Tratamento da GESF Resistente a Corticoides e Inibidores da Calcineurina
Para pacientes adultos com GESF primária que falharam tanto corticoterapia em dose alta quanto um ensaio de ≥6 meses com inibidor de calcineurina, recomenda-se o uso de micofenolato de mofetila (MMF) 500-1000 mg duas vezes ao dia por 1-2 anos como terapia de próxima linha. 1
Abordagem Terapêutica Estruturada
Primeira Opção: Micofenolato de Mofetila
O KDIGO recomenda MMF 500-1000 mg duas vezes ao dia por 1-2 anos especificamente para pacientes que são intolerantes ou resistentes a corticosteroides, ciclofosfamida e inibidores de calcineurina. 1
Esta recomendação é classificada como 2D (sugestão com evidência de qualidade muito baixa), refletindo a limitação de dados robustos nesta população de difícil tratamento. 1
O MMF demonstrou alguma redução na proteinúria em estudos observacionais, embora os relatos sejam limitados e os seguimentos curtos. 2
Opções Alternativas e Considerações Adicionais
Agentes Alquilantes (Ciclofosfamida)
Ciclofosfamida pode ser considerada em casos resistentes, especialmente quando prolongada por períodos mais longos. 2
Estudos mostram que aproximadamente metade dos pacientes pode entrar em remissão se o tratamento for prolongado, embora os resultados sejam geralmente pobres quando administrados por períodos curtos. 2
Esta opção deve ser reservada para casos verdadeiramente refratários devido ao perfil de toxicidade significativo. 2
Terapias Extracorpóreas
Plasmaférese ou lipoférese podem ser tentadas em casos resistentes como medidas de resgate. 2, 3
Estas modalidades são consideradas quando todas as opções farmacológicas convencionais falharam. 3
Rituximabe
Rituximabe, um anticorpo monoclonal anti-CD20, mostrou-se menos eficaz em casos resistentes a esteroides comparado a pacientes com doença esteroide-dependente/multirecidivante. 3
Pode ser considerado em casos selecionados, particularmente em pacientes com componente de doença de lesões mínimas sobreposta. 3
Monitoramento Durante Terapia de Resgate
Parâmetros Laboratoriais Essenciais
Monitorar proteinúria mensalmente para avaliar resposta ao tratamento. 1
Avaliar função renal (creatinina sérica e TFG) a cada 4-8 semanas. 1
Verificar albumina sérica regularmente para avaliar gravidade da síndrome nefrótica. 4
Definição de Resposta ao Tratamento
Remissão completa: proteinúria <0,3 g/dia com função renal estável. 1
Remissão parcial: redução ≥50% da proteinúria basal e proteinúria <3,5 g/dia com função renal estável ou melhorada. 1
Considerar falha terapêutica se não houver pelo menos 50% de redução na proteinúria após 6 meses de tratamento com MMF. 1
Terapia de Suporte Contínua (Crítica em Todos os Casos)
Bloqueio do Sistema Renina-Angiotensina
Todos os pacientes devem receber IECA ou BRA titulados até a dose máxima tolerada para reduzir proteinúria, independentemente da resposta à imunossupress ão. 4
Monitorar função renal e potássio frequentemente, especialmente ao iniciar ou aumentar doses. 4
Orientar suspensão temporária durante episódios de depleção de volume. 4
Controle Pressórico Rigoroso
Alvo de pressão arterial sistólica <120 mmHg usando medidas padronizadas de consultório. 4
Este controle rigoroso é fundamental para preservar função renal a longo prazo. 4
Modificações de Estilo de Vida
Restrição de sódio dietético para <2,0 g/dia (<90 mmol/dia). 4
Normalização do peso corporal, cessação do tabagismo e exercício regular. 4
Armadilhas Comuns e Como Evitá-las
Erro 1: Descontinuar Terapia de Suporte
Nunca descontinuar IECA/BRA mesmo em pacientes resistentes a imunossupress ão—o benefício antiproteinúrico e nefroprotetor persiste independentemente. 4
A terapia de suporte é tão importante quanto a imunossupress ão para preservar função renal a longo prazo. 4
Erro 2: Duração Inadequada do Ensaio com MMF
MMF requer 1-2 anos de tratamento para avaliar eficácia completa—não descontinuar prematuramente. 1
Muitos clínicos descontinuam após 6 meses, mas a resposta pode ser gradual. 1
Erro 3: Não Excluir Causas Secundárias
Sempre reavaliar para formas genéticas ou secundárias de GESF antes de escalar imunossupress ão. 1, 4
Considerar triagem genética em pacientes com história familiar, início precoce ou resistência a múltiplas terapias. 1
Formas secundárias (obesidade, refluxo vesicoureteral, uso de drogas) não respondem a imunossupress ão e requerem tratamento da causa subjacente. 4
Erro 4: Expectativas Irrealistas de Remissão Completa
Em pacientes multi-resistentes, remissão parcial é um desfecho aceitável e clinicamente benéfico. 1
Remissão parcial está associada a melhor sobrevida renal comparada a proteinúria persistente em faixa nefrótica. 3
Quando Considerar Abordagem Conservadora
Critérios para Não Intensificar Imunossupress ão
Não usar terapia imunossupress iva adicional em pacientes com creatinina sérica persistentemente >3,5 mg/dL (>309 µmol/L) ou TFG <30 mL/min/1,73 m² e redução do tamanho renal ao ultrassom (<8 cm de comprimento). 1
Não usar em pacientes com infecções graves ou potencialmente fatais concomitantes. 1
Nestes casos, focar exclusivamente em terapia de suporte máxima e preparação para terapia renal substitutiva. 1
Prognóstico e Expectativas Realistas
A resposta ao tratamento é um preditor mais forte de sobrevida renal do que achados histológicos. 4
Pacientes que não alcançam remissão (completa ou parcial) geralmente progridem para doença renal terminal em 5-10 anos. 5
Recidiva é comum após retirada de qualquer imunossupress or, sugerindo que estes agentes podem ter efeitos hemodinâmicos além de tratar o processo patológico subjacente. 4