Conduta para Dor Ocular com Veia Dilatada em Mulher de 48 Anos
A paciente deve ser encaminhada imediatamente para avaliação oftalmológica urgente para excluir glaucoma agudo de ângulo fechado, esclerite ou oclusão vascular retiniana, pois a combinação de dor ocular com alteração vascular pode indicar emergência oftalmológica com risco de perda visual permanente. 1
Avaliação Inicial Obrigatória
A presença de dor ocular associada a veia dilatada exige diferenciação urgente entre condições benignas e emergências oftalmológicas:
- Medir a pressão intraocular (PIO) imediatamente para excluir glaucoma agudo de ângulo fechado, que se apresenta com hiperemia conjuntival/episcleral, edema corneano e pupila média fixa 1
- Avaliar acuidade visual - qualquer redução da visão indica necessidade de avaliação oftalmológica no mesmo dia 2
- Examinar com lâmpada de fenda para diferenciar hiperemia conjuntival superficial (episclerite) de hiperemia episcleral profunda (esclerite) 3, 4
- Aplicar fenilefrina tópica 2,5% - a hiperemia que desaparece sugere episclerite benigna; hiperemia persistente indica esclerite mais grave 3
Sinais de Alerta que Exigem Encaminhamento Urgente
Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado
- PIO elevada (>21 mmHg) com dor ocular, edema corneano e pupila média fixa requer tratamento imediato com beta-bloqueador tópico, agonista alfa-2, acetazolamida sistêmica e agente hiperosmótico 1
- Iridotomia periférica a laser deve ser realizada assim que o edema corneano permitir visualização da íris 1
Oclusão Vascular Retiniana
- Veia dilatada com perda visual súbita sugere oclusão de veia central da retina, que requer avaliação cardiovascular urgente devido ao risco aumentado de AVC 5
- Pacientes com oclusão arterial retiniana devem ser encaminhados imediatamente para centro de AVC para consideração de intervenção aguda 5
Esclerite
- Dor ocular intensa, pior à noite, com hiperemia episcleral profunda que não desaparece com fenilefrina indica esclerite 3, 4
- Esclerite requer tratamento anti-inflamatório agressivo escalonado e investigação para doença reumatológica sistêmica subjacente 3, 6
- Formas necrosantes e posteriores têm maior risco de complicações e pior prognóstico visual 3
Conduta para Episclerite (Diagnóstico Benigno)
Se a avaliação inicial confirmar episclerite simples (hiperemia superficial que desaparece com fenilefrina, dor mínima, visão normal):
- Compressas frias e lágrimas artificiais fornecem alívio sintomático 5, 4
- AINEs tópicos ou corticosteroides tópicos para sintomas persistentes 4
- A maioria dos episódios resolve em 1-3 meses; forma nodular tende a ser mais recorrente 4
- Encaminhamento oftalmológico ainda é recomendado para confirmar diagnóstico e excluir esclerite 4
Investigação Sistêmica
- Pacientes com menos de 50 anos com oclusão vascular retiniana necessitam investigação para vasculite ou hipercoagulabilidade 5
- Pacientes acima de 50 anos com oclusão vascular necessitam investigação embólica e avaliação de doença carotídea 5
- Esclerite resistente ou recorrente requer investigação para doenças do tecido conjuntivo, vasculite sistêmica, infecções e malignidades 6
Armadilhas Comuns a Evitar
- Nunca presumir que dor ocular com veia dilatada é apenas "olho vermelho benigno" - avaliação oftalmológica urgente é obrigatória 1, 2
- Não tratar empiricamente com antibióticos sem excluir causas não infecciosas que requerem tratamento específico 2
- Não usar pilocarpina em glaucoma agudo até que a PIO comece a diminuir, pois a íris isquêmica não responde em pressões muito altas 1
- Não atrasar encaminhamento se houver qualquer redução da acuidade visual, mesmo que discreta 2