Complicações da Prostatectomia Radical: Disfunção Erétil e Incontinência Urinária
A prostatectomia radical causa incontinência urinária de longo prazo em 12-16% dos pacientes e disfunção erétil na maioria dos homens, com recuperação variável dependendo da idade, função pré-operatória e preservação dos nervos cavernosos. 1
Incontinência Urinária
Padrão Temporal e Incidência
- Curto prazo: A maioria dos homens apresenta incontinência imediatamente após a remoção do cateter, com melhora gradual nas primeiras semanas a meses 1
- Longo prazo: 12-16% dos pacientes mantêm incontinência após 12 meses da cirurgia 1, 2
- Necessidade de procedimentos adicionais: 8-9% dos pacientes requerem intervenções subsequentes para resolver a incontinência persistente 1
Tipos de Incontinência
- Incontinência de esforço: É a forma mais comum após prostatectomia, ocorrendo com tosse, espirro ou atividade física 1
- Incontinência total: Perda contínua de urina sem controle algum - esta forma é rara após a cirurgia 1
- Incontinência durante excitação sexual e climactúria: Ocorre em 20-93% dos homens (maioria ~30%), sendo significativamente mais comum que após radioterapia (4-5,2%) 1, 2
Fatores de Risco
- Idade avançada: Pacientes mais velhos têm maior risco de incontinência persistente 2
- Tamanho prostático maior: Próstatas volumosas aumentam o risco 2
- Comprimento uretral membranoso curto: Medido por ressonância magnética pré-operatória 2
- RTUP prévia: Ressecção transuretral da próstata anterior aumenta o risco 2
Complicações Anatômicas
- Estenose anastomótica: Desenvolve-se em 5-14% dos homens na junção vesico-uretral 1
- A estenose pode requerer incisão cirúrgica se houver obstrução significativa, o que paradoxalmente pode piorar a incontinência 1
Disfunção Erétil
Incidência e Recuperação
- A disfunção erétil é extremamente comum após prostatectomia radical, afetando a maioria dos pacientes 1
- Recuperação tardia: A função erétil máxima pode demorar 12-24 meses para retornar, com melhora gradual ao longo deste período 1, 3
- Em estudos observacionais da vida real, 87% dos pacientes submetidos à prostatectomia relataram disfunção erétil aos 24 meses 4
Fatores Determinantes da Recuperação
Três fatores críticos determinam a recuperação da função erétil: 3
Preservação dos nervos cavernosos: A recuperação está diretamente relacionada ao grau de preservação neurovascular 1, 3
Idade no momento da cirurgia:
Função erétil pré-operatória: O status basal é fortemente preditivo do resultado pós-operatório 2, 3
Considerações Técnicas
- Enxertos nervosos não são eficazes: A substituição de nervos ressecados por enxertos não demonstrou benefício, enfatizando que a prevenção da lesão é mais importante que a tentativa de reparo 1, 3
- Técnicas poupadoras de nervos melhoram também a função urinária: Além da função erétil, há benefício na continência 1
Comparação Entre Técnicas Cirúrgicas
Abordagem Robótica vs. Aberta
- Vantagens perioperatórias da cirurgia minimamente invasiva: Menor tempo de internação, menos transfusões sanguíneas, menos complicações cirúrgicas 1
- Controvérsia sobre resultados funcionais: Dados do SEER-Medicare mostraram taxas mais altas de incontinência e disfunção erétil com abordagem minimamente invasiva 1
- Meta-análises recentes favorecem a abordagem robótica: Vantagem estatisticamente significativa na continência aos 12 meses e recuperação da potência 1
- Resultados oncológicos equivalentes: Margens cirúrgicas positivas são similares entre as técnicas 1
Complicações Perioperatórias
Riscos Imediatos
- Sangramento: Taxas de transfusão podem chegar a 20%, variando com tamanho prostático e índice de massa corporal 1
- Lesão retal: Complicação incomum 1
- Complicações em 30 dias: Aproximadamente 22% (metade relacionada a coração, pulmões e vasos sanguíneos) 1
- Mortalidade em 30 dias: 0,1-0,2% dos pacientes 1
Manejo e Tratamento
Incontinência Urinária
Abordagem escalonada baseada no tempo: 1, 5
- 0-6 meses: Exercícios do assoalho pélvico aceleram a recuperação, embora as taxas de continência aos 12 meses sejam similares com ou sem exercícios 2, 5
- 6-12 meses: Continuar terapia conservadora; a maioria dos homens atinge continência neste período 1, 5
- Após 12 meses com incontinência persistente: Considerar intervenção cirúrgica 1, 5
Sinais de alerta para avaliação precoce: 5
- Ausência de melhora aos 6 meses apesar de terapia conservadora
- Incontinência grave (5+ absorventes/dia) aos 6 meses
Opções cirúrgicas: 1
- Esfíncter urinário artificial (AUS): Padrão-ouro para incontinência persistente de leve a grave
- Slings: Dependendo da quantidade de perda urinária
Disfunção Erétil
Estratégia de reabilitação peniana: 3, 6
- Retomar atividade sexual precocemente: Importante para prevenir disfunção erétil irreversível 6
- Inibidores de fosfodiesterase-5 (PDE-5): Podem auxiliar a recuperação promovendo fluxo sanguíneo e potencialmente apoiando regeneração nervosa 3
- Terapia de injeção intracavernosa: Alternativa quando PDE-5 inibidores são insuficientes 6
- Prótese peniana: Indicada após 1 ano se a disfunção persiste e afeta significativamente a qualidade de vida 6
Armadilhas Comuns
- Não confundir incontinência precoce com falha cirúrgica: A incontinência é esperada no curto prazo e não constitui complicação nas primeiras semanas 5
- Definir expectativas realistas sobre tempo de recuperação: A função erétil pode levar até 2 anos para recuperação máxima 1, 3
- Reconhecer que preservação nervosa bilateral não garante continência: O status de preservação nervosa afeta principalmente função erétil, não continência 5
- Considerar que disfunção erétil é preditor independente de incontinência: Há possível via anatômica comum para ambas complicações 7
Contexto de Qualidade de Vida
- Comparação com radioterapia aos 15 anos: Não há diferença significativa nas taxas de continência urinária e função erétil entre prostatectomia e radioterapia no longo prazo 1
- Aos 2-5 anos: Pacientes submetidos à prostatectomia relatam melhores taxas de continência e função erétil, mas maior urgência intestinal comparado à radioterapia 1
- Satisfação geral: Apesar das complicações, a maioria dos pacientes votaria pela operação novamente 8