L1 negativos que possam receber quimioterapia 3
Testagem Molecular Obrigatória
- Realizar testagem molecular/genômica precocemente, idealmente no diagnóstico, para facilitar decisões terapêuticas e evitar atrasos em linhas subsequentes 1
- Testar alterações genéticas FGFR3/FGFR2 para elegibilidade ao erdafitinib em linhas posteriores 1, 2
- Testar expressão de PD-L1 se considerar imunoterapia em monoterapia como primeira linha 1
- Não atrasar o início da quimioterapia aguardando resultados de testes moleculares; iniciar tratamento e obter testagem FGFR para terapia de linhas posteriores 2
Terapia de Segunda Linha e Subsequentes
Após Progressão em Quimioterapia Baseada em Platina
Opções baseadas em evidência:
- Pembrolizumab em monoterapia (Categoria 1): demonstrou sobrevida global de 10,3 versus 7,4 meses comparado à quimioterapia (p=0,002), com apenas 15% de eventos adversos grau 3-4 versus 49,4% com quimioterapia 1, 4
- Outros inibidores de checkpoint aprovados: atezolizumab, nivolumab, durvalumab, avelumab - todos aprovados independentemente da expressão de PD-L1 1
Após Progressão em Platina E Imunoterapia
- Enfortumab vedotin em monoterapia é fortemente recomendado, proporcionando benefício significativo de sobrevida 2
- Erdafitinib se alterações genéticas FGFR2/3 presentes, com taxa de resposta de aproximadamente 59% 1, 2
Quimioterapia de Segunda Linha
Se imunoterapia ou terapias-alvo não forem opções:
- Docetaxel, paclitaxel, gencitabina, ou combinações 1
- Sobrevida mediana reduzida para 5-7 meses após falha de platina 1
Abordagens Cirúrgicas Selecionadas
Metastasectomia para Doença Oligometastática
Critérios rigorosos de seleção:
- Pacientes altamente selecionados sem evidência de progressão rápida 1
- Resposta favorável à terapia sistêmica prévia 1
- Lesões metastáticas solitárias 1
- Sítios preferenciais: pulmão ou linfonodos 1
Evidência de benefício:
- Meta-análise de 412 pacientes demonstrou sobrevida global melhorada com metastasectomia versus tratamento não-cirúrgico (HR 0,63; IC 95%, 0,49-0,81) 5
- Sobrevida em 5 anos variando de 28% a 72% em séries selecionadas 1
- Melhores resultados associados com resposta completa radiológica à quimioterapia pré-operatória e pN0 versus pN1 1
Armadilhas a evitar:
- Não realizar metastasectomia em pacientes com doença rapidamente progressiva ou múltiplos sítios metastáticos 1
- Considerar cuidadosamente status de performance, comorbidades e quadro clínico geral devido à natureza extensa e difícil da cirurgia 1
- Dados prospectivos são limitados; um estudo fase II de 70 pacientes não demonstrou vantagem de sobrevida, embora qualidade de vida tenha melhorado em pacientes sintomáticos 1
Radioterapia Paliativa
- Radioterapia paliativa de metástases pode ser útil para pacientes selecionados 1
- Considerar para controle de sintomas locais ou lesões sintomáticas específicas 1
Duração e Monitoramento do Tratamento
- Quimioterapia: continuar por máximo de 6 ciclos, dependendo da resposta 1
- Mudar terapia se sem resposta após 2 ciclos ou se morbidades significativas ocorrerem 1
- Avelumab de manutenção deve ser iniciado em pacientes com doença estável ou melhor após quimioterapia de primeira linha baseada em platina 2
Considerações Especiais de Estratificação de Risco
Pacientes de baixo risco (bom status de performance, sem doença visceral ou óssea, fosfatase alcalina e desidrogenase láctica normais):
- Sobrevida a longo prazo relatada apenas neste grupo com quimioterapia combinada baseada em platina 1
Pacientes de alto risco (status de performance ruim ou doença visceral):
- Taxas consistentemente maiores de descontinuação com regimes combinados multiagentes baseados em platina 1
- Poucas remissões completas, que são pré-requisitos para cura 1
- Considerar fortemente pembrolizumab + enfortumab vedotin devido ao perfil de toxicidade melhorado 1
Ensaios Clínicos
- Participação em ensaios clínicos é fortemente recomendada para todas as linhas de terapia, especialmente segunda linha e subsequentes, devido à variabilidade dos dados em doença localmente avançada ou metastática 1