Ultrassom de Mama e Classificação BI-RADS
Papel do Ultrassom na Avaliação Mamária
O ultrassom mamário é uma ferramenta diagnóstica essencial e complementar à mamografia, mas não substitui a mamografia como método de rastreamento primário, pois não detecta a maioria das microcalcificações. 1
Indicações Principais do Ultrassom
- Caracterização de achados mamográficos: O ultrassom diferencia massas sólidas de cistos e auxilia na caracterização de lesões identificadas na mamografia 1, 2
- Avaliação de massa palpável: Em mulheres com menos de 30 anos, o ultrassom é o exame de primeira linha; entre 30-39 anos, pode ser usado isoladamente ou com mamografia; acima de 40 anos, deve seguir a mamografia diagnóstica 3
- Guia para procedimentos intervencionistas: O ultrassom é o método preferencial para guiar biópsias de lesões visíveis tanto na mamografia quanto no ultrassom, devido ao conforto da paciente, eficiência, ausência de radiação e visualização em tempo real 3
Limitações Importantes
- Não detecta microcalcificações: Esta é uma limitação crítica, pois microcalcificações frequentemente representam o único sinal de cânceres em estágio inicial e carcinoma ductal in situ 1, 4
- Maior taxa de falso-positivos: Dados preliminares sugerem taxas substancialmente maiores de falso-positivos comparado à mamografia (11,7-106,6 biópsias adicionais por 1000 exames) 4
Sistema de Classificação BI-RADS
BI-RADS Categoria 1 (Negativo)
- Conduta: Retornar ao rastreamento de rotina 1
- Exceção importante: Se houver massa palpável com mamografia BI-RADS 1, o ultrassom é obrigatório para avaliar o achado clínico discordante 4, 3
BI-RADS Categoria 2 (Benigno)
- Conduta: Retornar ao rastreamento de rotina 1
- Achados típicos: Cistos simples, linfonodos intramamários, implantes, alterações pós-cirúrgicas estáveis 1
BI-RADS Categoria 3 (Provavelmente Benigno)
Protocolo de seguimento rigoroso: Mamografia diagnóstica aos 6 meses, depois a cada 6-12 meses por 1-2 anos 1, 5
- Se a lesão permanece estável ou resolve: Retornar ao rastreamento de rotina 1, 5
- Se a lesão aumenta ou muda características: Realizar biópsia imediatamente 1, 5
Exceções para biópsia inicial (ao invés de seguimento): 1, 5
- Retorno incerto da paciente
- Paciente fortemente ansiosa e deseja biópsia
- História familiar importante de câncer de mama
BI-RADS Categoria 4 (Suspeito) e 5 (Altamente Sugestivo de Malignidade)
Biópsia por agulha grossa (core biopsy) é obrigatória e preferencial sobre biópsia excisional. 1
Após Biópsia - Verificação de Concordância
Ponto crítico: Deve haver concordância entre o resultado patológico e o achado de imagem 1
- Se benigno e concordante: Seguimento com mamografia a cada 6-12 meses por 1-2 anos antes de retornar ao rastreamento de rotina 1
- Se discordante: Repetir imagem e/ou obter amostra adicional de tecido; excisão cirúrgica é recomendada quando patologia e imagem permanecem discordantes 1
- Exemplo de discordância inaceitável: Resultado benigno em biópsia de massa espiculada categoria 5 1
BI-RADS Categoria 6 (Malignidade Comprovada)
- Conduta: Manejo conforme diretrizes de tratamento de câncer de mama 1
Tipos de Cistos e Conduta
Cisto Simples
- Características: Anecoico, bem circunscrito, redondo ou oval, parede imperceptível, reforço acústico posterior 1
- Conduta: Nenhuma ação necessária, achado benigno 1
Cisto Complicado
- Características: Possui a maioria mas não todos os elementos de cisto simples; pode conter ecos de baixo nível ou debris intracístico, sem elementos sólidos, massas intracísticas, paredes espessas ou septos espessos 1
- Conduta: Aspiração se sintomático; análise citológica apenas se líquido sanguinolento 1
Cisto Complexo
- Características: Componente sólido discreto, incluindo paredes espessas, septos espessos e/ou massa intracística; possui componentes anecoicos (císticos) e ecogênicos (sólidos) 1
- Risco de malignidade: Relativamente alto (14-23% em estudos) 1
- Conduta: Biópsia de tecido obrigatória 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Nunca ignorar achado clínico baseado em imagem negativa: Massa palpável com BI-RADS 1 requer ultrassom adicional 4, 3
- Não realizar biópsia antes de completar avaliação por imagem: Mudanças relacionadas à biópsia podem confundir ou limitar interpretação subsequente da imagem 3
- Não usar ultrassom como rastreamento de rotina em mamas densas assintomáticas: Evidências insuficientes de benefício em mortalidade ou qualidade de vida, com altas taxas de falso-positivos 4
- Não aceitar resultado patológico discordante com imagem: Sempre buscar concordância entre patologia e imagem 1
Vantagens da Biópsia por Agulha Grossa
A biópsia por agulha grossa é superior à punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e preferencial sobre biópsia excisional. 1
- Maior acurácia: Especialmente quando não há massa palpável 1
- Amostra adequada: Elimina necessidade de biópsia de seguimento para confirmar malignidade 1
- Colocação de clipe marcador: Realizada no momento da biópsia para identificar localização da lesão caso seja completamente removida ou desapareça durante tratamento neoadjuvante 1