Tratamento do Câncer de Parótida com Metástase Óssea Pélvica
Para câncer de glândula parótida estágio IV com metástase óssea pélvica, o tratamento padrão é paliativo, com radioterapia para controle local da dor óssea e consideração de quimioterapia sistêmica apenas para tumores de alto grau dentro de ensaios clínicos. 1
Abordagem Sistêmica
Não Existe Tratamento Sistêmico Padrão Estabelecido
Para doença metastática (M1), não há terapia sistêmica padrão aprovada. 1 As diretrizes da British Journal of Cancer (2001) são explícitas: "there is no standard" para doença metastática de glândulas salivares. 1
A quimioterapia deve ser considerada apenas para tumores de alto grau e preferencialmente dentro de ensaios clínicos prospectivos. 1 Fora deste contexto, não há papel estabelecido para quimioterapia de rotina. 1
Quando Considerar Quimioterapia
A decisão de usar terapia sistêmica depende de:
- Grau histológico: Apenas tumores de alto grau têm dados (limitados) suportando quimioterapia. 1
- Sintomas: Pacientes sintomáticos ou com risco de comprometimento de função orgânica podem se beneficiar de terapia paliativa. 2
- Histologia específica: Regimes baseados em platina (carboplatina/paclitaxel) são amplamente aceitos como primeira linha em estudos fase II. 2, 3
Limitações da Quimioterapia
- Tumores de glândulas salivares são conhecidos como quimiorresistentes. 2, 4
- Estudos de quimioterapia para tumores de parótida têm sido "decepcionantes". 4
- A vantagem de adicionar quimioterapia concomitante permanece indefinida mesmo para doença localmente avançada. 2
Abordagem Paliativa Local para Metástase Óssea
Radioterapia é o Pilar do Tratamento Local
Radioterapia paliativa é a opção padrão para metástases ósseas sintomáticas, visando redução tumoral e controle da dor. 1
A dose e fracionamento devem ser ajustados para objetivos paliativos (não são especificados os 65 Gy usados em doença locorregional). 1
Cirurgia Paliativa Limitada
Cirurgia de citorredução pode ser considerada como opção em casos selecionados. 1
Cirurgia não é o tratamento padrão para metástases ósseas pélvicas (diferente de metástases pulmonares isoladas, onde ressecção cirúrgica é padrão). 1
Algoritmo de Decisão
1. Determinar o Grau Histológico
- Baixo grau: Tratamento paliativo conservador, considerar observação se assintomático
- Alto grau: Considerar quimioterapia dentro de ensaio clínico
2. Avaliar Carga de Sintomas
- Dor óssea significativa: Radioterapia paliativa à pelve 1
- Assintomático: Observação pode ser apropriada, especialmente em tumores de baixo grau 5
3. Considerar Características do Tumor
- Número de metástases: Se ≤5 lesões (oligometastático), terapia ablativa local pode ser considerada 1
- Biologia indolente (ex: carcinoma adenoide cístico): Observação vigilante pode ser apropriada 5, 6
4. Discussão Multidisciplinar Obrigatória
- Decisões devem ser tomadas em contexto multidisciplinar considerando fatores do paciente e tumor. 1, 2
Armadilhas Comuns a Evitar
Não Superestimar o Benefício da Quimioterapia
- Evite iniciar quimioterapia de rotina fora de ensaios clínicos, especialmente para tumores de baixo grau. 1 A evidência de benefício é extremamente limitada. 2, 4, 6
Não Negligenciar Cuidados de Suporte
- Pacientes com disfunção de glândulas salivares (do tumor primário ou tratamento) requerem triagem nutricional obrigatória. 7
- Manejo adequado da dor óssea é prioritário para qualidade de vida. 1
Reconhecer a Heterogeneidade Histológica
- Tumores de glândulas salivares são extremamente diversos. 2, 4, 6 O que funciona para um subtipo histológico pode não funcionar para outro.
- Terapias personalizadas (anti-andrógeno para carcinoma ductal salivar HER2+, inibidores de NTRK para carcinoma secretório) devem ser consideradas quando apropriadas. 2
Prognóstico e Expectativas
- Metástases à distância conferem prognóstico ruim em geral. 5
- Entretanto, alguns subtipos (especialmente carcinoma adenoide cístico) podem ter sobrevida prolongada mesmo com doença metastática. 1, 5
- Qualquer tratamento direcionado ao câncer deve ser cuidadosamente considerado no contexto de objetivos específicos de cuidado, carga de sintomas e preferência do paciente. 5